Saia

1267 Palavras
Capítulo 38 Lucia Bianchi Strondda Ser esposa do Don tem seus prós e contras. Hoje, mais do que nunca, eu sentia os dois ao mesmo tempo. Lá dentro Vinícius nem me deu atenção, mas sei como funciona. Não posso cobrar isso. Aquele salto estava me matando, então arranquei. O carro cheirava a vinho tinto. Vinícius estava visivelmente embriagado — não tropeçava, mas os olhos denunciavam. Durante quase todo o caminho de volta, ele ficou em silêncio, a mão pesando no volante, o maxilar travado. Eu, ao lado, olhando para a cidade pela janela, fingia não notar. Mas incomodava. Fiquei um tempo antes de abrir a boca: — Aconteceu mais alguma coisa? Você ficou mais sério depois que conversou com seu pai… Ele nem me olhou. — Esquece isso agora. Não quero mais ouvir sobre isso hoje. Engoli em seco. — É que você não me conta nada. Não custa… — Chega. — A voz dele veio baixa, mas afiada. — Io já fiz o que podia. Será que hoje posso só terminar a noite como quero? Não vi vantagem ainda. Revirei os olhos, segurando a bolsa no colo. — Tudo bem. Ele não respondeu. Apenas deslizou a mão pela minha coxa, devagar, e depois por dentro da f***a do vestido. O toque quente contrastava com a frieza na voz: — Hoje só quero a minha mulher. Quero te pegar de jeito. Te ter no nosso quarto. Te f***r até isso que estou sentindo passar. Senti um arrepio e também receio com o jeito dele. — Mas está tão tarde… você bebeu tanto. Ele riu, mas não era um riso leve. — Deu um trabalho do c*****o te deixar continuar sendo minha. Quero meus privilégios, p***a. Não vem inventar motivo pra não ficar comigo, que não vou ouvir. — Eu não disse nada. Não precisa ser grosseiro. A resposta não o acalmou. Ele girou o volante num cavalo de p*u quando chegamos, destruindo parte do gramado sem nem olhar. O carro parou atravessado. O coração me bateu no pescoço. Vinícius abriu a própria porta com violência e depois abriu a minha. Sem esperar, segurou minha cintura e me colocou sobre o capô quente. O metal queimava a pele mesmo sob meu vestido fino. Então me atacou de um jeito feroz. Envolvendo meu corpo no dele. — Só me beija, Lucia. — O olhar dele era de quem implora e ordena ao mesmo tempo. — Me faz esquecer o stress de hoje. Me mostra que consegue me acalmar. Ele me beijou forte. Não foi delicado. Eu correspondi — não por medo, mas porque sabia que ele tinha feito algo grande por mim esta noite. E porque, apesar de tudo, eu também queria aquele beijo. Mas logo senti os dedos dele apertarem demais meus braços, minha cintura e minha b***a. Doía. — Não aperta tanto. — murmurei, entre o beijo. — Não estou conseguindo me controlar, Lucia. Tenho vontade de apertar mais. — Ele segurou meu cabelo expondo mais meu pescoço. Então cheirou e mordeu de leve — c*****o! Você precisa fugir de mim. Abri os olhos, assustada. — Fugir!? Você fez tudo isso pra me pedir pra fugir? Ele me puxou de novo, a boca colada na minha. O beijo vinha quente, faminto, e junto dele eu sentia seu pênis — duro contra o meu corpo — e as mãos apertando demais. Doía de verdade, agora. — Aí. — Não. — A voz dele veio mais baixa, rouca. — Já disse que é minha. Só vai pra outro quarto e me deixe sozinho. Ou posso te machucar… — Machucar? Não… você não me machucou das outras vezes. Me beija meu italiano de olhos verdes. Eu aguento. Ele mordeu o lábio, os olhos escurecidos. — Santo Dio, não sabe o que diz, tentação. Io sou um demônio, ragazza. Estou com aquela vontade insana de destruir. Não tem nada no jardim. Já quebrei tudo ontem… não me deixe te machucar. Mesmo dizendo isso, me puxava mais perto, como se quisesse me esmagar e proteger ao mesmo tempo. Tentava sentir mais do meu cheiro, enquanto seus dedos forçavam a pele do meu braço. — Tem homens lá fora. — falei, tentando segurar o rosto dele com as duas mãos. — Quer que vejam sua mulher ser tocada? Ele parou. Os olhos dele mudaram — de raiva pra outra coisa. Soltou um suspiro, quase um rugido. — Não. Eu vou cuidar de ti. Vem, Lucia. Então me pegou nos braços. Mesmo com a bebida o deixando meio tonto, subiu as escadas rápido. No corredor, a respiração dele era pesada. Me colocou no chão do quarto. — Vai, Lucia. Tranca a porta e não me deixa entrar. Capisce? Segurei o trinco sem força. — Me diz por quê. O que você tem? Ele passou as mãos pelos cabelos, o rosto afundando nelas. — Estou com vontade de te machucar. É isso. Não que eu queira, mas eu sinto. Não vou conseguir controlar hoje. Tenho vontade de apagar a sua mentira com sexo. Não é certo. Meu peito doeu. Eu sentia o quanto ele me desejava, mas também que eu o havia ferido. — Tenta, esquece tudo isso agora. Talvez eu aguente. Ele ergueu os olhos para mim, vermelhos como vinho agora. — Você não entende. Estou com suas palavras guardadas aqui. — Bateu com força no próprio peito — Elas vão voltar outras vezes, eu sei. Deu dois passos. Eu recuei. Ele me empurrou levemente na cama, abrindo minhas pernas com um gesto firme. Passou a mão sobre a calcinha, devagar. — Não me perdoou, não é? — sussurrei. — Mas tudo bem. Estou feliz que me deixou ficar. Prometo que vou te fazer esquecer que já te menti. Ergueu a calcinha de lado, sentindo com os dedos minha área íntima. — Menti pro meu pai por ti ragazza. Vou contar amanhã, mas já sei o que me espera. Isso tá me matando. Tá me deixando louco. Com desejo, um t***o absurdo em ti e ao mesmo tempo... Apertei os olhos. — Me desculpa. Me deixa te acalmar. Faz o que tem vontade comigo. Quero que se sinta melhor. Ao dizer isso, me surpreendi com minha própria voz. Vinícius segurou meu queixo, firme, e me deu um tapa leve no rosto. Não foi forte, mas parecia ter o efeito de um choque — como se ele quisesse acordar a si mesmo ou me mostrar seus desejos. — Gostosa. — murmurou. Eu não tive tempo de pensar em nada porque ele beijou meu rosto todo em seguida, rápido, quase desesperado. Senti meus cabelos serem acariciados e sua mão apertar minha b***a por baixo do vestido. — Tenho vontade de te colocar de quatro e bater na sua b***a. — Senti seu toque suave nos meus s***s. — Tenho vontade de te fazer gemer, de ouvir seus gemidos cada vez mais altos enquanto te fodo. E também tenho vontade... — Veio bem perto da minha boca, me olhando nos olhos — De fazer amor devagar. Enquanto ouço sua respiração e sua voz implorando pra que eu te coma... Virou meu rosto e mordeu meu pescoço, chupando em seguida. — Vinícius... — Sua última chance. — disse, o olhar queimando. — Sai do quarto ou vou perder o juízo, brava. Eu fiquei imóvel. As mãos dele ainda estavam sobre minhas coxas. E, pela primeira vez naquela noite, vi Vinícius não como Don, não como marido, mas como um homem à beira de perder a guerra dentro dele. E eu, ali, precisava decidir: sair e fechar a porta ou ficar e enfrentar o demônio que ele dizia ser.
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