MATTEO DEL FRARI
— Então, Del Frari, estamos conversados. Seria bom se Alex estivesse aqui para discutirmos sobre isso, mas como sempre, a mulher dele o atrasa. — Adam m*l terminou de falar e recebeu um tapa no braço de sua esposa.
— Não coloque a culpa nela, Angel é uma mulher ocupada também; lembre-se que ela não trabalha só na empresa do marido, mas também tem seu próprio negócio. — Isabel falou e eu concordei.
— Bem, eu ligo para marcarmos uma nova reunião e repassar tudo para o Alex — falei e os dois concordaram.
— Nós já vamos, não podemos ficar por muito tempo. Temos um jantar em família em Seattle e todos da família Lavisck estarão presentes, até mesmo meu filho que conseguiu um tempo para vir. — Vi felicidade nos olhos de Isabel ao falar da família.
“Família”... Isso é algo que perdi há muito tempo e três vezes.
— Ryan conseguiu pausar um pouco a vida de rei? — brinquei.
— Sabe como é, ser rei de um país não é fácil e nosso filho está se saindo melhor do que esperávamos. Em breve a minha menina me dará esse orgulho, cuidando da minha empresa; Júlia tem pulso firme e sabe lidar com as coisas muito bem. — Adam disse todo orgulhoso.
— Júlia tem a aparência da mãe, mas o gênio do pai. Com a devida orientação, ela se tornará uma grande CEO — murmurei.
— É o que eu mais quero — completou Adam.
— Matteo, sobre aquela menina, o que ela estava fazendo aqui? — Reviro os olhos com desdém.
— Isabel, acho que isso não é da sua conta. — Ela ri.
— Eu sou mulher, se vejo uma moça assustada e machucada, é claro que vou me preocupar; na verdade, todos devem se preocupar.
— Amor...
— Não, Adam, o que vi nos olhos daquela menina foi dor, medo; ela claramente precisa de ajuda. — Solto uma respiração pesada.
— O nome dela é Aurora Johnson, ela é filha do contador da minha empresa. A família dela está até o pescoço com dívidas e problemas pessoais e ela veio me pedir ajuda, em troca de trabalhar para mim — digo sem detalhes.
— Você ajudando uma pessoa, sem nada específico em troca? — indaga Adam.
— Ela vai ser minha assistente pessoal, vai me ajudar com tudo que eu não estou a fim de fazer. O salário que receberia será para quitar a dívida comigo; ela vai cumprir até acabar. — Levanto da minha mesa e caminho até um minibar no canto do meu escritório.
— E sobre esse ex dela? — Ela não vai me deixar em paz.
— Eu já mandei cuidar do infeliz, não vai mais incomodá-la. — Se soubessem o que eu mandei fazer...
— Bom, se for assim, fico mais tranquila por um lado e preocupada por outro. — Olho para Isabel.
— Por quê?
— Matteo, vamos ser sinceros, conhecemos o seu lado sujo e sombrio, sabemos que nada que venha de você é com boas intenções — começo a rir.
— Quer falar de mim? Seu marido e Alex são iguais ou piores.
— Tudo bem, concordo, mas acho que essa moça foi prejudicada demais, somente em poucas palavras trocadas pude perceber; se for ajudá-la da forma como diz, isso é maravilhoso. — O olhar que Adam me lança atrás da esposa é de desconfiança.
— Bom, parece que o implacável Matteo Del Frari tem algum coração ali dentro. Vai me surpreender se quiser construir uma família agora — comenta Adam para descontrair.
— Quando vai arrumar uma esposa e sossegar? Já está quase na casa dos quarenta. — Respirei fundo para não dar uma má resposta para ela.
— Isabel, eu não quero uma esposa e eu tenho trinta e sete anos. Faltam três anos para a casa dos quarenta e, mesmo assim, sou feliz do jeito que sou.
— Mas...
— Vocês não tinham que voltar logo para Seattle? — perguntei, torcendo para eles saírem logo.
— Grosso. — Ela disse e em seguida se virou para sair. Adam me lançou um olhar cúmplice.
Edgar, Marco, Alex e Adam. Os quatro, além da minha tia, são os únicos que sabem exatamente o motivo pelo qual eu não quero uma família. A experiência que tive durante esses anos me fez ver que ter família só causa dor de cabeça. Uma hora eles estão com você e em outra eles somem, ainda mais no meio em que vivo.
Quando ambos saíram da minha sala, me recostei na cadeira e logo Aurora veio à minha cabeça.
Tudo sobre ela me intriga; por mais na merda que sua vida esteja, ela não mede esforços para ajudar quem quer que seja. Se fosse eu, já teria desistido e deixado todos para trás. Família é um saco e só traz problemas; estou feliz só com a minha tia, que não me dá muita dor de cabeça.
Se vender a um desconhecido, a um homem que ela nem imagina o que é de verdade... Realmente, Aurora Johnson, você é maluca, e é isso o que mais me atrai em você. Óbvio que a beleza escondida atrás do mau gosto para roupas ajuda também.
Trinta dias… Esse será o tempo que vou precisar para saber quem é você de verdade. Trinta dias perto de mim, assim será muito mais fácil para sondá-la.
É, Salvatore, se as minhas suspeitas estiverem certas, eu finalmente vou tê-la encontrado. A beleza dela é idêntica ou até maior que a de Valentina.
Saí dos meus devaneios com o meu celular tocando, olhei no visor e vi que se trata de Marco.
— Del Frari.
— Se sabe que sou eu, por que é tão formal, seu bastardo?
— Diz o que quer logo, filho da p**a!
— Ei, calma, que bicho mordeu você? Por que está estressado e descontando em mim? — Porque você interrompeu meu momento de reflexão.
— Nada, só que hoje está sendo um dia cansativo.
— Bom, estou ligando para te contar uma coisa. O Damien tentou contato com você, mas como não conseguiu, me ligou e disse que descobriu algo que pode nos ajudar, no entanto não é garantia.
— E o que é?
— Eu estou indo para sua empresa lhe contar pessoalmente, mas antes disso quero te fazer uma pergunta.
— O quê?
— Vai querer levar essa história adiante? E se for ela, cara? O...
— Se for ela vai ser bom, só isso — falei friamente.
— Mas Matteo, isso que você vai fazer é loucura! Ela pode te odiar caso...
— Eu sei, mas estou pouco me fodendo para isso, já está decidido. — Desliguei o celular sem me despedir.
Marco é um i*****l; se vou pagar por algo, quero que seja feito, mas não exatamente como ela espera. Vai ser Aurora quem vai correr atrás de mim, implorando para ser fodida.
AURORA JOHNSON
Olhei-me no espelho mais uma vez para ver se estava um pouco apresentável. Por mais i****a, frio, arrogante e cretino que o Del Frari fosse, umas das raras qualidades que achei nele foi a sinceridade. Ele tem razão, eu não sei me arrumar muito bem, nunca fui perita nisso.
Passei a mão pelo vestido nude um pouco justo, que vai até a metade das minhas coxas, alças finas e delicado. Passei a mão pelo meu r**o de cavalo bem feito, destacando ainda mais meus olhos acinzentados. Passei um brilho labial e uma maquiagem para ajudar a esconder a marca no meu rosto. Calcei um salto de tiras de cor branca, deixando à mostra os meus pés, que é a única parte do meu corpo que acho bonito, não sei o porquê.
Peguei a minha bolsa e saí do quarto. Olhei as horas no meu celular e vi que tinha uma hora de vantagem, ainda bem.
Chegando à mesa do café da manhã, percebi que meu pai não estava e muito menos o meu irmão.
— Cadê o papai e o Rubens? — perguntei me sentando à mesa.
— Seu pai saiu mais cedo e Rubens não quis descer para tomar café.
— Aconteceu algo com meu irmão?
— Ele ontem tentou ver Christina, foi visitá-la e os pais dela o colocaram para correr — informou minha irmã.
— Ana, isso não são modos de falar! — Minha mãe a repreendeu.
— Eu vou falar com ele.
— Filha, o deixe sozinho; ele disse que não quer ver ninguém e eu o entendo. Vamos dar um tempo para ele. — Minha mãe disse e eu, mesmo não querendo, aceitei.
— Aurora, você está bonita hoje. — Elogiou Ana.
— Obrigada — murmurei.
— Animada para o primeiro dia no novo trabalho, filha?
— Ah… Sim, muito animada. — Não mãe, nem um pouco animada.
— Ficaremos eternamente gratos ao senhor Del Frari por nos ajudar, e ele ainda vai ajudar a seu irmão. Esse homem parece ter um bom coração, algo que eu achava impossível em alguém com a fama dele.
— Sim, mãe, ele tem. — Meu pai tem razão, mãe, aquele homem não vale o prato que come e eu... Estou me submetendo a ser sua escrava durante trinta dias.
Isso vai valer a pena, isso vai valer a pena, isso vai valer a pena… — Repeti mentalmente como se fosse um mantra.
Ao chegar na empresa, cumprimentei rapidamente Valéria e subi até o último andar. Eu ia mostrar ao i*****l Frari que sou pontual ou até mesmo adiantada. Ao chegar lá, vi de longe meu pai sair da sala do senhor Del Frari.
— Pai. — Ele me olhou e começou a vir em minha direção.
— Aurora, filha, desculpe não estar na mesa do café da manhã hoje cedo; é que eu tinha que sair mais cedo para...
— Falar com o Del Frari — completei. Ele me olhou como se tivesse sido pego no flagra.
— Eu precisava me certificar de que ele seria bom com você.
— Eu sei, pai, e agradeço muito pela sua preocupação. — Ele sorriu fracamente.
— Desculpe-me pelo que eu falei ontem, eu só queria te proteger. — Peguei em sua mão e disse:
— Te entendo papai, eu te amo. — Pegando-me de surpresa, ele me puxou para um abraço. Fazia tempo que ele não me abraçava.
— Eu também, minha princesa.
— Desculpe interromper, mas é que o senhor Del Frari sabe que você está aqui e pediu para chamá-la. — Lídia disse com um sorriso simpático no rosto.
— Claro, eu já vou. Pai, nós nos vemos à noite? — Ele concordou e me deu um beijo na testa, me afastei dele indo em direção à porta.
Abri a porta sem sequer bater e não sabia se ficava ou saía correndo. Eu simplesmente não estava preparada para ver aquela cena, nem mesmo nos meus sonhos.
Del Frari parado em frente à mesa, sem camisa, usando somente uma calça social preta que deixava seus quadris evidentes. Fiquei hipnotizada mais uma vez com as tatuagens.
Uau! Eu realmente não estava enganada.
Esse homem tem várias tatuagens espalhadas pelo corpo. Observei também seu peitoral e braços definidos. Sinceramente, por mais que eu odeie admitir, esse homem está em um patamar de Deus grego, nem a palavra “lindo” chega perto do que está diante dos meus olhos.
— Aurora? — Saí dos meus devaneios com a voz dele, senti todo o meu rosto ficar vermelho.
— Ah... É... É... Por que… Por que está sem camisa? — Ele abriu um sorriso e mostrou algo que nunca havia percebido, ele tem covinhas.
— Está um calor terrível aqui, e como essa sala é minha, posso ficar até nu que ninguém poderia falar nada. — Engoli em seco.
— Nu? — Minha voz quase não saiu.
Fiquei completamente com vergonha quando percebi que ele estava me avaliando e, quando terminou, se aproximou, o que me fez recuar alguns passos até ele me prender contra a porta. Colocou seus braços em cada lado do meu rosto. O vi abaixar um braço e levá-lo até a fechadura da porta. Escutei o click indicando que a havia trancado.
Por que ele trancou a porta?
— Sabe que dia é hoje, Aurora? — Seu rosto estava tão próximo que pude sentir seu hálito fresco.
— Pri... Primeiro de junho. — Ele abriu um meio sorriso e rapidamente senti algo molhado entre as minhas pernas.
Eu não acredito que fiquei excitada com ele! Corpo traidor!
— Sim, o dia em que você se torna oficialmente minha. — Foi impressão minha ou ele pronunciou a palavra MINHA com um certo tom de posse?
— Sim... — sussurrei.
Assustei-me quando senti uma de suas mãos me puxar pela cintura, me levando de encontro ao seu corpo. Ele colocou seu rosto contra o meu pescoço e só a sua respiração fez meu corpo todo se arrepiar.
— Eu imagino o que está pensando, que vou ser bruto e te fazer sofrer durante esses trinta dias sendo minha escrava, mas não será bem assim. Quero fazer você pedir por isso.
— Como assim? — Ele fixou seus olhos nos meus e pude ver seus olhos azuis brilharem.
— Seu corpo já me mostra exatamente o que eu queria e agora só preciso de algo para selar. — Sua boca estava a centímetros da minha.
— O… — Ele me interrompeu ao colar seus lábios nos meus.
Ele pediu passagem com a sua língua e eu, completamente hipnotizada pelo momento, me deixei levar.
Del Frari apertou sua mão na minha cintura enquanto senti a sua outra mão segurando firme em minha nuca. Levantei os meus braços e coloquei-os em volta do seu pescoço.
O beijo ficou mais intenso e urgente, era algo que jamais havia experimentado. Nem mesmo com Gustavo era assim; a sensação que experimentei era estranha, mas ao mesmo tempo boa e, até arriscaria dizer, prazerosa.
Sua língua dançou dentro na minha boca fazendo-me provar o gosto dele, que era bom, divinamente bom, Deus! Como era bom.
Segundos, minutos, horas... Eu não sei. Só sei que paramos porque ficamos sem fôlego. Ele levou suas mãos até o meu rosto, que ainda estava bem próximo do seu, e nossos corpos ainda estavam colados.
— Como eu imaginava, seus lábios são macios e deliciosos de beijar. — Eu estava hipnotizada por seu olhar, parecia que tudo que ele dizia ou fazia era sexy.
— Se serve de consolo, seu beijo também não é tão r**m. — Ele ri.
— Tenho um jantar importante para ir esta noite. Já que seu pai acha que você é minha assistente pessoal, vamos fazer o possível para que ele continue a pensar assim.
— Eu não entendo muito disso. — Ele mordeu o lábio e acariciou meu rosto.
— Peça a Lídia para te passar algumas coisas e no resto… Eu ajudo. — Ele não se afastou, nem eu.
— O que o meu pai...
— Nada demais. — Del Frari interrompeu e, pela expressão, pareceu não querer estender o assunto.
— O que vou fazer durante o dia aqui? — O sorriso que ele esboçou era malicioso.
— Existem muitas coisas que poderia fazer, mas ficará com a Lídia para que ela te passe o básico do que fazer. — Balancei a cabeça em concordância.
Senti algo roçar em minha barriga e quando olhei para baixo, escancarei os meus olhos.
Ele ficou de p*u duro só com o beijo? E ele nem pareceu se envergonhar com isso, pelo contrário, o i****a sorriu.
Ah, olha quem fala. A mulher que ficou molhada só com o meio sorriso dele.
— Acho melhor... Colocar uma camisa — murmuro. Ele riu e senti como se estivesse ouvindo música. A risada dele é bonita e gostosa e me contagiou, peguei-me rindo também.
Fazia um tempo que não dava uma risada tão espontânea e sincera como estava fazendo naquele momento e isso era... Muito bom.