Dois anos depois...
— Está pronto, Sr. Alfonso?
— Sim, podemos ir agora Daniel.
Já se passaram dois anos desde que Alfonso entrou no internato, ele passou um tempo na biblioteca, em grupos de estudo, em seu próprio quarto desfrutando da solidão à sua maneira. Ele teve tempo de terminar os livros que deixou pendentes. Ele não teve que fingir um sorriso por mais de quatro horas. As aulas têm sido calmas e divertidas.
Se dependesse dele, ficaria cinco anos seguidos e sem pausas, mas também ansiava por sair e rever o mundo que havia deixado, para saber se ele havia parado, se havia avançado ou continuado como sempre . Fez vários amigos, um em particular que acha mais divertido. Francisco Alarcón Durand. O filho de um político que foi enviado para lá para parar de fazer o pai de bobo. Francisco não é como os milionários que sempre o cercaram, exceto Marco e Felipe. Ele é quase uma pessoa normal. Ele come nos restaurantes que quiser. Você não precisa fechar lojas para fazer compras. Eles não fazem um discurso preparado para conhecer garotas. Ele está livre.
Alfonso compreendeu muitas das suas limitações, mas também aprendeu que o poder do dinheiro pode ajudá — lo a sair da prisão por um momento. Agora que tem vinte anos, sente — se mais maduro e pronto para enfrentar o pai e as suas regras rígidas com mais coragem. Porém, acreditar e fazer são duas coisas totalmente diferentes, pela primeira vez em dois anos você o verá cara a cara novamente e só então saberá se pode finalmente recusar algo que ele lhe ordena.
— Bem vindo jovem, que prazer te ver novamente.
— Olá Norma, que bom ver você.
— Vá em frente, sua mãe está esperando por você.
— Obrigado.
Ao pisar em sua casa novamente, você se sente como um estranho invadindo a propriedade de outra pessoa. Cada um dos móveis, as pinturas, as decorações, até as plantas que ele lembrava não estavam mais lá. Tudo mudou.
— Filho, que alegria ter você em casa novamente.
— Olá mãe, que bom estar de volta.
Regina estava esperando por ele na sala rodeada de muitos pacotes que ela abria quando ele chegou. Eles se abraçaram e ela percebeu que Alfonso agora estava bem mais alto que antes e não era mais tão magro, suas feições eram de um menino que estava se tornando adulto. E ela suspirou, olhando nos olhos dele.
— Sente — se filho, hoje seu pai convidou vários amigos dele para te receber, eles estarão aqui em...
— Espere mãe. Não estarei aqui hoje.
— Que?
— Eu disse a eles que ao chegar partiria para a Ilha Aurora. Quero descansar lá por pelo menos uma semana.
— Mas seu pai...
— Meu pai planejou isso sozinho. Você pode dizer que fui lá sem parar aqui.
— Você não vai gostar nada do Alfonso.
— Bem, é hora dele entender que eu também posso tomar decisões e se ele quiser algo deve primeiro discutir comigo.
Regina ficou sem palavras. Ele esperava que seu filho voltasse mudado, mas mais disposto a aceitar o papel que lhe dariam. Estar rodeado de outras crianças com as mesmas ambições o faria reconhecer que sua vida determinada não era um problema, mas uma vantagem. Mas estava claro que Alfonso não tinha mudado a sua maneira de pensar. Ele ainda era o mesmo.
Assim que chegou em casa partiu para a Ilha Aurora.
Ele sentou — se no topo do iate e deixou o sol queimá — lo com força. Fechou os olhos, ouviu o mar e sentiu o cheiro da brisa que tanto sentia falta. Ele tocou música, tomou um livro, uma taça de vinho e aproveitou seu caminho para o paraíso.
Ao chegar foi recebido por Ilda que já havia preparado com antecedência seus sanduíches preferidos, a casa estava como sempre, nada havia mudado ali. Ele ordenou especificamente que o único quarto que não seria alterado em caso de reformas fosse o dele. E assim foi feito. Ao entrar, sentiu — se como aquele garoto de dezoito anos corando pela primeira vez na frente de uma garota. Automaticamente a imagem de Lucía apareceu tão clara em sua cabeça que ele voltou a sentir seus lábios e ouvir sua voz.
Enquanto ele estava aproveitando suas lembranças, seu celular tocou.
BRR BRR BRR
— E?
— Alfonso, onde diabos você está?
— Na Ilha Aurora, por quê?
— O que diabos você está fazendo aí? Hoje devemos ter um jantar importante.
— Eu te informei há um mês que iria sair do internato e vir diretamente para cá, não te avisaram?
— Não me venha com bobagens, Alfonso. Eu lhe disse muito claramente que queria você em casa hoje.
— Fui para casa, conversei com a mãe e depois fui embora. A propósito, não gostei de como eles mudaram isso...
— Alfonso, chega, entre no iate e volte imediatamente, você chegará às oito e...
— Nao irei.
Ele desligou a ligação e desligou o telefone pela primeira vez.