Narado Olívia O trajeto da Niemeyer até o Leblon foi feito no mais absoluto e gélido silêncio. O ar-condicionado do meu sedã trabalhava na potência máxima, resfriando não apenas o ar ao meu redor, mas congelando qualquer resquício de humanidade e vulnerabilidade que houvesse ameaçado transbordar lá em São Conrado. A cada quilômetro que me afastava da minha mãe e dos delírios dela, a Dra. Olívia Villar reassumia o controle integral da própria mente. O salto alto da minha bota Prada ecoou no mármore do saguão do edifício comercial com a precisão de um metrônomo militar. Cada passo era uma afirmação de poder. Uma negação veemente do caos que tentava me engolir. O décimo andar cheirava a lavanda, café expresso recém-passado e dinheiro antigo. A recepção da minha clínica era um oásis de sofi

