Conversas.

1883 Palavras
Thomas. Eu nunca pensei que a Késsia poderia ser uma assassina de aluguel, ela fingia e escondia tão bem que ninguém desconfiou, a Melissa então, Levi quase deixou o queixo ir ao chão. Ter que ver ela machucada doeu, eu já tive muitos ferimentos no treinamento, e depois de assumir a máfia também, mas ver ela machucada doeu mais que todos os machucados que já ganhei. Agora eu tô mais determinado que nunca a conquistar ela, tenho meu aliado, foi ele quem me disse do que a Késsia gostava agora, essa pessoa não poderia ser ninguém além do Theo, meu filho é uma criança esperta. O gosto dela realmente tinha mudado completamente, lembro que quando pequena eu dava doce escondido pra ela, a mamãe não gostava de ver ela comendo doce o tempo todo e se ela me pedisse eu não conseguia negar. Ainda não entendo bem por que ela está treinando aquele cara, não existe só ela no mundo que saiba lutar, atirar ou esses tipos de coisas, qual era a dificuldade de ele pedir isso a outro cara? Agora vou ter que passar dias de mau humor, ele vai passar com a Késsia mais tempo que eu. Eu já tinha falado com a Késsia sobre conquistar ela, e falei também o que sentia, mas agora eu precisava falar com meus pais, eu tinha adiado isso por muito tempo, somente por covardia minha, agora eu tinha que falar a verdade. As crianças estavam com a Késsia na sala assistindo desenho, era o melhor momento pra falar com meus pais, mas eles estavam treinando o tal Enrico, eu tinha que esperar, e assim ia me acalmando também. Falar com meus pais era um passo importante, foram eles que me criaram, me deram amor, mesmo que eu não tenha valorizado ainda assim eles fizeram muito por mim, seria desrespeito da minha parte se não contasse a eles exatamente o que estava acontecendo. Oliver apareceu mais uma vez, ele sempre aparecia sem ser convidado e sem nem avisar, era típico dele coisas desse tipo. --- Tá com cara de nervoso, vai falar com seus pais hoje? --- Criando coragem ainda. --- Você fala do Levi mais é pior que ele. --- E aliás onde ele está? Não veio aqui hoje, que milagre. --- Deve tá em casa arrancando os cabelos pelo que descobriu sobre a Melissa, ela parecia santa demais, na cabeça dele ela nunca seria capaz de uma coisa dessas. --- Também ficou surpreso? --- Surpreso não é bem a palavra, na verdade eu desconfiava que todo silêncio das duas significava coisa grande, e que coisa. --- Elas conseguem esconder bem. --- Demais, tantos anos e ninguém desconfiou que eram elas, nem mesmo seu pai que convivia o tempo todo com a Kess. --- Kess? --- Tô me tornando da família agora. Joguei uma pilha de papéis em cima dele, ousado demais pro meu gosto, nem eu chamo ela de Kess, por que ele pode chamar? Isso tá errado demais. --- Veio fazer o que aqui? Só me atormentar. --- Verdade, temos uma festa para comparecer, precisam de acompanhantes, regra do velho. --- Tá certo. --- Vou indo, para de ser frouxo e resolve logo seu problema mané. Esse cara só me dá trabalho, não sei como diabos fui me tornar amigo desse ser humano, talvez eu estivesse desesperado demais pra ter um amigo, ou algo do tipo. Enrico já tinha ido embora, mas eu ainda tava tentando criar coragem pra falar com meus pais, como Oliver disse eu era pior que Levi. Já era muito tarde, Késsia já devia está dormindo com as crianças, meus pais estavam sentados no sofá assistindo alguma coisa, os dois pareciam saber que eu queria falar algo. --- Deixa de enrolação e fala logo, tô precisando dormir pô. --- Quieto Felipe, deixa meu filho falar. A mãe nunca ficava pra trás, era de se imaginar que ela já soubesse o que eu tinha pra falar. --- Senta aqui filho. Sentei no sofá ao lado dos dois, meu coração tava acelerado e eu estava nervoso, muito nervoso. --- Eu... Dei uma pausa, respirei bem fundo, aquilo tava sendo mais difícil que quando me declarei pra Késsia. --- Eu me apaixonei pela Késsia. Os dois não disseram nada, só estavam esperando eu dizer algo mais, só que não tinha mais o que dizer, eu só contaria que me apaixonei por ela, era só isso, será que eles esperavam mais? --- E daí moleque? Acha que nós não sabe? --- Vocês já sabem? --- Desde quando se afastou de nós filho, por que mais se afastaria se não por vergonha de ter se apaixonado pela sua irmã de criação? --- Não estão com raiva de mim? --- Vocês não são irmãos Thomas, podem se apaixonar se quiserem, contando que os dois sejam felizes é só isso que importa. Acho que eu tinha algum problema, toda situação pequena que eu precisava enfrentar eu tratava como se fosse um tsunami, sendo que não passava de meros pingos de chuva, eu era i****a demais. No fim era só isso, eu passei anos sendo covarde, me afastei dos meus pais e não valorizei eles por besteira minha. Levi. Descobrir que minha diaba loira era uma assassina de aluguel foi um baque, sem preconceito, na verdade é que nunca em toda minha existência passou por minha cabeça que ela poderia ser uma assassina. Nada tirava da minha mente que ela era uma assassina, eu queria ir lá visitar a Mel e procurar entender tudo isso, mas minha coragem tava pouca, e o pior que aquilo não saia da minha cabeça por nada, hoje já tentei fazer exercícios, trabalhar sem parar, até mesmo tentar ajudar minha mãe a cozinhar eu tentei, mas isso não sai da minha cabeça de jeito nenhum, minha mãe já estava dando nos nervos em me ver andando de um lado pro outro sem sossego. --- Já chega Levi, ou você vai na casa da Melissa por conta própria ou eu coloco você em um saco e arrasto até lá. --- A senhora não teria coragem de fazer isso mãe. --- Confia, sua mãe é maluca, é bom tu ouvir ela. Não deu tempo nem de responder meu pai, minha mãe me arrastou pra fora e trancou a porta me deixando ali, agora ou eu ia lá ou dormia aqui fora, nem com dinheiro eu saí, estava ferrado, o empurrão que minha mãe deu pra que eu tivesse coragem foi bem grande. Peguei meu carro, eu tinha que ir, já estava ali mesmo, ia tirar todas as minhas dúvidas, na verdade eu nem sei se ela me explicaria realmente, já que nós dois não tínhamos nada, era direito dela escolher dizer ou não. Parei com o carro na frente da casa dela e a coragem pra entrar tava pouca, não sei se era sorte ou azar, mas ela estava ali fora sentada em frente ao portão. Eu estava tendo a oportunidade de ir lá e conversar com ela, nada de difícil, mas estava tremendo, nunca tremi tanto em toda minha vida, ficar perto dela me deixava nervoso. Sai do carro e andei devagar até ela, me sentei junto com ela, não disse nada por que não sabia ainda o que iria dizer, minha mente ainda não tinha formulado uma frase. --- Veio aqui a essa hora por que? Eu não poderia deixar ela falar sozinha né? Já que ela me perguntou eu deveria responder, mas ainda assim demorei um pouco a falar alguma coisa. --- Precisava conversar com você. --- Sobre ontem, eu imagino. A imaginação dela não estava totalmente errada, mas também não estava completamente certa, na verdade eu não estava ali especificamente pra falar do dia anterior. --- Não vim falar em específico sobre ontem. --- Pode falar então. Eu passei o dia inteirinho martelando minha cabeça, tava cheio de dúvidas e perguntas a ser respondidas mas naquele momento eu não consegui raciocinar quando olhei bem o rosto dela e notei a tristeza em seus olhos, eu poderia ser um frouxo e não ver ela todos os dias mas eu a conhecia bem. --- Está triste, por que? --- Tantos motivos, por onde devo começar? --- Do começo, mas espera, aqui fora tá frio, vamos conversar no carro. Bom eu não era de todo um pervertido, só queria levar ela pra o carro realmente por que tava frio, naquele momento eu não tinha segundas intenções com ela. Entramos no carro, ela respirou fundo procurando em sua mente por onde começar a falar, eu não me importaria em passar a noite toda ali, eu só queria saber o que incomodava ela e tentar ajudar. --- Os meus pais não gostaram de saber que ganho dinheiro pra matar pessoas, falaram que é perigoso demais, que posso ter muito inimigos, não disseram com todas as letras que querem que eu desista disso, mas é exatamente isso que eles querem. --- Tentou conversar com eles? --- Nunca deu muito certo, quando eles falam assim comigo, eu só perco as palavras, nunca disse nada quando eles me repreendiam. Era complicado, eu não poderia ajudar muito ela, na verdade só ela poderia se ajudar, e o primeiro passo seria criar coragem pra ter uma conversa franca com eles. --- Por que não faz uma tentativa? A conversa resolve a maioria dos problemas. --- Eu sei que sim, mas não consigo, eu fico nervosa começo a tremer, as palavras não saem, as mãos soam. --- Infelizmente esse problema só você pode resolver, nós dois sabemos que na cabeça deles você só é uma garota e precisa ficar segura, é filha única, claro que eles vão ativar o modo super proteção, mas precisa ser sincera, com você e com eles. Ela não parecia ser sincera consigo mesma, escondia tudo e acreditava em coisas que duvidava, como ela poderia ser capaz de conversar com eles se não tivesse confiança em si mesma? --- Só você sabe o que se passa na sua cabeça, ninguém mais pode te dizer como agir ou o que fazer, nem mesmo seus pais, eles podem te aconselhar, mas não te impedir de fazer o que tem vontade. --- Parece tão fácil ouvir você falando, mas a realidade é diferente. --- Por que escolheu ser assassina? --- Eu gosto, me sinto eu mesma, é libertador, aquela parece ser a real eu. --- Se você gosta realmente de fazer isso, com certeza vai consegui te uma conversa com os dois, confie em você, se conheça, mostre a eles que não é uma criança e pode se responsabilizar por todas as suas escolhas, sejam elas boas ou ruins. Ela sorriu, e aquele sorriso quase me matou, não sei como ela fazia isso mas vezes ela era um demônio e em outras vezes parecia um anjo, ela fazia isso muito bem. Eu realmente não sei em que parte do meu cérebro estava escondida tantas palavras, consegui confortar ela e falar as coisas certas, e agora entendi. Eu não gosto de vê-la pra baixo, triste, machucada, tudo isso me empurra, me faz querer cuidar dela e falar coisas pra confortar seu coração, meu extinto de protetor era ativado quando ela não estava bem. Eu daria um grande beijo na dona Lívia quando chegasse em casa, aquela mulher é uma deusa.
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