Negando o desejo

1197 Palavras
Carmen me entregou algumas roupas e cuidou do corte na minha cabeça, dando-me instruções sobre o funcionamento básico da casa. A mulher é extremamente profissional, direta e não disse nada sobre Leonardo. "Te busco amanhã às sete da manhã", disse ela antes de sair do quarto e trancar a porta. Sou uma prisioneira aqui. Afasto qualquer pensamento que possa me causar ansiedade e pego a toalha que ela deixou comigo. Vou ao banheiro determinada a arrancar essa maldita lingerie que estou usando. O banheiro é três vezes maior que o meu antigo, com uma banheira grande o suficiente para duas pessoas, um chuveiro e uma seção com uma penteadeira e um espelho enorme. Em outras circunstâncias, eu ficaria deslumbrada com a opulência que cada canto desta casa exala. Mas as palavras de Leonardo não saem da minha cabeça. Uma gaiola luxuosa. Se ele acha que vou me curvar ou abrir as pernas só porque ele manda, então teremos um problema. Vou garantir que ele entenda que cometeu o pior erro da vida ao me aceitar como pagamento pela dívida do meu pai. Arranco minhas roupas e entro no chuveiro quente, relaxando enquanto o calor toca meu corpo dolorido. Começo a me lavar e, enquanto passo a mão pela minha coxa, ainda consigo me lembrar do toque de Leonardo em mim. Tão perto e, ao mesmo tempo, tão longe de onde eu gostaria que estivesse. Sou surpreendida por um gemido que escapa dos meus lábios ao imaginar aqueles dedos no lugar certo. Preciso mudar a temperatura da água para fria, na esperança de que isso acalme o fogo que estou sentindo. Saio do chuveiro minutos depois, me sentindo revigorada. Me enrolo em uma toalha e me amaldiço por ter deixado minhas roupas na cama. Abro a porta descuidadamente e um breve grito de surpresa escapa dos meus lábios. Leonardo está sentado na cama, olhando para as roupas que Carmen trouxe para mim. "Amanhã você vai às compras com Marcos, preciso que esteja apresentável para os sócios que vou encontrar aqui", diz ele sem me olhar diretamente. Aperto a toalha com mais força e dou um passo para trás. Leonardo finalmente me olha, e vejo luxúria estampada em seu rosto ao me ver seminua. "Muito bem, agora saia" é tudo o que consigo dizer. O di@bo sorri para mim e levanta a mão, fazendo um gesto com o dedo indicador. Não me mexo, pensando seriamente na cela no porão, e tenho certeza de que prefiro aquele lugar agora. "Não me faça ir buscá-la", diz ele friamente. Engulo em seco e dou um passo, apertando ainda mais a toalha em volta do meu corpo. Quando estou a um braço de distância, Leonardo agarra minha cintura e me puxa para mais perto. Vejo-o inspirar profundamente, sentindo o cheiro do sabonete de jasmim. "Você é linda, passarinho", sua voz está cheia de desejo, mas meu corpo treme de medo. Nunca fui além das preliminares com ninguém. Não sou nenhuma santa; gosto de ser tocada, já desejei isso e sei o efeito que causa nos homens, mas nunca fui além disso. "Não tenha medo, passarinho", diz Leonardo, percebendo minha hesitação. Ele aperta os dedos na minha cintura, e todo o desejo que senti no chuveiro, pensando em seus dedos em mim, desaparece. Sua mão vagueia, esticando um pouco mais a toalha, e não consigo conter um soluço de medo. Seus dedos congelam perto da abertur@ da toalha, agora tremo incontrolavelmente. "Por favor, não faça isso", imploro, enxugando as lágrimas. Odeio chorar na frente dele, demonstrando fraqueza e medo. "Você está com medo de mim?", sua voz está mais fria que o normal. Aceno com a cabeça, sem confiar na minha própria voz. "Palavras passarinho", ele ordena sem precisar levantar a voz. "Sim", a sinceridade em minha voz o faz abaixar a mão. "Que bom", ele diz, sem esconder a satisfação que sente por me provocar isso. Solto um grito quando ele me puxa pela cintura e me joga na cama, depois sobe em cima de mim, colocando as mãos ao lado da minha cabeça. Uma toalha se abre brevemente sobre meu corpo, expondo boa parte das minhas coxas. Seu joelho se encaixa entre minhas pernas, e posso sentir seu calor ali. “Eu poderia te beijar, poderia venerar seu corpo e te fazer implorar para que eu te fodesse até você esquecer seu nome”, diz Leonardo, olhando nos meus olhos e depois nos meus lábios. Meu centro se contrai, traindo meu medo e minha mente. “E-eu nunca”, começo a dizer, e nem preciso terminar a frase antes que seus olhos se encham de surpresa. “Você é virgem, Lilian”, o que deveria ser uma pergunta sai como uma afirmação. Vejo seu olhar brilhar, mais um desafio para ele, mais uma conquista. Ele se apoia em apenas uma mão e usa a outra para acariciar meus lábios. “Boa noite, passarinho”, diz ele e se afasta, me deixando surpresa. Solto o ar que nem sabia que estava prendendo. Leonardo me encara enquanto pego minhas roupas e corro para o banheiro. Consigo vê-lo sair do quarto com um sorriso no rosto antes de fechar a porta do banheiro completamente. Visto o moletom, que é mais seguro do que a camisola de renda que está entre as roupas. Permaneço o máximo que posso no banheiro; minhas mãos ainda tremem, mas isso é por causa do que ele fez com meu corpo. A mistura de medo e desejo era inebriante; embora eu não quisesse ceder a ele, meu centro pulsava descaradamente, ansiando por seu toque. Eu podia ver o brilho nos olhos de Leonardo, no momento em que ele decidiu aceitar o desafio que eu representava. Passo a mão pelos cabelos, sentindo-me exausta; definitivamente foi demais para um dia só. Saio cautelosamente do banheiro, procurando o homem que comprou minha liberdade. Quando tenho certeza de que estou sozinha, deito-me na cama. Olho para o teto pensativa, o que exatamente significa ser de Leonardo? Sou propriedade dele agora. Isso significa que tenho que fazer tudo o que ele manda? Tenho que fingir ser seu animal de estimação e abanar o r@bo para ele? Não tenho dúvidas de que ele colocaria uma coleira com o nome dele no meu pescoço se quisesse. Só de pensar nisso, estremeço, e percebo que, se pretendo recuperar minha liberdade, terei que fugir ou morrer tentando. Leonardo recuou hoje; ele está me provocando, mas sei que em algum momento sua paciência vai se esgotar, esse jogo vai ficar entediante e ele não vai parar. Quando esse dia chegar, pretendo estar bem longe daqui. Respiro fundo, vendo que já passa das duas da manhã e estou exausta. Amanhã preciso entender a rotina da casa, ver como funciona e começar a planejar minha fuga. Me cubro com a manta que está nos meus pés e apago a luz do abajur. Fecho os olhos e sonho comigo amarrada a uma cama com uma coleira de diamantes com o nome de Leonardo. Ele está me olhando do pé da cama, estudando meu corpo inteiro com um desejo visível. Mas a pior parte de tudo isso é que eu gosto.
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