O gongo da Lona Preta ecoou dentro daquele galpão imundo igual a um trovão solitário avisando que a tempestade de sangue ia desabar. O som seco do metal batendo contra o metal vibrou direto nos meus ossos, e naquele exato milésimo de segundo, o mundo lá fora deixou de existir por completo. A minha mente blindou. Não tinha mais morro da Rocinha, não tinha mais plantão de boca de fumo, não tinha mais rádio chiando na orelha e não tinha mais a foto da Maya na estante. Ali dentro daquele octógono de ferro enferrujado, o universo se resumia a duas coisas: a minha fúria psicopata, o infeliz que tava parado na minha frente tremendo a base, e o cheiro doce e metálico de sangue fresco que muito em breve ia transformar aquela lona podre num verdadeiro abatedouro. Meu adversário da noite era um brut

