Precisando de um abraço?

1944 Palavras
Volto pra casa satisfeita por finalizar o dia com ótimas fotos, porem arrasada por ter que aguentar humilhação. O que não é meu forte! Hoje eu só quero deitar em minha cama e chorar. -Ei, Bella, como foi? - Yayá e Lia perguntam, enquanto jantam. -Saíram ótimas fotos. — falo tentando parecer contente, não quero que elas saibam o que aconteceu. Uma pessoa triste ja está bom! — Vou pro quarto, estou morta. - falo dando beijos nas duas e indo para o quarto da minha mãe. -Oi, minha rainha, como foi os exames? - pergunto, a vendo deitada para dormir. -Foi tudo bem, filha. - fala deitada de lado e olhando pra frente quase sem piscar. -Mãe, preciso de um abraço seu hoje. Pode me dar? - peço sentindo o choro na garganta. Notando que me ignora, decido deitar na frente dela, me aconchegando em seus braços. Sinto meu rosto esquentando pelas lagrimas e só o que eu queria agora era me sentir segura, amparada, mas não me sinto. -Não chora minha princesa, isso não adianta. Eu sei! Eu sempre soube! - fala insinuando que sofre e isso acaba comigo. A abraço forte e choro em seus braços, como se com as lagrimas toda a minha angustia também fosse embora. Eu amo a minha família e cuido dela com amor, mas cheguei a conclusão que eu também preciso ser cuidada.  -Eu te amo, mãe! Não deixa essa depressão ser mais forte que nós, lembra que me dizia que não existe sentimento mais forte que o amor? Então se ame, me ame, ame a nossa família. - falo chorando e ela chora comigo sem nada dizer. Ficamos assim abraçadas até Yayá entrar uns minutos depois com um copo de leite para ela e me pegar chorando. -Vou dormir. - falo limpando as lagrimas rapidinho e beijo o rosto da minha irmã, indo pro meu quarto. Deito em minha cama e tudo o que vem acontecendo impregna em minha mente e choro. Choro por ter que aguentar calada, por não ter minha mãe presente, por ve-la sofrendo. Apenas choro. Sinto o peso de tudo em minhas costas e discutir com o diretor foi a gota que faltava em meu copo cheio. Ouço o barulho de mensagem e desbloqueio o celular.  -Ei, minha pequena, boa noite! Leio a mensagem, mas não sei se estou no clima. Apenas olho e não respondo, ainda chorando. -Não quer conversar ? - pergunta vendo que visualizei, mas não respondi. Limpo as lagrimas, que insistem em sair e digito uma resposta para não deixa-lo preocupado. -Boa noite, não estou boa para conversar. - respondo decidida a ignorar o mundo. -Precisando de um abraço? - pergunta e mais lagrimas rolam sem permissão. -Confesso que sim, estou com alguns problema em casa e meu dia não ajudou. - respondo chorando. -O que aconteceu?  -Comecei com o pé esquerdo na campanha nova e chegar em casa, sem ter minha mãe disponível pra um abraço é sempre difícil. - respondo chorando baixinho para a Yayá não ouvir. Escrevo chorando, sentindo tristeza com as lembranças. -Estou acostumada a ser forte pela minha mãe e minha irmã, mas preciso que alguem seja por mim. Estar num abraço, onde não preciso ser forte, ja faz tempo que não sei o que é. - digito chorando, com lágrimas molhando meu rosto. -Quer se encontrar comigo agora? - pergunta e meu coração da um salto acelerado. -Sim, seria muito bom receber seu abraço. - falo sentando na cama. -Ja foi num restaurante que simulam a experiencia de deficientes visuais? - pergunta e fico sem acreditar no que leio. -Não, mas parece que vou ir em um hoje, né? - pergunto incrédula. -Só se quiser.   Penso nas possibilidades ruins que pode acontecer comigo nesse encontro e imagino que ir no restaurante não me oferece perigo. -Sim, eu topo.  -Um carro vai te pegar daqui meia hora. Esteja pronta! Beijo na boca, minha pequena! - fala me fazendo sorrir. -Beijo, meu lindo misterioso! - respondo e vou para o banheiro tentar tirar essa cara de choro. *** Chego em frente ao tal restaurante e faço como o lindo misterioso me informou na mensagem que recebi dentro do carro. Vou até a recepcionista, informando meu nome e sorrindo ela me entrega uma venda preta. Apos colocar a venda em meus olhos, ela pede para que eu a segure pelo braço. Devagar sou levada a uma mesa, enquanto ouço conversas e risadas como num restaurante comum, mas a diferença é que o lugar está completamente escuro, onde não enxergo nem a palma da minha mão. -Ele ja vem. Fique a vontade. A moça fala me colocando em uma cadeira, com um tom de voz simpático e imagino que esteja sorrindo, mas não a vejo, que logo se retira. Incrivelmente quando se tira a visão, todos os outros sentidos se aguçam. Ouço tudo com mais clareza, alem dos perfumes que exalam ao meu redor. Aproveito que estou sozinha e com calma apalpo a mesa para sentir tudo o que tem em cima, notando pratos, talheres, taças e concluo que tudo está igual aos outros, apenas não tem luz. De repente sinto alguém sentar ao meu lado e sei que é o lindo misterioso pelo seu perfume que invade minhas narinas, numa deliciosa lembrança.  Na instrução por mensagens ele pediu que apenas eu falasse, então...  -Posso ter meu abraço agora? - peço sentindo meus lábios tremerem e a voz sair embargada pelo choro. Sinto ele me puxar para seus braços e me envolver num abraço, como se com esse simples ato dissesse que não preciso ser forte. Sentada ao seu lado, encosto meu rosto na curva do seu pescoço e isso é o suficiente para eu não conseguir segurar meu choro. Choro baixinho, sentindo seu aperto no abraço e no momento me sinto a pessoa mais segura desse mundo. É estranho eu chorar com alguém que não conheço e que não diz nada, mas seu abraço me faz sentir especial. -Obrigada, você está sendo muito importante pra mim. - falo depois de um tempo chorando ainda em seus braços. Ele carinhosamente passa as mãos pelos meus cabelos e depois sela um beijo em minha testa, descendo sua boca até encostar na minha. Seu lábios são macios e quentes, com sua língua pedindo passagem e eu cedo. Num gostoso ritmo imaginário, nossas línguas dançam, apreciando uma a outra com o t***o me alcançando.  -Hmm... -ouço seu gemido em meio ao beijo, mostrando que também foi pego pelo desejo. O beijo continua e sinto uma de suas mãos puxarem meus cabelos delicadamente para trás, dando mais passagem para um beijo carinhoso e estou adorando, finalizando com selinhos. -Queria te ver, saber como você é. - falo e ele pega minhas mãos, levando em seu rosto, me fazendo analisa-lo. Aproveito a deixa e analiso com as pontas dos meus dedos, sentindo cada detalhe do seu rosto, que é bem marcado, sentindo a barba por fazer. Subo para seus cabelos e vejo que é curto dos lados e alto em cima, logo descendo minhas mãos para o pescoço. Continuo ofegante até chegar em seu peitoral, sentindo cada respiração que dá e como estamos no escuro, desço minhas mãos pro seu abdome, enfiando-as por debaixo da camisa. Sinto seu abdome definido e estou muito excitada. Subo mais um pouco, ainda por debaixo da camisa, até chegar em seu peitoral, sentindo sua pele sob minhas mãos, onde aprecio sem moderação. -Hmm... que delicia!! -falo e sinto seu peito descer e subir com mais rapidez, notando que está tão ofegante quanto eu. -Amei a embalagem do produto que venho conhecendo aos poucos. -elogio sorrindo de lado. Tiro minhas mãos do seu corpo e aproximo meu rosto do dele, o beijando bem devagar, querendo aproveitar cada segundo. Ficamos sentados entre beijos e carícias, até uma mulher vir e dizer que nosso tempo acabou. Tempo esse que foi o próprio lindo misterioso que estipulou e recebo mais um selinho dele. -Foi muito bom estar com você. Obrigada pelo abraço! - falo e me levanto com ajuda da moça que me espera. A sigo com a mão em seu ombro para fora do restaurante e a agradeço quando a vejo com um sorriso no rosto. Entro no mesmo carro que cheguei e sigo para casa com a experiencia única que acabei de viver guardada em meus pensamentos. -O que achou da experiencia? - ele pergunta por mensagem e ja estou deitada em minha cama. -Uma das melhores experiências que ja tive! Estar num lugar no qual não vejo, apenas sinto, é excitante, ja que aflora todos os sentidos. Por falar em excitante, você está de parabéns, me deixou bastante excitada. - falo sem cerimonias. -Posso dizer o mesmo. Quando passou as mãos no meu abdome, ouvindo sua respiração acelerada, foi difícil me segurar. -fala me aquecendo só de imaginar o que ele poderia fazer comigo. -Se não se segurasse, o que faria? -pergunto ousada, mordendo o lábio inferior. -Posso ser sincero? -pergunta receoso. -Por favor! -respondo ansiosa. -Te chuparia até você gozar em minha boca. -responde e eu fecho os olhos com minha respiração pesada. -Hmm.. minha imaginação brincou com sua imagem agora. -digo sentindo-me molhada. -Está me tentando, me dando ideias do que fazer com você.   Uuiii que calor bateu agora. -Me deixou completamente molhada, se você for bom com a língua assim como é com as palavras, vou esperar ansiosa pra te conhecer. -falo totalmente safadinha.  Uma coisa veio a minha cabeça e preciso falar com ele. -Agora que passou a euforia do nosso encontro, percebi uma coisa. - falo fazendo suspense. -O que seria? Ja me ama? - brinca. -Não seria difícil, mas a verdade é que conheço você, senão, não haveria problema em ouvir sua voz. Antes eu só desconfiava, mas agora tenho certeza. - digito tentando pensar num nome com as mesmas descrições. -Rsrs....Me pegou! - responde e fico ainda mais curiosa. -Putz! Estou mais curiosa agora. Não conheço ninguém com essa personalidade: sincero e sempre objetivo. - digito ainda pensando -Obrigado pelos elogios, mas esqueceu a timidez. -fala e sorrio começando a gostar dessa timidez. -Você tem restrição na hora H? -pergunta e sorrio com a ousada pergunta. -Nenhuma! Desde que não me machuque, vale tudo entre quatro paredes.  O lema é assim: se doer eu paro e se não, continuo. SIMPLES assim! Penso. -Estava pensando, ficaria comigo vendada? - pergunta e quase caio da cama quando leio. -Nunca experimentei, mas aposto que será um prazer! - respondo sorrindo. -Rsrs ...Podemos tentar? Posso te passar instruções como fiz hoje e assim podemos nos encontrar num hotel. O que acha? - pergunta e penso na questão mordendo o lábio inferior. Se o hotel for conhecido é uma segurança a mais. -Penso me decidindo. -Ok, mas o hotel tem que ser bem conhecido. - respondo animada. -Ok! Pode ser amanha? Te passo os detalhes no decorrer do dia. O que acha? - pergunta e estou adorando esse fetiche, misturado a timidez. -Pode sim! Difícil vai ser dormir depois dessa conversa quente.  -Verdade! Vou ficar ansioso pra te ver. - confessa e estou achando uma delicia ele dizer de fato o que pensa. -Eu também! Beijos, meu lindo misterioso. Até amanha! - me despeço sorrindo. -Beijos, minha pequena, até amanha! -Fala. -Foi tão r**m assim?  -Não estou acostumada aceitar desaforos e ofensas gratuitas. Ser obrigada a passar por isso me fez sentir humilhada. Me senti desprotegida, apesar de uma pessoa ter me surpreendido por me defender. - falo e limpo as lagrimas. -Se sentiu humilhada?  -Sim, muito! Apesar de me impor ao diretor pra me defender, acho que não merecia passar por aquilo.
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