Diante do janelão envidraçado do escritório ao lado da presidência, sua antiga sala como assistente-executiva, Amanda, com os braços cruzados numa atitude absorta, olhava o prédio vizinho. E não era qualquer um o prédio vizinho. Erguida por um conjunto de vidros com vãos de bronze e alumínio, em cinquenta e oito andares mais o terraço, inaugurada em 1972, a Tour de Montparnasse abrigava cinquenta e dois escritórios e cinco mil pessoas. Construída diretamente sobre o metrô, o prédio mais alto da França e, durante um bom tempo, o mais detestado pelos franceses. Era a parte moderna, estilosa que revelava outra faceta da cidade, a capacidade de ser duas em uma: a clássica e a contemporânea. Dez minutos de alheamento e a tentativa de controlar as emoções perdia terreno para sentimentos contra

