Magnata Narrando Saí do banho ainda com o vapor grudado na pele e a cabeça fervendo mais que a água do chuveiro. O cheiro de sabão misturado com o cheiro dela ainda tava no ar. Desci a escada no automático, os pés descalços no piso frio, a mente longe. Catei qualquer coisa na cozinha, mastiguei sem nem sentir gosto. Fiz um rango rápido, mais pra calar o estômago do que pra matar a fome. O silêncio da casa tava estranho, pesado, como se as paredes soubessem que a madrugada não ia terminar em paz. Até os corrimãos pareciam esperar alguma coisa. Peguei meu telefone na bancada, a tela escura, a bateria quase no fim. Subi de novo pro quarto, os degraus rangendo sob meus pés. Quando abri a porta, a cena me travou. A Luísa tava encolhida na cama, abraçada nas próprias pernas, chorando baixinh

