Capítulo 35 Magnata

1174 Palavras
Magnata Narrando Concordei, colocando a mochila apoiada nela com cuidado. Ela segurou firme. Empurrei a cadeira até o carro que já tava parado ali perto, um sedan preto que o Blindado tinha deixado. Abri a porta do carona, peguei ela no colo de novo — leve, os braços dela enlaçados no meu pescoço — e coloquei no banco com cuidado. O corpo dela encaixando fácil no meu, como se fosse feito pra isso. Fechei a cadeira de rodas, joguei no banco de trás. — Nossa… — ela soltou, me olhando. — Super ágil… já esteve com uma cadeirante antes? Fechei a porta com calma. Olhei pra ela pelo vidro. — Vou ficar calado pra não ser grosso, tá bom, Luísa? — falei, dando um selinho rápido nela. Dei a volta e entrei no carro. Liguei o motor e puxei. O carro deslizou pela orla, as luzes do Rio brilhando lá fora. O caminho foi tranquilo. Silêncio confortável. Só o som baixo do carro e a respiração dela ali do lado. Cada curva, cada farol, eu sentia a presença dela. O cheiro dela tomando conta do carro. — "Isso aqui é perigoso" — pensei, apertando o volante. — "Muito perigoso." Chegamos. Parei o carro na frente do prédio dela, mais afastado. Saí, fui até atrás, puxei a cadeira e montei rápido. Os movimentos já automáticos. Abri a porta, peguei ela no colo e coloquei na cadeira. Ajeitei os braços dela nos apoios. — Vou te levar até lá em cima. — Nem pensar. — ela cortou na hora. — Eu consigo subir daqui. Não precisa entrar. Cruzei os braços, olhando. — Tá com vergonha de mim? Ela soltou uma gargalhada. — Se você não tem vergonha de mim… por que eu teria de você? Cheguei mais perto, abaixando um pouco. — Um homem andar do teu lado e ter vergonha de tu… — balancei a cabeça. — ou é baitola… ou é escroto. Parei. — Porque qualquer homem ficaria doido pra andar contigo. Ela sorriu, meio sem jeito, os olhos brilhando. — Deixa de ser b***a… — falou, já girando a cadeira. — Eu vou subir. Já vi que vou ouvir um monte. Deu uma pausa, me olhando por cima do ombro. — A gente se fala. Levantei a sobrancelha. — Nossa… usou e descartou foi? Ela riu, balançando a cabeça enquanto começava a se afastar. A cadeira rodando suave na calçada. E eu fiquei ali… Olhando ela ir embora. Os cachos balançando. As mãos firmes nos aros. A luz do prédio iluminando o caminho. Com uma certeza batendo forte no peito: Isso aqui tá longe de acabar. Ela entrou no prédio, a porta fechou. Fiquei mais um tempo ali, encostado no carro, os braços cruzados. — "Você vai voltar pra mim, Luísa" — pensei, um sorriso de canto abrindo no rosto. — "Você sabe disso. Eu sei disso." Subi no carro, dei partida. O ronco do motor cortou o silêncio da noite. E na minha cabeça, uma certeza: amanhã… ou depois… ou daqui uma semana… ela ia ser minha. E não tinha ninguém nesse mundo que ia me impedir. Encaixei a marcha e puxei. O carro deslizou pela orla vazia, as luzes do Rio brilhando no retrovisor. A cabeça ainda tava lá na praia. Na Luísa. No beijo. Na sensação dela nos meus braços. — "Essa mina vai ser minha ruína" — pensei, apertando o volante. — "E eu vou gostar de cada segundo." Subi o morro já no automático. As vielas, os becos, as luzes amarelas dos postes. Os cria na contenção levantaram a mão quando passei. Respondi com um aceno, sem parar. A noite ainda tava no começo. Foi quando vi. Valente. Subindo na moto. Cara fechada. Postura de quem tá pronto pra fazer merda. O motor da moto já roncando, o capacete na mão. Meti a mão na buzina. Apertei até o som ecoar no beco. Ele olhou pra trás. O rosto dele na luz do farol. Maxilar travado. Olhos vidrados. — "Esse aí vai fazer besteira" — pensei, já parando o carro. Foi nessa hora que o portão da casa dele abriu. — VITOR! Paulinha. Cabelo solto, roupão, cara de desespero. Ela gritou de novo. — VITOR, PELO AMOR DE DEUS! Valente enfiou o capacete na cabeça. Ignorou. Ela correu até o portão, os braços abertos. — VITOR! Olhei pra um, olhei pro outro. Valente com a mão no guidão, pronto pra arrancar. Paulinha segurando no portão, os olhos marejados. — "p***a" — pensei, já decidindo. Desci do carro. — PAULINHA! — gritei. — ENTRA. Ela me olhou. Confusa. — Entra no carro. AGORA. Ela hesitou. Olhou pro Valente. Ele não olhou de volta. — Não precisa… eu vou esperar ele voltar. Dei um passo na direção dela. A voz baixou, mas pesou. — Não tô pedindo. Tô mandando. ENTRA. Ela travou. Depois obedeceu. Abriu a porta do carro e entrou. Olhei pro Valente. Ele já tinha virado a cara. A moto roncando, o corpo tenso. — "Depois eu vou atrás desse maluco" — decidi. Voltei pro carro. Bati a porta. Paulinha já tava com a mão no rosto, segurando o choro. Olhei pra ela. — Desenrola. Ela me olhou. — O quê? — O assunto. Desenrola. Agora. Ela respirou fundo. — Não quero te preocupar… Soltei uma risada sem humor. — Já me deixou preocupada. — falei, firme. — Tô bolado com esse lance de vocês. Ela desviou o olhar. — Não é nada… — Nada? — cortei. — O Valente quase saiu voando de moto agora. Tu gritando no portão. Isso não é nada não. Ela ficou em silêncio. Eu continuei. A raiva subindo, mas não era raiva dela. Era de ver dois que eu respeito se perdendo. — Sabe de uma coisa, Paulinha? Eu nunca amei ninguém. Nunca tive ninguém do lado. Mas vocês dois… — olhei pra ela. — O casal que eu mais admiro nessa pørra. Ela levantou o rosto. — Vocês sempre tiveram respeito. Cumplicidade. Parceria. — a voz saiu mais baixa. — E agora tão deixando essa p***a de relação ir pro ralo por causa de filho? Ela desviou. — Eu sei… — Então me diz. O que tá acontecendo? Ela passou a mão no rosto. — O Valente… ele tá pior do que antes. — Pior como? — Ele não aceita mais esperar. Toda conversa termina em briga. Ele acha que eu não quero… mas não é isso. Fiquei olhando. — Eu quero, Magnata. Juro que quero. — os olhos dela marejaram. — Mas eu também tenho meus sonhos. Meu trabalho. E ele não entende que não é sobre não querer… é sobre hora certa. Respirei fundo. — Já falou isso pra ele? — Já. Mas ele só escuta metade. Balancei a cabeça. — Deixa comigo. Ela me olhou. — Você vai falar com ele? — Alguém precisa. — falei. — Porque se vocês deixarem essa pørra acabar… vão ser dois idiøtas perdendo o que muitos não conseguem ter. Ela sorriu fraco. — Obrigada. — Agradece quando vocês dois estiverem resolvidos. Continua...
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