Lúcia Narrando Essa semana eu estava com a pulga atrás da orelha. Não é desconfiança. É instinto de mãe. Aquela coisa que não tem explicação, que não vem de razão, que vem de dentro. Do peito. Do útero. Da alma. Principalmente mãe da Luísa. De uma filha que nasceu com uma lesão medular incompleta, que ouviu de médico que "não tinha chance", que foi criada entre hospitais, fisioterapias, consultas, exames. A gente aprende a sentir o perigo antes dele chegar. Mas, mesmo assim, nos últimos dias eu estava feliz. Feliz de um jeito leve, que fazia tempo que eu não sentia. Porque eu via a minha filha feliz. Sorrindo mais. Conversando mais. Vivendo mais. Tinha um brilho nos olhos dela que eu não via desde criança. E aquilo me enchia de esperança. Só que, ao mesmo tempo… ela andava muito pensat

