Capítulo 23

1274 Palavras

A resposta para essa curiosidade fútil não está escrita em nenhum dos tratados complexos de psiquiatria ou nos manuais de diagnóstico que preenchem as prateleiras de mogno do meu escritório. A resposta repousa, pesada e inerte, nas memórias sombrias que eu fui obrigada a enterrar, pavimentar e selar sob grossas camadas de racionalidade científica e de uma frieza emocional que assusta até a mim mesma. Eu sou a única filha biológica de Heitor Villar. Para o Brasil inteiro, para a mídia corporativa, para os colunistas sociais e para a nossa sociedade intrinsecamente hipócrita que venera o dinheiro acima de Deus, ele era uma lenda viva. Heitor era o magnata imbatível das finanças, o gênio do mercado de capitais, o homem de cabelos grisalhos e sorriso cativante e acolhedor que figurava com fr

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