Blindado Narrando Segui andando firme, olhando o movimento. O condomínio tava quieto. Luz amarela dos postes, algumas pessoas passando, nada demais. Vi eles de longe. O mesmo cara do vídeo. E a mina… na cadeira. Ele tava insistindo. O corpo inclinado pra frente, a mão apoiada no braço da cadeira. Ela meio recuada. — Não vai agora não… — ouvi ele falando, a voz baixa. — A noite nem acabou, a gente tem muita coisa pra conversar. Ela respirou fundo. — É melhor eu subir… — a voz dela saiu mais baixa, meio hesitante. Ele não aceitou. Passou a mão no rosto dela. Devagar. Os dedos escorrendo pela pele. Ela fechou os olhos por um segundo. E ele se inclinou. Foi aí que eu fui. Corri. Saltei um banco de cimento, depois outro. As botas batendo firme, a respiração presa. Quando chegue

