Rodolfo Martinelli Depois que ela me colocou de volta na maldita cadeira de rodas, saiu do quarto sem olhar pra trás. Mas o perfume dela… não foi embora. Ficou. Se espalhou pelo quarto como um lembrete incômodo de que ela esteve ali. De que ela me tocou. Me sustentou. Me viu fraco. E isso me consome. Passo o resto do dia no quarto, revisando cada contrato e relatório que Caterina teve a audácia de assinar em meu nome. Cada decisão que tomou. Cada “ajuste estratégico”. Cada erro que vou corrigir com sangue, se for necessário. Até que o enfermeiro aparece para me levar ao jantar. — Senhor Martinelli, hora de descer. — Não fale como se estivesse me dando ordens. Apenas empurre. Ele engole seco. Obedece. (***) No elevador Assim que as portas se abrem, lá está ela. Nicole.

