Capítulo 76

983 Palavras

TRÊS DIAS DEPOIS. OLÍVIA O relógio digital espelhado na parede do meu banheiro, no Leblon, parecia zombar da minha cara com seus números vermelhos. Eram 12:30. Eu estava parada diante da pia de mármore branco, segurando a escova de dentes elétrica com tanta força que os nós dos meus dedos estavam brancos, quase sem circulação. A água da torneira corria, desperdiçada, enquanto eu encarava o meu próprio reflexo com um ódio que eu m*l conseguia engolir. Os meus lábios. Eles ainda formigavam. Era uma memória física insuportável, um registro fantasma daquele beijo bruto, daquela invasão animalesca que deveria ter sido categorizada pelo meu cérebro como uma agressão, um erro clínico grotesco, um sinal vermelho. Mas não foi. E era exatamente isso que estava me destruindo por dentro. A raiva q

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