— Desde muito nova fui preterida por meus pais, que viviam em seu mundo particular, preocupados demais com dinheiro, festas e reconhecimento social. Ainda era criança quando minha mãe foi internada em uma clínica de reabilitação pela primeira vez, após uma overdose acidental de comprimidos que quase tirou sua vida. Fui eu que a encontrei, caída no banheiro, convulsionando, e liguei para a emergência. Nesse dia, no corredor do hospital aguardando notícias sobre sua saúde, escutei do meu pai que seria melhor tê-la deixado morrer. Um burburinho começa após esse meu comentário. Engulo em seco e aguardo que o silêncio volte a reinar para continuar: — O fato é que mamãe não morreu e, infelizmente, tampouco aprendeu com o trauma vivido. Continuou usando todos os tipos de drogas, principalmente ál

