Capitulo 47

1044 Palavras

Assim que a barca cruzou a barreira física da Rocinha, o ar mudou. Não era apenas o cheiro de umidade e asfalto quente; era o peso da tensão que emanava dos becos. O Menor, no banco do motorista, não me deu nem um segundo para recuperar o fôlego. O clima dentro da boca era um barril de pólvora pronto para explodir; os vapores tavam circulando de um lado para o outro com fuzis em punho, o rádio não parava de chiar com os alertas frenéticos da inteligência do morro sobre a movimentação atípica da milícia nas bordas do território. Desci do Corolla sentindo cada fibra da minha musculatura abdominal protestar, um latejar contínuo e c***l vindo da ferida que ainda estava fresca sob a compressa. O suor frio, aquela marca do pós-trauma, insistia em grudar na minha pele por baixo da camisa social

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