Os trovões ribombaram no céu, como se fios de fogo cortassem as nuvens negras e atingissem as árvores com uma língua serpentina de chamas. A luz brilhou através do vidro da janela, lançando sombras no quarto escuro. Ao abrir os olhos, o clarão azul os atingiu como um soco. Estavam embaçados; piscou algumas vezes até que as coisas se tornassem nítidas. Deitado na cama, sentiu a preguiça matinal se apoderar dele, como se cada nervo estivesse liquefeito. Não tinha vontade de se levantar; então, outra explosão iluminou o céu. Sua cabeça latejava. Sentiu uma terrível dor de cabeça, como se estivesse usando um capacete de ferro que apertava seu crânio a cada piscar de olhos. Passou a mão sobre o cabelo molhado de suor e sentiu os dedos grudarem nos fios. Sua mão estava dolorida. Talvez tivesse

