Declaração.

2514 Palavras
Késsia. Minha noite de sono foi ótima, quer dizer madrugada, dormir muito bem, e até estranhei as crianças não terem vindo aqui ainda, tomei um banho e fui ver onde eles estavam, e vi eles brincando na sala, Thomas estava ali com eles e os três sorriam alegremente, pela primeira vez eu vi Thomas como um pai, desde que ele veio morar aqui, não tinha visto os três passarem mais que dez minutos juntos, e agora eles estavam ali brincando e sorrindo alegremente. Eles deviam estar ali há muito tempo brincando, já que os dois não me procuraram no meu quarto, assim que notaram minha presença os dois vieram correndo me abraçar, era bom ser cumprimentada tão alegremente logo pela manhã, esses dois são uma figura. --- Estão com fome bebês? --- Nós comemos titia, o papai cozinhou. Eu olhei pra o Thomas, nunca tinha visto ele cozinhar, será que ele não envenenou as crianças? Ou talvez ele saiba realmente cozinhar, e eu que não sei bem disso, já que não somos tão próximos. Me juntei a eles e começamos a brincar todos juntos, os dois estavam tão alegres, nunca vi eles sorrirem tanto assim, também era de esperar, Thomas dificilmente dava atenção a eles, um pior pai que ele não existia, e se ele tivesse dando atenção pra depois deixar eles selado novamente eu ia desmembrar ele. Estéfane entrou com outra mulher, carregava sacolas e sacolas, só coisas de marcas, pensei em quanto tudo aquilo deveria ter custado, será que ela não tinha consciência? Essa mordomia vai acabar e hoje, e num é em outro momento não, vai ser agora mesmo. --- Usou o cartão de quem Estéfane? Aquela era a primeira vez que eu direcionava a palavra a ela, eu nunca nem mesmo tinha olhado em sua direção, mas ela conseguiu chamar minha atenção agora, demorou um pouco, mas ela conseguiu. --- Como assim de quem fofa, da empresa uer, existe outro que eu possa usar? A empresa era um negócio de fachada pra máfia, ali se escondiam todas os negócio sujos, por fora parecia só uma empresa de investimento como qualquer outra, mas por dentro a realidade era diferente, aquilo só era um disfarce. --- Você já pode me devolver. --- Como assim devolver? --- O cartão, você pode me devolver. --- Tá ficando maluca? Eu peguei esse cartão na carteira do Thomas, se estava lá é dele, você não tem o direito de tomar. --- Crianças, que tal brincarmos lá no jardim, hum? Thomas levou as crianças, pelo menos ele não tentou me impedir, se não sobraria pra ele também, eu não iria fazer isso se essa cobra não estivesse merecendo. --- Você escolhe como vai devolver, por bem ou por m*l. --- Quem vai tirar por m*l? Você? Fala sério, ao menos já brigou com alguém na vida criança. Mais que p***a, aquele mulher devia ser mais velha que eu somente uns dois anos, por que caralhos ela me chamou de criança? Será que pelas roupas que ela me vê vestida? Também isso não importava muito, não agora. Fui na direção dela e agarrei seu braço quase quebrando, ela gritou, imobilizei ela sobre a mesa e peguei o cartão da empresa na bolsa dela, ela tentou me impedir, mas não tinha força o suficiente, acho que a criança era mais experiente que ela nesse ramo, coitada nem mesmo teve como se defender. --- Isso é só o começo, da próxima faço pior, toma cuidado, cê tá na minha mira agora v***a, me provocou tanto querendo minha atenção, e agora cê tem ela. Eu não iria parar por ali, estava sendo carinhosa, daria uma chance pra ela mudar um pouco a mentalidade, mas não se preocupem, só fiz isso por que tenho certeza que ela não irá mudar, a ganância dela é grande demais pra desistir assim tão fácil do dinheiro, com certeza ela mudaria, mas pra pior, melhor pra mim, vou ter a chance de fazer pior com ela. A coitada foi chorando pro quarto e a outra mulher que estava com ela sumiu pela porta, nenhuma das duas disse nada e é bem melhor assim, voz dela me enjoa. --- Posso pedir algo? --- O que? Thomas estava ali na minha frente como um i****a, decidindo se falava ou não, acho que os homens da nossa família serem frouxos estava no sangue também, ainda bem que essa benção não caiu sobre as mulheres, se tinhamos algo a falar falávamos rapidamente, sem enrolar tanto, mas os homens não eram assim. --- Me dê um oportunidade de explicar, só uma, por favor. Eu pensei por um tempo, não custava eu escutar ele, mas também isso não significava que eu esqueceria que devia uma facada ao mesmo, não parecia um negócio r**m, as coisas poderiam não mudar mesmo que ele explicasse, claro que eu não perdoaria ele de primeira, não importa o que ele dissesse. --- Pode ser, prepara um bom discurso, quem sabe eu possa esquecer o que devo a você. --- O que me deve? --- Nada. Eu guardaria a facada para um momento especial, tipo um momento que ele me desse nos nervos, eu não poderia esfaquear ele o tempo todo, então deveria fazer aquilo no momento certo, nada de me equivocar, as coisas tinham que ser feitas com muita calma. --- Então, a noite nos falamos. --- Hunrum. Ele saiu dali quase correndo, eu quis até rir da situação, ele quem veio atrás de mim, mas saiu correndo logo em seguida, parecia um adolescente quando acabava de se declarar para uma garota. Fui preparar meu café da manhã, as crianças já tinham comido e como Thomas estava com elas eu iria só ficar sozinha, apreciar minha própria companhia, na verdade eu gosto de gente ao meu redor, mas ficar sozinha também é bom, sou bipolar pra p***a, nunca me entendo na moral. Mas infelizmente minha paz durava muito pouco, Melissa apareceu ali com sua boa e velha cara de b***a, eu não podia ter um minuto de paz. --- Tá fazendo o que aqui praga? --- Nada, só vim, e vou dormir aqui, cansei de ficar lá em casa sem nada pra fzer. --- Arruma um serviço então caramba. --- E cê acha que é fácil? E além do mais não preciso também. --- Mais que vagabunda cara, e reclama que não tem nada pra fazer por que? --- Menos Kess. Melissa era igual a mim, as vezes eu acho que somos irmãs e ou eu ou ela foi trocada, sem condições isso, a mesma maluquice que eu tinha era compartilhada com ela, nosso jeito de pensar era quase o mesmo, e opiniões parecidas também, era tudo muito estranho, talvez fosse por que crescemos juntas. --- Cê nem acredita. --- Que? --- O garoto lá enfrentou os valentões, apesar que ele apanhou mais do que normal, ao menos ele não ficou só sentado, mas o estrago foi grande. --- Ele enfrentou? --- Não é o estranho? --- Interessante, estou começando a gostar dele. --- Gostar de quem? Levi apareceu ali como um fantasma, era um inferno, a paz que eu achava que aproveitaria hoje estava indo pelo ralo, meu pecado devia ser grande demais pra todos eles se juntarem justo hoje para atormentar a minha pessoa, eu só queria ficar em silêncio e aproveitar meu dia sem trabalho. --- Um cara, bonito, gostoso, e jovem, tudo que eu preciso, é só moldar ele do jeitinho que eu quero, vou arrumar um pra você também flor, esses são os melhores. Levi me olhou com um olhar matador, coloquei minha boa expressão de deboche, quem manda ser frouxo, posso provocar ele até quando eu quiser, vai depender dele eu parar de fazer isso. --- Onde conheceu o garoto? --- Não importa Levi, vai cuidar dos seus negócios e me deixe em paz. --- Tá nervosa hoje. O bonito nem ai, foi em direção aos armários e pegou um lanche se sentando ao lado da Melissa, na moral minha sorte eu gastei toda ontem e hoje era meu dia azar, sem condições pra mim hoje. Por fim decidi ir brincar com as crianças, elas estavam no jardim com o pai, fui me juntar a eles, pelo menos ali eu não precisava ver dois seres dividindo lanche como se fossem namorados, nojento demais. Thomas sorriu quando me viu, ele ficava tão alegre assim quando me via? Não pensei que representava tanta alegria a alguém. --- Se precisar trabalhar pode ir, eu cuido das crianças. --- Não precisa, você faz muito por eles, eu também tenho que fazer. --- Até que enfim os olhos se abriram, acho que estavam costurados. --- Você removeu a costura, sem delicadeza nenhuma, mas ao menos removeu. --- Desde quando sou delicada? Talvez quando pequena, muito tempo já se passou desde então, o tempo passa e as coisas mudam. --- Realmente, muitos anos se passaram. Naquele momento percebi outro problema em Thomas, ficar preso no passado, quando eu era pequena, costumava ser carinhosa, era delicada, não tinha alguém que chegasse em casa e eu não cumprimentasse com um abraço, só que eu mudei tanto, e Thomas foi a pessoa que mais contribuiu para que isso acontecesse, ele era um filho da mãe, deveria saber que mudei muito melhor que ninguém. Eu tinha esperados o Thomas até os 12 anos, foi com essa idade que eu percebi que esperar ele era perca de tempo, não foi uma fase fácil, eu tive que ser forte, esquecer alguém que a gente ama e esperou por tanto tempo era difícil, e ao passo que eu fui deixando de esperar ele, as mudanças começaram, ou eu mudava, ou eu sofria mais ainda. Eu mudei tudo, cada coisa em mim que um dia ele conheceu, hoje não existia mais, eu não culpava ele, a decisão de mudar foi minha, ele apenas contribuiu, escolher se eu mudava ou não foi totalmente minha decisão, eu tinha responsabilidade, não faria nada na mnha vida se não tivesse. Depois do almoço eu dei um banho nas crianças, os dois pegaram no sono logo em seguida, e eu fui procurar relaxar também, eu precisava e muito. Agora que penso na besteira que tinha feito comecei a me arrepender, não sei por que fui dar uma chance para o Thomas se explicar, na minha cabeça nada mudaria, a não ser que ele me contasse exatamente o que se passou na cabeça dele todos esses anos, será mesmo que ele estava disposto a falar toda a verdade? E mesmo se falasse, será que eu seria tão i****a a ponto de perdoar na mesma hora? Ainda tinha minhas dúvidas em relação a ele, eu não conhecia mais nada sobre ele, mas eu desejava que ele fosse como o Thomas criança. Era daquele Thomas que eu sentia falta, foi aquele Thomas que eu esperei tantos anos, aquele que voltou não era o Thomas que eu costumava amar, não era o que sempre me mimava, me protegia, e que nunca tinha quebrado suas promessas comigo, o Thomas de agora não era interessante, ele mentia, quebrava promessas, não se importava mais comigo, e não me mimava mais, não era sincero comigo, tudo tinha mudado, e pra pior. Mudanças sempre eram necessárias, também não posso julgar ele por ter mudado, tudo muda, não importa como ou por que, uma hora, cada um olha pra si, e percebe que nada do que costumava ser antes era mais, e isso acontece naturalmente. Passei minha tarde e início da noite tomando meu bom vinho no jardim, pedi Melissa pra cuidar das crianças quando elas acordassem, a merda da conversa com Thomas estava me deixando nervosa, beber me ajudaria ao menos a responder ele depois que ele se explicasse, queria ao menos xingar ele depois de tudo que ele fez, eu merecia descarregar minha raiva. Ele se sentou ali do meu lado, meu coração acelerou tanto que pensei que saltaria pela boca, o que diabos estava acontecendo comigo? Só era o Thomas ali do meu lado, não era como e fosse alguem que era apaixonada por aquele i****a sem coração. --- Eu iria voltar, mas não pude, não depois de descobrir o que estava acontecendo com a minha mente. Merda, meu coração estava começando a amolecer, c****e, eu iria mesmo perdoar ele, nem fodendo, não importa o motivo por qual ele não tenha voltado, não daria o gostinho a ele de ser perdoado com tanta facilidade, isso não era permitido acontecer. --- Percebi que amava você Késsia, e não era um amor que um irmão sentia pela irmã, eu estava apaixonado por você, tive vergonha de voltar, como olharia para os meus pais novamente? Eu tinha me apaixonado pela minha própria irmã. Naquele momento senti meu coração parar, ele realmente tinha parado, e aqueles olhos azuis marejados olhando pra mim fazia ele parar mais ainda, eu imaginei qualquer coisa saindo da boca do Thomas, só não imaginei que ele diria que tinha se apaixonado por mim, mas que c*****o, esse desgraçado estava me deixando vulnerável. Mas que merda de coração, só queria arrancar ele e jogar fora, ele não queria mais bater, Thomas continuava a me olhar, se ele não batesse não serviria mais pra mim. --- Eu passei muito tempo culpando o amor que sentia por você, tentando me convencer de que só não voltei por esse motivo, quando na verdade não foi. Eu fui um covarde Késsia, queria esconder minhas falhas atrás dos meus sentimentos por você, vivi como um covarde todos esses anos. Eu olhava pra ele sem saber o que dizer, mas que merda eu diria? Ele acabou de falar que me amava, dizer que o amava de volta é que eu não faria, isso nem mesmo seria verdade, além do mais, Thomas é casado, não importa se não tem afeto no casamento deles, isso não muda nada, ele ainda assim é casado de qualquer maneira. --- Você tá certo, é um covarde, tudo que sempre desejei antes de parar de esperar você, foi que voltasse e cumprisse sua promessa, mas se tornou um fraco Thomas, e não haja como se eu fosse dizer que o amo de volta, é um homem casado, e mesmo se não fosse, eu não o amo, no momento só consigo sentir desprezo pelo i****a que se tornou. Fui para o meu quarto, que merda eu pensei que essa conversa mudaria? Como fui ter esperanças de tudo ao menos se encaixar novamente? Eu e o Thomas nunca voltaríamos a falar novamente, não se ele continuasse a ser como é, pessoas covardes não faz o meu tipo, e ele era bem pior que um covarde, era irresponsável e não assumia os erros que cometia, por que eu iria querer ficar perto de uma pessoa como aquela? Talvez depois de um tempo eu passasse a sentir algo por ele, mas isso não estava em conversa no momento, seguiria a minha vida novamente, assim como segui todos esses anos, Thomas era um desgraçado, ele só apareceu aqui pra bagunçar minha vida novamente, esfaquear ele parecia uma boa idéia agora, minha raiva estava maior.
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