King Narrando Entrei na minha sala ainda com o corpo fervendo de raiva e adrenalina. O meu tênis tava cheio de sangue, minhas mãos também. Aquele cheiro forte grudado na pele, na roupa, no ar. Tirei a camisa, joguei no canto, arranquei a calça e fui direto pro banheiro. Liguei o chuveiro no frio, deixei a água cair e escorrer pelo corpo. Vi a água descendo vermelha pelo ralo e senti um nó no estômago. Lavei o rosto, as mãos, os braços, esfreguei até a pele arder. Mas o cheiro do sangue parecia não sair, parecia que tinha entrado dentro de mim. Peguei a garrafa de álcool que ficava em cima da pia, joguei no pescoço, no peito, nas mãos, o ardor queimando a pele, mas era o único jeito de cortar o cheiro. Respirei fundo, encostei na parede e fiquei ali por uns segundos tentando colocar os p

