Laura Narrando A professora começou a falar do bailão. Da comunidade. Da energia. Dos olhares. Do jeito que as pessoas se tratavam. Ela disse que a impressão que ela tinha era uma, mas estar ali dentro era totalmente diferente. O noticiário não mostrava aquilo. A televisão não mostrava aquilo. — A gente só vê violência, tiroteio, polícia subindo o morro. — Erlane falou, a voz mais solta agora, como se tivesse se soltando um pouco. — Nunca mostram uma cena dessa. Essa energia. Esse povo unido. Esse sorriso que não sai do rosto de ninguém, mesmo com os problemas do dia a dia. — Pois é, mulher. — Yasmin respondeu, balançando a cabeça. — O asfalto gosta de mostrar só o que interessa pra eles. O que vende. O que dá ibope. A favela feliz não vende jornal. — E não é que aqui não tenha proble

