Laila estava discutindo com o pai pela enésima vez naquele ano. Ele estava revoltado porque Laila parecia querer viver a vida de Juliana e não queria trabalhar no escritório dele.
_ Você se preparou a vida inteira pra isso, Laila. Agora nos últimos dois anos, você mudou de idéia?
_ Você me preparou a vida inteira pra isso, pai! Eu só queria estudar, me formar e poder decidir o que eu quero fazer da minha vida!
_ Eu paguei sua faculdade e todas duas despesas enquanto você se preparava, e agora você não quer assumir meu lugar pra eu descansar!
_Foi você quem me ensinou que o direito me dava um leque de opções e eu poderia fazer o que quisesse. E eu quero ser advogada corporativa. Pra isso sim estou me preparando nos últimos dois anos e Juliana me deu um caminho.
_ Não, Juliana te deu um monte de tarefas e tornou você sobrecarregada, sem contar que vc virou funcionária dela e eu te preparei pra nunca ter patrão.
_ Pai, Juliana não é minha patroa. Eu ganho comissão com os contratos milionários que fecho pra ela. O que ganho em um contrato, não ganharia em um ano no seu escritório. Por favor, respeite minha escolha de carreira.
_ Nesse momento, você não está ganhando esses rios de dinheiro. Está bancando a babá e de graça!
_ Pai. Tenho 24 anos, sou uma mulher feita e formada. Agradeço a tudo o que você fez por mim pra eu chegar até aqui, mas por favor, não ache que isso lhe dá o direito de interferir em minhas escolhas de vida. Lissandra é minha afilhada, e na ausência de Juliana,
eu cuido dela. E só pro senhor saber, ela nem precisaria disso, porque Lissandra é muito amada e todos querem ficar perto dela. Não queira controlar minha vida, pai. Vou nessa...
Laila beijou a testa do pai e saiu. Enquanto dirigia para a mansão pra buscar Lissandra, foi pensando em tudo o que aconteceu em sua vida, desde que encontrou o pai aos beijos com sua babá.
Ela tinha nove anos e gostava muito da moça que cuidava dela. Ela e Juliana eram vizinhas e estavam sempre juntas, e como as duas mães trabalhavam, elas precisavam de babá pra cuidar das meninas e dividiam uma moça.
O pai tinha um escritório notório em Mairiporã onde a mãe era associada. Eles estavam montando um escritório em São Paulo e o pai estava estressado em dirigir duas a três vezes por semana para dar atendimento na capital. Mairiporã não era tão longe, cerca de uma hora dirigindo, mas pra quem está acostumado com cidade pequena e ausência de trânsito, isso era terrível.
Laila lembra que os dois discutiam bastante, até o dia que ela entrou dentro de casa para buscar algo e encontrou o pai beijando Beatriz. Laila não quis fazer fofoca, mas o próprio pai achou melhor contar antes que virasse uma situação desagradável. Os dois se trancaram, conversaram e ficou decidido que o pai ficaria a semana toda em São Paulo e a mãe cuidaria do escritório em Mairiporã. Foi um ajuste perfeito. O pai só vinha pra casa aos finais de semana e tudo era a mais perfeita harmonia.
Sua amizade com Juliana só crescia. Era como se as duas fossem irmãs. Então decidiram que fariam faculdade em São Paulo. O pai logo se animou. Cada uma ganhou um apartamento, mas logo começou a pandemia. Juliana decidiu fechar o apartamento dela e fazer isolamento com os pais. Laila estava em início de namoro com John e os dois decidiram por fazer isolamento juntos.
Ficaram um ano afastadas, depois as aulas começaram semi presencial, Juliana voltou e os três passaram a fazer tudo juntos. Quando os pais de Juliana morreram, John deu um grande suporte para as duas e Laila ficou feliz ao extremo por poder estar perto da amiga nesse momento.
Não conhecia uma vida sem Juliana, nem imagina o que faria sem ela. Quando John terminou o namoro, tinha Juliana pra se consolar, ser seu porto seguro! Mesmo casada, envolvida com Alejandro e os projetos e todos os problemas que enfrentou, Ju estava lá pra ela.
Principalmente para lhe dar uma nova perspectiva de vida, quando lhe arranjou um emprego tirando da ociosidade e claro, lhe apresentou Leandro...
Leandro. Era um sopro de alegria na vida de Laila e ela nem sabe dizer como ou porque se apaixonou tão rápido. Quando teve que conviver com a traição de John, se prometeu que nunca mais deixaria um homem se aproximar dela, mas quando precisou conviver com Leandro, sendo a segunda ponta do "time B" como Leandro os chamava, mudou seu pensamento.
_ Quando Juliana me contou que eu ia trabalhar com uma amiga dela nessa luta contra Eleanor e aquele safado, não imaginei que seria uma mulher tão linda!
_ Você não venha com galanteios pra cima de mim, que sei muito bem que está com orgulho ferido porque Juliana não te quis!
_ Não tive nada com Juliana. Não saio com mulheres casadas. Principalmente se o marido delas for meu chefe e tiver um gancho de direita pesado feito a mordida de um Pitbull.
Laila desatou a rir do jeito que ele falou. Juliana tinha razão! Ele era uma pessoa muito de bem com a vida, muito alto astral. Era gostoso estar perto dele.
Conforme foram passando os dias, ele foi encantando ela de tal forma, que estava ficando difícil resistir. Na verdade, Laila nem sabe se queria resistir. Mas tinha! Juliana lhe deu uma missão e ela estava gostando muito do seu primeiro emprego.
Leandro era o homem de confiança pra eles resolverem todos os problemas em torno da vida da amiga. E Juliana confiava sua vida a Laila, ela não podia deixar uma paixonite agora atrapalhar tudo. Sem contar que Leandro era ligeiramente seu superior em seu primeiro emprego e além de clichê, era de péssimo tom se envolver com ele.
Um n***o lindo, cheiroso, piadista, bem humorado, galanteador, dono de um sorriso perfeito e mãos enormes, que faziam Laila imaginar ele segurando em todos os lugares do seu corpo...