Nunca vou esquecer aquele dia. A mesma casa onde nos conhecemos, o mesmo quintal que parecia comum, mas que naquele momento se tornou nosso universo. Havia gente por ali, risadas e conversas distantes, mas para mim… parecia que todo mundo tinha desaparecido. Só existíamos nós dois.
Samuel estava ali, perto de mim, olhando de um jeito que me deixava arrepiada sem eu saber direito por quê. O coração acelerado, as mãos suadas, aquela sensação de que algo grande estava prestes a acontecer. Eu ainda não tinha beijado ninguém antes, mas quando olhei para ele, senti que tudo faria sentido naquele instante.
— Dádiva… — disse ele, baixinho, tão perto que pude sentir a respiração dele no meu rosto — posso te pedir uma coisa?
— O quê? — respondi, tentando manter a calma, mas tremendo por dentro.
— Fala palavras bonitas no meu ouvido. — Ele sorriu, aquele sorriso que sempre me desarmava. — Alguma coisa… que queira.
Respirei fundo e, sem pensar demais, sussurrei:
— Como eu gostaria de te beijar agora.
O mundo pareceu parar. Ele se aproximou, devagar, olhando nos meus olhos, e antes que eu pudesse reagir, senti os lábios dele nos meus. E… foi diferente de tudo que eu já tinha imaginado. Intenso. Exclusivo. Era como se eu soubesse exatamente o que fazer, como se cada toque tivesse sido ensaiado dentro de mim, mesmo sendo meu primeiro beijo. Cada segundo parecia que durava uma eternidade, e eu queria que nunca acabasse.
Quando nos separamos por um instante, apenas para respirar, Samuel sorriu com aquele ar travesso:
— Sabes… és incrível nisso. — Ele disse, encostando a testa na minha. — Eu nunca senti algo assim.
— Eu… nunca imaginei que um beijo pudesse ser assim — respondi, ainda ofegante. — É… é diferente.
Ele segurou meu rosto com delicadeza, e eu podia sentir a intensidade do desejo nos olhos dele.
— Dádiva… posso fazer uma coisa? — perguntou, com aquela voz que me derretia.
— O quê? — murmurei, o coração a mil.
— Te beijar de novo — disse, rindo baixinho. — E desta vez… devagar.
E assim aconteceu. Cada beijo depois parecia carregar toda a tensão, todo o desejo que tínhamos acumulado. Parecia que o tempo havia parado só para nós. As pessoas no quintal continuavam suas conversas, mas para mim, o mundo se resumia à sensação dele, ao calor do toque, à respiração compartilhada.
Entre um beijo e outro, conseguimos falar algumas palavras:
— Samuel… — sussurrei — e se alguém nos visse?
— Que se dane o resto do mundo — respondeu ele, com aquele sorriso safado. — Só nós dois agora.
O beijo voltou, mais intenso, e cada toque parecia gravar na memória algo que eu jamais esqueceria. Eu sentia uma mistura de medo e desejo, de fé e entrega, como se estivesse me permitindo viver algo que sempre sonhei, mas nunca imaginei tão real.
Quando nos separamos pela última vez naquela tarde, senti que algo havia mudado dentro de mim. Samuel sorriu e disse:
— Dádiva… tu és única.
E eu sabia que ele tinha razão. Nunca ninguém havia me feito sentir assim. Era meu primeiro beijo, e ao mesmo tempo, parecia que eu já sabia exatamente o que estava sentindo. E, no fundo, eu sabia que aquele momento era só o começo de algo intenso… perigoso… e impossível de esquecer.