Capítulo 7

1339 Palavras
– Não se mexe – diz Lidiane, algum tempo depois, passando um batom vermelho nos meus lábios. Estava me sentindo estranha em um vestido rosa– claro de bojo. Quase que não serviu e era justo demais. – O que você passou no seu cabelo? – questiona quando tenta arrumar. Dou de ombros. – Só lavei com água. – Não usou condicionador? – Nem shampoo – Lidiane para por um instante, me olhando, antes de voltar a tentar arrumar meu cabelo. – Você trouxe shampoo e condicionador? – pergunta baixo. Nego com a cabeça. Havia me acostumado em não usar. Não era sempre que mainha podia comprar. – Vou dar um jeito de comprar pra você. – E sabonete também – Ela assenti. Lidiane consegue prender todo meu cabelo, sem deixar nenhum fio solto. – Não tá perfeito. Mas tá bom – comenta quando me olha com atenção. – Pra o que estava – diz Kauane, vestida no vestido vermelho, que realçava suas curvas. O cabelo crespo estava solto e moldurando o rosto fino. Mexo as mãos na frente do corpo nervosa. – Vamos – diz Lidiane, quando termina de passar batom em seus lábios. Permito que passem em minha frente, obrigando minhas pernas rígidas a andar. Meu coração batia descompensado, minha testa e minhas mãos suavam frio e minha boca estava seca. Boa parte das meninas estavam em pontos estratégicos da sala espaçosa, calçadas em seus saltos finos ou de sandálias com salto bloco. Todas vestidas em seus vestidos curtos e justos, evidenciando o que tinham de melhor. Kauane anda com a postura reta entre elas, abrindo a porta da frente e se posicionando lá, cumprimentando uma vez ou outra, pessoas que passavam por ela. Dona Jô vestida em um vestido longo verde, vai até um pequeno aparelho de som ao lado da TV e o liga, preenchendo o lugar com um samba. Aos poucos, os primeiros homens chega, a cumprimenta e até estabelece alguns minutos de conversa, antes dela chamar uma garota e o mesmo ser guiado até o segundo andar. Assim acontece sucessivamente, as garotas são como em um frigorífico. São escolhidas à dedo. Tento me manter “invisível” aos olhos de Jô. Escondida atrás da escada, de modo que conseguia ver quem chegava, sendo um pouco difícil me verem de onde. Algum tempo depois um homem com desenhos no cabelo, corrente de ouro no pescoço e vestido numa camisa de time, chega. Kauane se aproxima dele sorrindo, trocando poucas palavras, já que ele vai na direção de Jô, pegando a carteira de onde tira duas notas de cem reais. Os olhos de Jô vagam pelo cômodo. Lidiane e Katiane já não estava mais ali, e só havia eu, Kauane e mais duas garotas. Kauane me nota, apontando na minha direção, dou mais um passo para trás, respirando pela boca, a medida que ouço alguém se aproximar. – A Jô mandou você ir para o segundo andar – diz Kauane ríspida. Nego rapidamente, meu coração martelando com força em meu peito. – Não se faz de s***a não, garota – Ela segura meu braço com força, enfiando as unhas pontudas em minha pele, me puxando de onde estava. O homem se mantém ao lado de Jô, observando o desenrolar daquela cena. – Mostre para ela o quarto – diz Jô, usando uma voz paciente, que tinha quase certeza absoluta que não era dela. Kauane me puxa pelos degraus da escada até o segundo andar, onde apenas dois quartos com as portas aberta. Sou empurrada para dentro de um, tendo a porta fechada atrás de mim em seguida. Olho com atenção o cômodo sem janela, com apenas uma cama de casal simples e uma lixeira perto da porta. O pânico se apossa de uma vez do meu corpo, instintivamente me viro para a porta numa tentativa de fugir dali, sendo impedida, quando a mesma abre e o homem de segundos atrás surge em minha frente. Ele entra no quarto, fechando a porta de costas, com seus olhos fixos em mim. Dou alguns passos para trás de cabeça baixa, sem conseguir o olhar nos olhos. Ele se aproxima devagar, levando uma das mãos para um dos meus s***s, enquanto a outra pousa na minha cintura. Minha respiração se torna mais rápida e tensa. Me sentia em estado de alerta. Ele tenta erguer meu vestido, mas o detenho, baixando a barra bruscamente. – Vai mesmo se fazer de difícil? – zomba, inclinando a cabeça na direção do meu pescoço, sua mão volta a apertar meu seio e a outra a tenta entrar por de baixo do vestido. Fecho meus olhos com força, o golpeando na virilha o mais forte que posso. Ele geme de dor, se curvando sobre o corpo. – Sua p**a!! – grita, pressionando os lábios com força. Mentalmente traço uma rota de fuga, decidindo que passaria por cima da cama para chegar até a porta. – Ah, você não vai não! – grita quando subo na cama, me segurando pela perna – Paguei por você! Vou comer você, querendo ou não! – diz colocando seu peso sobre mim. Me debato, usando minhas unhas para arranhar o rosto dele. Ele aperta meu pescoço com força, fazendo o ar sumir em poucos segundos. Cravo minhas unhas em seu rosto, vendo o sangue brotar no corte causado pela minha unha. Irritado, desfere um murro no meu rosto, que me deixa zonza. Sinto meu nariz úmido e o lado esquerdo do meu rosto alternar entre dor e o latejar. Ele se coloca de pé em frente da cama, passando ás pontas dos dedos no rosto. – v*******a! – diz cuspindo em cima de mim, antes de sair do quarto, batendo a porta na parede ao abri – la. O escuto ainda enfurecido no andar inferior, praticamente aos gritos e em seguida uma dupla de passos subir a escada. Jô se aproxima da cama, segurando meu rosto com força. – Levanta! – Minha visão estavam embaçada e meu corpo dolorido. Obedeço com dificuldade. Kauane estava parada na porta com os braços cruzados sob o peito. – Tem consciência do que fez?! – Jô grita – Rubinho pediu o dinheiro de volta, por que você fez o favor de arranhar a cara dele toda! – Ela segura meu rosto novamente, fazendo com que as unhas furassem minhas bochechas – Poderia fazer a mesma coisa com você. Deixar você com tanta cicatriz, que ninguém iria querer f***r você – Ela me solta bruscamente – Mas não vou fazer isso não. Seria prejuízo para mim – diz dando as costas, desferindo um t**a de repente no meu rosto – Não quer dizer, que não possa bater em você. Seguro o lado que Rubinho e agora Jô tinha batido, sentindo as lágrimas molhar meu rosto. Ela continua, alternando entre murros, puxões de cabelo e ponta pé. A única reação que tenho, é me agachar e gritar, tentando proteger minha cabeça. – É melhor agora pensar duas vezes antes de agredir algum cliente – diz sem fôlego – Amanhã vai limpar a casa toda sozinha. Sem ajuda de ninguém. Permaneço encolhida no chão até ela sair com Kauane em seu encalço. Só então, as lágrimas vem com mais intensidade e sinto todas as dores do meu corpo ao mesmo tempo. Mais a dor pior não era física. Depois de algum tempo ouvindo gemidos e cabeceiras de cama batendo contra a parede, saio do quarto arrastando meus pés pelo corredor pouco iluminado. Minhas pernas se mostram ao rígidas, ao subir os degraus restantes para o terceiro andar. Pego as roupas que estava vestida antes e minha toalha e vou para o banheiro. O banho parecia a única coisa que podia me confortar naquele momento. Parada em frente espelho do banheiro, ainda molhada, noto meu rosto inchado mas, principalmente um dos meus olhos quase fechado por causa do inchaço. De volta no quarto, nenhuma das outras meninas haviam voltado, o que me fez me arrastar para a cama de cima do beliche e me cobrir por completa.
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