Luísa Narrando Eu ia falar. Ia perguntar mais coisa. Ia perguntar se ele tinha tatuagem, se ele tinha olho claro, se ele era alto, se ele tinha aquele jeito de dono do mundo. Eu ia perguntar tudo. Cada detalhe. Cada vírgula. Cada palavra que a Paulinha soubesse e eu ainda não soubesse. Foi quando duas motos pararam na frente da loja. O ronco dos motores cortou o ar. Aquela pancada seca, grave, que faz a gente virar a cabeça antes mesmo de pensar. O escapamento roncando baixo, o cheiro de gasolina queimada subindo pela calçada. Um dos caras tirou o capacete. Meu coração parou. Era ele. O mesmo cara que foi no condomínio onde eu moro. O mesmo que mandou o Jonas vazar. O mesmo que me chamou de "fofa". O mesmo que falou que tava ali por ordem. O mesmo que me olhou como se eu fosse a úni

