A dor é lancinante. Nunca vivenciei nada tão terrível. Um buraco no peito; uma dor que não é física, mas que é possível sentir na pele, queimando, corroendo, destruindo uma parte de mim. Porque Theresa era uma parte de mim. Uma parte que se desenvolveu, nasceu e foi criada comigo, dividindo cada experiência, cada minuto da minha existência. Ela era a pessoa com quem eu não mantinha nenhum segredo; por ser parte de mim, Theresa me conhecia do avesso, assim como eu a conhecia. Imaginar um mundo onde ela não exista é tão surreal e doloroso que me falta o ar. É como sentir uma parte de mim ser extirpada sem anestesia, sem que eu possa fazer nada para reverter a maldita situação. — Eu sei que esse momento é muito difícil e doloroso — um dos médicos recomeça a falar, de forma cadenciada. — Contu

