Capítulo 65 Don Vinícius Strondda O barulho das botas de Maicon no concreto me dava o ritmo enquanto empurrava a porta do galpão. Ele me esperava encostado num carro sem placa, o rosto iluminado por um sorriso de quem já ganhou a metade da batalha. — Entrou bem — disse, sem cerimônia. — Senta. Tem coisa. Abri a pasta preta que ele me estendeu como quem mostra um troféu: grossa, com documentos, carimbos, fotos antigas, um passaporte. Maicon tinha a calma de quem sabe o peso do papel na guerra; uma assinatura convincente vale mais que dez soldados. — Os documentos oficiais de Lucia. — Afirmei. — Matei o homem que fez a documentação antiga — falou seco, sem olhar pra mim. — E a mulher que indicou. Limpeza feita. Não fico com lixo solto. — Ótimo — respondi. — Tira as digitais do cheiro.

