Anne ouve uma batida na porta —entra —ela diz, Tiffany entra e a cumprimenta: Boa tarde senhora Anna, quando a senhora chegou?
Oi Tiffany, boa tarde, cheguei essa madrugada! Quero que você me ponha a par de tudo e vamos colocar essa coleção em dia, já avisa a equipe para se prepararem, estou de volta com muita sede de trabalho.
—E assim elas ficaram suas horas vendo e revendo todos os croquis e os mandaram para a equipe de produção, e pela quantidade da encomenda ela está bem satisfeita, pois vai ter bastante no que se ocupar.
—É mesmo todos pedindo que eu vá devagar no trabalho, e só isso que me faz bem, só o trabalho pra me fazer esquecer o acontecimento dos últimos dias.
— É assim que a noite chegou sem ao menos eu perceber.
—E hora de irmos para casa —falei para Tiffany que de imediato me fala:
então vamos arrumar aqui e ir para casa descansar pois amanhã tem mais.
Alguns minutos depois deixamos a sala juntas Tiffany me oferece uma carona que eu gratamente aceito, ao chegar na frente do meu prédio saio do carro, tchau Tiffany até amanhã, bom descanso, sigo para o elevador entro e subo, ao chegar no meu andar e sair do elevador o celular toca me recuso a atender a ligação, pois é do doutor Marcos, falei para mim mesmo não, ainda não estou pronta para falar com você, é pensando nisso caminho até a porta, abro entro e vou direto para cozinha lavo as mãos e pegou suco na geladeira coloco no copo e vou me sentar no sofá da sala, ligo o aparelho de som e fico ali ouvindo música, outra coisa que me relaxa depois de beber todo suco vou para o meu quarto, ao entrar vejo que ainda não desfiz a mala e nem a mochila da viagem, no momento que pego a roupa que eu estava usando no dia que desmaiei senti o cheiro do perfume que não era desconhecido pois já tinha sentido aquele perfume, e o mesmo da noite que estava vendo o céu estrelado sim, esse cheiro e dele.
Começo a pensar nele e como ele mexe comigo. Ai MEU DEUS, eu preciso esquecer tudo principalmente ele, jogo a roupa no canto do quarto e continuo arrumando tudo, depois de tudo no lugar vou tomar banho que se torna bem demorado, tudo estava voltando ao normal, e eu estou muito feliz por estar de volta e não vou estragar tudo pensando nele, eu me recuso não quero e não vou pensar nele, terminei o banho e sai do banheiro com um roupão e uma toalha na cabeça vou até a cozinha ver o que vou jantar.
—Já no apartamento do doutor Marcos, ele está bem melancólico com a rejeição da Anne, no qual não está digerindo muito bem,
—Estou sentado na varanda olhando para o céu estrelado lembrando-me da noite que estávamos juntos.
—Ah Anne, como eu vou fazer para te esquecer se toda noite o céu estrelado está sobre minha cabeça e enquanto eu olhar para o Céu e ver as estrelas lembrarei de você, Anne, antes eu via o céu com admiração, mas agora eu vejo com um significado meu amor por você, que saudade de você, de cuidar de você.
—Enquanto ele está ali mergulhado em pensamentos, seu celular toca, ele leva a mão no bolso da frente da calça, atendeu falando: Oi mãe,
—Oi meu filho, o que você tem Marcos, você está com a voz tristonha, perdeu mais um paciente?
—Posso dizer que sim, mãe!
—Como assim posso dizer que sim, Marcos?
—Mãe é aquela moça que te falei.
— A moça do shopping?
—Sim!
—Marcos, o que tem ela? —Você falou que ela tinha acordado que estava bem, o que houve agora?
—Mãe, ela foi embora. Eu estou com muita vontade de vê-la, eu não consigo tirá-la da minha cabeça, pela primeira vez na minha vida eu não sei o que fazer.
—Marcos Você vai precisar ser forte meu amor, dá um tempo, se daqui a um tempo tipo, dois, três meses você ainda estiver se sentindo assim, então vai à procura dela e conversa com ela, ok, mas eu quero que você saia para se divertir durante esse tempo tá bom, promete para mim Marcos.
—Sim, mãe eu prometo que vou ficar bem, agora eu preciso ir, bj mãe.
—Beijo meu filho, se cuida, fica bem.
—Depois de desligar o telefone Marcos guarda no bolso e fica com remorso por ter mentido pra sua mãe, pois ele queria encerrar logo aquela conversa com ela rápido, não por ter alguma coisa para fazer, ele estava de folga e desde que acordou não parava de pensar na Anne, ele pensa em mandar uma mensagem pra Anne, pega o celular escreve, mas logo em seguida apaga e escreve novamente dizendo:
"Sempre que olhar para o céu e ver as estrelas, lembra-se que sempre estaremos juntos."
—Ele fica ali pensando se envia ou não, até que decidiu enviar.
—Anne terminou de tomar banho e quando estava indo para a cozinha seu telefone tocou, ela pega e olha pensa em não atender mas atende.
—Oi mãe,
—Oi Anne, boa noite, filha, como você está? Anne, porque você foi embora sem falar nada com ninguém?
—Mãe, eu não quero falar sobre isso, e além do mais eu tinha muito o que fazer aqui, eu tenho uma encomenda grande, e se não for entregue no prazo nós levaremos uma multa, então não se preocupe, eu estou bem.
—Anne, eu preciso me explicar sobre o que seu pai lhe falou sobre a Jane.
—Mãe, eu não quero falar sobre isso, também, tchau mãe.
—Anne, espera eu quero te falar uma coisa, acabei de tomar chá com a Dóris! Ela me falou que o George foi viajar, ela e o marido acharam melhor ele dar um tempo de tudo que aconteceu. Ele foi hoje cedo e não falou nada para ninguém, seu pai e a Jane não sabem, ele não levou o celular, comprou outro que só os pais sabem o número, eu ainda não cheguei em casa para saber como seu pai e a Jane estão!
—Mãe, por que você está me falando isso?
—Não sei Anne, mas estou com a sensação que o relacionamento dele com a Jane, já era, e quando seu pai souber ele vai pirar, ela nem tanto, já que, eu acho que ela não o ama e nunca o amou, foi só capricho dela.
—Tá bom mãe, eu desejo que eles fiquem bem, não quero saber deles tá bom, bj mãe.
—Anne desliga, e quando vai guardar o celular ele toca e vibra na mão dela, ela olha e fica paralisada ao ver de quem é a mensagem, ela respirar fundo e resolver ler a mensagem que é do doutor Marcos, que dizia:
"Sempre que olhar para o céu e ver as estrelas lembra-se que sempre estaremos juntos."
—Ela fica ali na varanda olhando para o céu, lendo e relendo aquela mensagem que mexeu muito com ela, mais do que, o que a mãe lhe falou. E tudo que ela acabou de saber foi irrelevante depois daquela mensagem do doutor, ela não sente nada pelo pai. Apesar disso ela admira o céu mesmo não estando estrelado como no Brasil, mesmo assim toda vez que olhar para o céu não vai ter como não se lembrar do doutor, ela fica ali pensando — É doutor Marcos, você me ensinou a ver o céu com outros olhos, agora eu olho com um significado.
—Ela, sacode a cabeça e decidi parar de pensar nisso, vai para o seu quarto, senta encostada na cabeceira da cama, pega um livro que está na mesinha, abre na página que parou, e começa a ler para poder viajar na história do livro ao invés da dela que só a faz sofrer, e assim ela lê até não aguentar mais adormecendo em um sono profundo.
— Na manhã seguinte ela acorda com o celular despertando, é a hora de se levantar e se aprontar para começar mais um dia de trabalho. Ao chegar na empresa, cumprimenta todos e segue para sua sala assim que ela se acomoda em sua cadeira, Tiffany entra —bom dia senhora Anne.
— Bom dia Tiffany, como estão as coisas?
Senhora, está tudo correndo bem!
—Isso é ótimo Tiffany — disse Anne muito animada.
—Se tudo der certo entregaremos no prazo.
—Isso será maravilhoso, já deu tudo certo! Tiffany, já deu tudo certo.
—Sim senhora Anne.
—Senhora, eu também gostaria de lhe perguntar se eu posso sair na hora do almoço e só voltar amanhã? —é que ontem chegou um primo na cidade, e eu ainda não o vi, então marquei de almoçarmos juntos, se der é claro.
—Sim, claro que sim, se organiza e pode ir.
—Obrigada senhora, mandarei uma mensagem para ele confirmando.
—A senhora precisa de mais alguma coisa?
—Não obrigada!
—E assim Tiffany saiu da sala deixando Anne sozinha focada nos seus croquis — o celular toca, ela olha é ver que é Cláudia, atende já falando:
—Bom dia irmãzinha.
—Bom dia irmã, como você está? — perguntou a irmã mais nova preocupada.
—Eu estou bem, e você? — Anne responde revirando os olhos já que todos não sabem fazer outra coisa que não cuidar dela.
— Anne a mamãe falou que te ligou ontem.
—Sim! E como estão as coisas por aí?
—Anne, a coisa aqui tá feia, o papai não conseguiu falar com o George até agora, ele ficou tentando ontem o dia inteiro e a noite quando a mamãe chegou e contou que tinha acabado de tomar chá com a senhora Dóris, e contou o que ela falou, ele pirou, a pressão dele subiu muito! Ele passou muito m*l. Já a Jane, está muito estranha, ela simplesmente não falou nada subiu e se trancou no quarto e só saiu hoje cedo, ela saiu toda arrumada passou por nós na sala e nem deu bom dia a ninguém, nem perguntou se o papai estava bem ou não, Anne, a sensação que eu tenho é que ela não tá nem aí para gente, e que ela só quer nos destruir, e pelo jeito ela já conseguiu. Papai estava no sofá e ficou olhando para ela tão triste que me deu até pena dele, eu e a mamãe só ficamos ali observando, eles pareciam que não se conheciam.
— É Cláudia, parece que ele já está colhendo o que plantou, Cláudia vocês precisam contratar uma enfermeira para cuidar dele, porque ele precisa tomar os remédios na hora certa.
—Anne, eu tenho uma coisa para te dizer, eu liguei para o hospital e pedi para falar com o doutor Marcos, e ele insistiu em vir aqui ver o papai, e ele veio ontem assim que liguei, ele cuidou do papai com muito carinho e conversou comigo e com a mamãe, disse: que o papai ficará bem! Mas tem que ficar de repouso e também tomar os remédios na hora certa. Ele perguntou de você e é claro que a mamãe dando uma de cupido igual a Rose, falou muito bem de você e até mostrou umas fotos da sua adolescência, ele ficou muito emocionado vendo aquelas fotos, Anne, ele está verdadeiramente apaixonado por você, ele saiu daqui tarde da noite e parecia ter muita saudade de você.
—Cláudia, preciso desligar, estou muito ocupada! Manda beijo para todos, e fala pro papai que eu o amo e quero que ele fique bem ,bj.
—Anne desliga o telefone sem mesmo esperar que a irmã se despeça dela.
Do outro lado, Cláudia fica pasma e pensa que a irmã ficou bem nervosa ao saber do doutor Marcos — Anne, Anne porque você é tão dura com você mesmo, se dar uma chance —depois de falar isso para si mesma, ela que está na faculdade guarda o celular e vai pra junto dos seus amigos.
Já Anne que perdeu toda a sua concentração no trabalho fica ali olhando para o nada na direção da janela, pensando em tudo que a irmã falou.