Filipe | Terror
O inimigo vem pra te tentar de qualquer jeito, e as vezes em forma de mulher debochada. Essa doutora aí, nem tamanho tem pra ficar me peitando e tá nessa.
Te falar que tô entre a cruz e espada, n**o não acredita. Pensei que estaria morto uma hora dessas, mas Deus gosta desse filho aqui na terra, e eu tenho muita coisa pra fazer ainda.
Olhei ao redor daquela sala toda branca que já me dava agonia, as algemas apertando meu pulso me dava vontade de socar qualquer um que entrasse por aquela porta.
A dor no peito que dava ao respirar fundo, me fazia ficar com mais ódio ainda por estar aqui nessa cama de hospital. Os cana aguardando minha recuperação no corredor, como se eu fosse o maior bandido do Rio de Janeiro.
A real é que eles já estavam doidos pra colocarem as mãos em mim há muito tempo, agora que conseguiram não vão ter paz enquanto não me enfiar naquela selva de pedra.
Só que enquanto eles estão indo, eu já fui e voltei duas vezes.
Eu já nem distinguir o que é dia ou noite, dormir aqui é quase impossível, já que esses filhos da p**a ficam o tempo todo no corredor contando vantagem em ter me pego.
A porta foi aberta e o perfume doce elaxou o ambiente fazendo meu estômago revirar. Era a doutora abusada.
— bom dia! — passou por mim com aquele cheiro de quem havia acabado de sair do banho. — menos estressado hoje?
— Meu estresse só vai embora quando eu conseguir sair daqui. — olhei pra ela que me encarava e revirou os olhos — e tu não tá colaborando com esse perfume insuportável.
— Hoje é mais um dia daqueles em que eu penso se eu realmente preciso desse emprego. - se aproximou de mim com aquela bandeja de metal e aquela fita do c*****o que grudava feito super bond — Meu perfume não é pra te agradar, é bom que saiba disso.
— Tu é abusada pra c*****o, doutora. — ela negou com a cabeça levantando minha camisa — Tiro essa tua marra em dois tempos.
— Me poupe de suas ameaças, Filipe. Eu não tenho medo de você. — mas deveria, pensei — então deixa eu fazer meu trabalho em paz que logo você não sente mais meu perfume insuportável.
Ela me olhava dentro dos olhos naquela imensidão verde, aquele cabelão cacheado solto. Até que é bonitinha essa p***a.
—Quando eu sair daqui, quero que tu cuide de mim até essa p***a melhorar — ela parou o curativo na hora e me olhou.
— Vem cá, tu é sempre tão mandão assim? — largou a bandeja em cima da mesinha ao lado da cama e colocou as duas mãos na cintura como uma criança irritada eu sorri de lado. — Eu não trabalho para você, então para de me dar ordens.
— Tu fica irritada atoa, doutora.
— E você tira a sanidade mental de qualquer pessoa. — bufou abaixando minha blusa — já terminei aqui, quando eu voltar amanhã, espero que já tenha sido preso.
— Tu mais que ninguém, sabe que isso não vai acontecer. — levantei meu corpo ainda com as mãos algemas e fiquei cara a cara com ela sentindo sua respiração em meu rosto — E eu ainda vou lembrar de tu, e vim aqui cobrar pessoalmente.
— Eu não te devo nada, se enxerga. — deu de costas saindo do quarto.
Eu ri da cena, perdeu a postura rapidinho com poucas palavras, debochada e linda pra c*****o.
Já tava doido pra sair dessa p***a, namoral mesmo.
Ouvi o barulho da janela sendo aberta por fora e Nino rindo sozinha.
— E aí, filho da p**a. — fez o toque em minha mão algemada e já logo tirou do meu pulso — Achei que tu tinha ido de vala.
— Demorou pra c*****o. — passei a mão pelo pulso que já estava marcado e doendo pra p***a — Tu veio com quem?
— Lica tá no toque da nave. — tentei levantar e meu peito doendo abessa pra respirar — Consegue pular? — se referiu a janela e eu afirmei com a cabeça, uma p***a que eu conseguia. m*l respirava — Bora mano, daqui a pouco os cana entra aqui!
Pulei primeiro que ele e faltou pouco meu coração sair pela boca, dor do inferno, namoral mesmo.
Ele passou um casaco para mim e coloquei jogando a toca no cabeça, com esse cabelo verde qualquer um me reconhece de longe. Já que os canas tiveram o prazer que avisar todas as imprensas que havia me pegado. p*u no cu do c*****o, pra me prender tem que ter disposição em dobro, quero ver tentar agora.
Caminhei até o carro e a movimentação da rua estava grande, de longe avistei alguns repórteres em frente ao hospital, só esperando minha saída para penitenciária.
Ri negando com a cabeça e entrando no carro, uma hora dessas eles já perceberam que eu não estava la mais.
— Tu me enfiar em cada uma, qual foi terror? Tá até de marola. — Lica ligou o carro saindo dali, mais nova que eu e ainda tenta me dar lição de moral. — Vacilão do c*****o.
— Vai se fuder, po. Pedi pra tu vim aqui não, agora vai ficar nessa? — debochada, um tapa no pé do ouvido e ela se orienta. — Coé Nino, depois que tu volte pra buscar a doutora.
— Que doutora? Tá doidão?
— Rayssa o nome dela, pega ela aqui e leva lá pro meu barraco. — Ele me olhou negando com a cabeça e franzido a testa. — Ela tem que cuidar dessa p***a aqui, ainda tá doendo só de respirar.
— Ela é médica ou enfermeira? — Perguntou acendendo o Beck e rolando pra mim.
— Sei lá, pra mim é tudo a mesma coisa. — dei um trago de leve no baseado e soltei a fumaça na mesma harmonia.
- Renata vai surtar com outra mulher lá. — Lica falou enquanto olhava a pista e eu observei uma movimentação de viaturas logo atrás do carro.
— Vai surtar atoa, e com ela é poucas ideias! — falei por fim, cansado de mulher surtada, tenho paciência com essa p***a mais não. Já deu o que tinha que da.