Confusão.

1673 Palavras
Késsia. Hoje decidi que iria treinar um pouco, Enrico ainda estava sendo treinado pela minha mãe, lutaria com ele hoje para saber como está seu desempenho. Ele estava mais bonito agora, corpo forte, a real representação da tentação, mas não pra mim, quer dizer ele é bonito, eu é que não tenho interesse. No começo eu estava preocupada que ele não conseguisse aguentar, mas ele estava indo muito bem, não tinha fraquejado e nem pensado em desistir, isso já era mais que o suficiente. Os dois estavam na academia, ali também tinha um ringue, quando meu pai planejou ter uma academia em casa, ele pensou em tudo, ainda bem --- Cansado demais Enrico? --- Ne... Nem um pouco. --- Não é o que tá parecendo. Ele estava quase sem fôlego, respirava irregularmente, até as palavras saiam com dificuldade. --- Bom, se não está, lute comigo. --- Não pega leve. Minha mãe falou logo depois de sair do ringue, ficamos nós dois olhando um pro outro, como dois inimigos que iriam se enfrentar, eu estava levando a sério. Enrico estava bom nos golpes, mas não era melhor que eu, as vezes ele se defendia bem, em outras, os golpes o acertava em cheio. Depois de um tempo lutando ele caiu no chão, a exaustão dele era tamanha, parecia que tinha passado dias sem descanso, dá até pra entender, minha mãe não é nada delicada. Entreguei uma garrafa de água pra ele, que bebeu em menos de um minuto. --- Consegue aguentar? --- Claro que sim, sua mãe disse que estou evoluindo, se eu desistir agora, vai ter sido perca de tempo pra ela. --- Está certo. Ainda deseja ir até o final só pra poder matar eles? Ele ficou pensativo, eu toquei no ponto certo. Enrico tinha vindo até mim para que fosse treinado, e assim poderia matar todos que fizeram ele sofrer, era somente esse o motivo, só que ele estava errado. Se ele estivesse treinando só pra poder matar todos que faziam bullying com ele no passado, do que todo esse treinamento adiantaria? E depois que ele matasse todo mundo, o que ia acontecer com todos os meses que passou se esforçando para ficar mais forte? Seria uma perca de tempo tanto pra ele, quanto pra minha mãe e também pra mim, se ele dissesse que continuaria treinando somente pra que pudesse matar eles, eu acabaria com o treinamento hoje mesmo, sem enrolação. --- Não quero ir até o final só pra poder matar eles, sua mãe disse que posso trabalhar com a família de vocês, seu irmão tem uma máfia e seu primo tem outra, quero entrar nesse mundo. --- Tem certeza que não vai se arrepender dessa escolha? Sabe que não há volta não é mesmo? --- Não vou me arrepender. Ele parecia estar certo da decisão que tinha tomado, então deixei pra lá, se ele não iria se arrepender da escolha que estava fazendo isso já me deixava tranquila. Depois de treinar mais um pouco com Enrico eu subi para o quarto. Tomei um banho e desci pra sala, tinha um bom tempo que as crianças não brincavam comigo, os dois depois que meus pais chegaram me esqueceram completamente. Meu pai estava com eles na sala, fiquei em frente a eles de braços cruzados, os dois olharam pra mim sem entender. --- Bonito né? --- O que titia? --- Esqueceram assim tão facilmente da minha existência, só foi o pai de vocês dá atenção e meus pais chegarem que facinho me deixaram de lado né? --- Não foi mamãe. --- Foi a senhora que brincou com a gente primeiro, não podemos esquecer isso tia. E eu podia brigar com essas duas pecinhas falando comigo assim com tanto carinho? Só deixei tudo que tinha pra falar de lado e abracei os dois. Abracei os dois e distribui beijos, soltavam cada gargalhada gostosa, sabe aquela sensação de satisfação? De querer apertar alguém tanto, até explodir? Eu tava sentindo aquilo, mas não tinha como eu aperta essas fofura tão forte assim. Ficamos os quatro fazendo bagunça na sala, minha mãe que lute pra organizar depois, agora que ela estava em casa, volta e meia eu fugia da arrumação e limpeza da casa. E falando nela a mesma apareceu na sala. --- Depois a bagunça sobra pra escrava aqui. --- Sem drama mãe, tá velha demais. --- Velha é sua vó garota abusada. --- Ela também. --- Lívia organizou um jantar na casa dela, vamos lá mais tarde. --- Melissa vai tá lá? --- Esperamos que todos compareçam. Eu ia aproveitar e conversar com ela, nós duas ainda não tínhamos tido uma conversa, ela não veio aqui, e eu não fui lá, todas as mensagens e ligações minhas ela recusou. Eu não fazia idéia do que estava acontecendo com ela. --- Mas o por quê do jantar? --- Faz tempo que a família não se reúne, já que tá todo mundo, melhor hora pra se reunir. A mãe e a tia Lívia sempre dava um jeito de reunir todo mundo, quase sempre elas organizavam jantar, aniversário, e tudo mais, só para que toda família estivesse presente, eram duas velhas realmente. Eu sempre dizia que isso fazia as duas parecerem mais velhas ainda, e a resposta delas era me mandar ficar de bico fechado. --- Vou com seu pai agora a tarde, levamos as crianças, você fica pra ir com o Thomas quando ele chegar. --- De boa. --- Fala direito garota, sou sua mãe e não sua parceira. Ela disse isso seguido de um tapa na cabeça, pena que isso não funcionava pra me fazer parar de falar desse jeito com ela. Na verdade isso nem era desrespeito, eu só estava acostumada a falar assim, mas minha mãe sim levava como desrespeito a figura dela. Por isso as consequência sempre era um tapa na cabeça, já já eu ia estar com a cabeça grande e de tanto ela estapear. Depois do almoço eu dei um banho nas crianças e organizei roupinhas deles na mochila pra irem com a mãe, eu ficaria sozinha, aproveitar pra apreciar um pouquinho meu silêncio e paz. Eles saíram no carro da mãe e eu entrei, fui olhar meus e-mails, tinham alguns trabalhos encomendados, mas por enquanto eu não poderia fazer nada, não enquanto eu e Melissa estarmos nessa situação. Fui assistir uma série, Thomas provavelmente demoraria, eu tinha que procurar fazer algo pra ocupar meu tempo. Ele tinha saído logo cedo, parece que ele e Levi tinha algumas coisas para resolver, a maior parte do tempo eles trabalhavam de casa, mas tinha vezes que os dois tinham que resolver os problemas pessoalmente. Se eles tivessem um segundo chefe, seria ainda mais raro eles saírem, só que Oliver não dava conta sozinho. Quando o terceiro episódio estava terminando ele apareceu, expressão de cansado, cabelo bagunçado, camisa social um pouco aberta e com as mangas no antebraço, na moral, eu acho que babei, por que ele riu de mim. --- Gosta do que vê Késsia? --- Parece bom, não dá pra ter certeza se não analiso o produto por completo. --- Quer ver mais de perto o produto? Por Deus, o d***o estava me tentando, ele falou aquilo com uma cara de safado, e eu quase sedi, mas me sustentei. O que pareceu foi que depois de ele perceber o que falou, sentiu vergonha. --- Seja rápido no banho, já estamos atrasados. Eu subi pro quarto correndo, soltei todo o fôlego que nem percebi ter segurado todo esse tempo, aquele homem iria me enlouquecer, eu não deveria cair na tentação. Vesti uma roupa apresentável, nada tão glamouroso, nem tão simples, eu estava mediana, uma gata, eu ficava gostosa até em um saco de batata. Thomas já me esperava dentro do carro, só entrei e ele deu partida pra casa da tia Lívia. Todos da família já estavam ali, só faltava nós dois, e uma coisa que percebi assim que entrei foi o olhar de deboche da Melissa, mas que p***a essa mina pensa que tá fazendo? Eu odiava concordar com minha mãe, mas agora eu bateria nela. --- Algo em mim que não seja do seu agrado Melissa? --- Você toda, tão falsa que me enoja. Puta que pariu, eu aguentava alguém me insultar de qualquer coisa, agora falsa? Demais pra mim. Avancei nela como uma onça mesmo, foi só soco atrás de soco, e não era só eu que dava não, tava recebendo também, mas que se f**a, minha vontade era arregaçar a cara dessa garota. Tantos anos de amizade e chamando ela de irmã, pra agora ela vim me chamar de falsa? O que merda ela tem na cabeça? Eu não parei um só segundo, fui dando golpe atrás de golpe, a briga só pararia quando eu ou ela estivesse bem machucada. Eu não queria estar brigando com a Melissa, era a minha irmã, a única amiga que eu tinha era ela, sempre tratei ela bem, fiz de tudo por ela, não que eu me arrependa, mas ouvir ela me chamar de falsa foi a gota d'água. Eu ainda não entendi por que ela tá fazendo tudo isso, até onde me lembro não fiz nada de errado. O último golpe veio, ela me jogou em cima da mesinha de vidro, me pegou desprevenida, a mesa se estraçalhou, e cacos de vidro perfuraram algumas partes do meu corpo, foi nessa hora que o pai dela a segurou. Naquele momento só pensei em chorar, nenhum daqueles machucados estavam doendo, o que doía realmente era ver a única pessoa que achei que nunca me deixaria ali, olhando pra mim com tanto desprezo, como se eu fosse um saco de lixo. Eu era mais filha da p**a ainda por tá chorando por causa disso, mas não pude evitar, as lágrimas desceram sem aviso, pior ainda era não saber o por que disso tudo. Foram muitos anos da minha vida convivendo com a Melissa, e apesar de ela ser mais nova que eu, nunca tratei ela com diferença. O estrago já estava feito.
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