O que eu precisava

1439 Palavras

Capítulo 48 Vinícius Strondda Entro na cozinha com o gosto metálico da adrenalina ainda na boca. O corpo pesa de uma maneira que eu não consigo justificar — como se cada músculo soubesse que ainda não acabou, que há mais a vir. Laura já está no corredor quando eu apareço; os olhos dela são lâminas, firmes, sem concessões. Maicon me aborda com o rádio na mão, o rosto pintado de urgência. — Chamei o João Miguel pra vir imediatamente— diz ele curto. — Já tô indo. A Duda está me esperando. Assinto sem pensar. A visão se afina: o corpo estendido do maledetto no chão, a água secando nas lajotas, o avental de Lucia manchado. Há cheiro de pólvora no ar, e isso me libera algo r**m por dentro — uma atenção afiada que não consigo desligar. Tia Laura me puxa pelo braço, o toque dela é uma âncora

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