15. A Divina Mulher em Vermelho

869 Palavras
Uma colher de prata batia no cristal da taça de champanhe, os dedos bronzeados que seguravam a taça, carregavam anéis encrustados de pedra preciosas. Seguindo pelo corpo da dona, eu me perdia em devaneios, mesmo a distância, separado por uma dezena de cadeiras, ao menos em minha mente eu poderia devorá-la, contemplando a vastidão de seu corpo dentro daquele vestido. O tecido vermelho, da cor do sangue quente que desce por uma artéria, combinava perfeitamente com a pulsação em meu peito. A euforia que ela me levava chegava a ser enlouquecedor. O tecido que esculpia seu corpo, consistia-se num vestido cintado, com a saia colada aos seus quadris, segurado por duas alças finas. Eu queria rasgar tudo aquilo, sem me importar com a presença de todas aquelas pessoas ali. Seria divino, seria enlouquecedor, porém, para mim, vendo-a me provocar, sim, ela me provocava, meu único desejo era fazê-la ser minha pro horas a fio. — Obrigada a todos por fazerem esse disco se tornar real! — Sua voz doce e sedutora falava ao microfone. — Nada disso seria real sem o trabalho de todos vocês! — Vi que sua atenção veio para mim. — E é claro ao nosso colírio, Carter, que com esses cabelos vermelhos crescidos ganhou os gritos mais altos que uma plateia pode dar! — Hoje teremos o show mais importante para nosso disco. O teatro nacional. E esse mérito é todo nosso! Isabella estava ao meu lado, não estávamos em nossa cidade, não havia litoral ali, apenas prédios, carros e bêbados no meio da rua me sentia um estranho, um matuto de 24 anos de idade. Mas não era a cidade grande que me incomodava, era outra coisa, muito pior do que me senti pequeno diante de titãs de pedra. Era observar Amélia ser guiada por Dantas, ver as mãos dele tocando sua cintura, observar os dedos dele tocando suas costas nuas... aquilo me enfurecia. — Vou fumar um pouco. — Avisei a Isa, em seguida me levantei da mesa e sai. Ainda tinha que carregar aquela mentira ordinária de que eu não gostava de cigarros feitos, pior, havia ganho um pacote de tabaco caríssimo de Dantas, e era a única coisa que tinha dentro do meu bolso para tragar. Eu poderia fumar dentro do salão, mas estava com tanta raiva, que a melhor coisa a fazer seria tomar um ar na varanda. A c***l cidade de São Paulo estava movimentada e iluminada aquela noite. Eu queria ir embora dali, não desejava estar no alto de um prédio tombado, nem se tratado como tesouro nacional. Queria minha casa, a simplicidade do meu apartamento, onde eu poderia ser eu mesmo, não Carter Bennet. Sentei-me no chão, sem me importar se aquilo sujaria a calça de meu terno, não me importava com muitas coisas naquele momento, ainda estava perdido em meus devaneios internos, procurando resposta para a tempestade de sentimentos que emanavam de meu ser. Sendo um homem t**o, eu demorei tempo demais para entender o que significava aquele sentimento tão doloroso, que me corroía, Tra formava-se num ciúme doentio. Eu nunca me incomodei em siar com mulheres que tivessem outro homem, mas apenas imaginar que Amelia dividia sua cama com Dantas, e que seu corpo era beijado, tocado e penetrado por ele, o devaneio tornava-se loucura. — Que diabos está fazendo aqui fora? — A voz dela surgiu de trás, levantei a cabeça lentamente até avistar o rosto de Amelia, em pé no portal da sacada. — Precisava pensar. — No chão? Levante-me. Lembrando que durante todo o mês de novembro, só havíamos transado duas vezes, ou que essa loucura havia começado a quatro meses atras. — O que há entre você e Dantas? Ela sabia de meus olhares, sabia de minha raiva, sabia que eu estava indo procurar seu conforto por entre a spenas de outros. Tomou o cigarro de minha mão, tragou profundamente, vi que estava com os olhos marejados, pensei que seria sincera comigo. — Dantas é algo antigo. — Que tipo de algo? Estamos juntos a quatro meses! E quando estamos perto dos outros me trata como fossemos distantes! — Eu sei! Só... — Engoliu em seco, passou o dedo anelar levemente abaixo do olho verde. — Eu preciso de minhas músicas, de ser dona de tudo o que fiz, e ele é o único que pode me ajudar a tomar o que é meu do Mark. — Quanto tempo a mais, Amelia? — Só mais alguns meses. Eu prometo que... — Alguns meses? Com você fodendö com aquele i****a e eu tendo que suportar isso? Você disse que era minha! Disse isso ontem à noite! No entanto mente, fodendo com o primeiro que pode abrir um bolso cheio de dinheiro igual a uma pu... Ela estapeou meu rosto, uma lagrima solitária desceu de seu olho avelã, fitou-me ardente de raiva. — Eu sofri um aborto! — Virou-se de costas, exigindo que eu não a tocasse — E era seu. Voltou para dentro com uma tempestade em sua face, deixando-me sem reação na sacada, tentando compreender por que ela havia escolhido aquele momento para me dizer aquilo. Sozinho na sacada do prédio mais solitário da cidade c***l, percebi que já era dezembro.
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