Ethan estacionou a moto na frente de um dos hotéis de luxo de Manhattan. Por um momento Beatriz se perguntou se ele não estava querendo impressiona-la. Impressioná-la com dinheiro seria algo difícil já que sua família fazia parte dos old money da cidade.
A ideia de que ele tivesse tentando impressioná-la logo se desfez quando os funcionários o receberam com familiaridade.
_ Vem sempre aqui? – Ela perguntou assim que entraram no elevador.
_ Apenas quando visito a cidade.
_ E você vem com frequência a Nova York?
_ Somente quando necessário.
_ Isso quer dizer que não gosta de Nova York?
_ Talvez só tenha me faltado incentivo.
_ Então é uma pessoa – A porta dos elevadores se abriram e eles saíram no ultimo andar.
_ Sou uma pessoa… - Ele a incentivou.
_ Uma pessoa com tempo para viajar?
_ Parece que despertei sua curiosidade – Ethan abriu a porta da suite para que ela entrasse. Como o esperado, o lugar era impecável, como um mini-apartamento com varandas largas e suite.
_ Isso é r**m? – Ela perguntou avaliando o quarto.
_ De modo algum – Ele ajudou a tirar o casaco quadriculado cinzento em que ela estava, a deixando apenas de camiseta e calca jeans.
Somente naquele momento ela se deu conta de que estava sem sutiã, pois na pressa em ajudar a prima, saiu do jeito que estava.
_ Nossa! Eu sai com tanta pressa que nem troquei de roupas.
_ Pra mim está perfeita – Ethan também tirou a jaqueta, voltando a ficar somente com a camisa preta e o jeans.
_ O que você quer jantar? – Ele perguntou a ela – As vezes eles demoram um pouco para preparar.
_ Eu nem estou com fome.
_ Uma pizza então?
_ Sim – Ela adorou a sugestão.
_ Tem preferência pelo vinho ou posso escolher?
_ Pode escolher.
Ethan ligou para o restaurante para fazer o pedido do jantar e Beatriz se dirigiu para a bela varanda da sala. Agora, sem o casaco, pode sentir a brisa fria abraçar o seu corpo e a sensação foi agradável e familiar. Ela amava o clima de Nova York no outono.
Por um momento ela se sentiu completamente distante de sua vida real. Não conseguia se imaginar no quarto de um estranho. Não ela. Não Beatriz Müller, a senhora certinha.
Ethan a abraçou por trás, de forma inesperada, beijando seu rosto. Todo o corpo dela se aqueceu de um jeito diferente de qualquer coisa que já tivesse sentindo. O ato a fez estremecer, desejando que aquele momento não acabasse, que a noite não terminasse.
Os braços dele eram tão fortes e protetores. Ele era bem mais alto do que ela, exatamente como ela gostava. Era perfeito demais para ser verdade.
Por que era tão diferente tudo o que estava sentindo? Era como se ele fosse a pessoa que secretamente procurava. Sua alma gêmea. Mas Beatriz já era uma mulher e sabia que almas gêmeas não existiam, tão pouco príncipes encantados. Ethan era apenas um jovem que queria se divertir aquela noite e seria muito bom se ela não ficasse fantasiando as coisas como uma adolescente na puberdade.
_ Você tem um cheiro maravilhoso. Ele me lembra alguns perfumes, mas com um fundo diferente de qualquer outro.
_ Minha prima é perfumista e fez essa fragrância especial pra mim.
_ Sério? Ela é realmente boa no que faz.
_ Ela é a melhor.
_ E você? O que faz? No que trabalha? – Ele perguntou a virando de frente pra ele.
_ Você não é o Sherlock Holmes? Por que não adivinha? – Ela o provocou e ele sorriu.
_ Eu tenho um palpite, mas se eu acertar vai achar que sou algum stalking.
_ Fala – Ela o encoraja e ele reluta por um momento.
_ Uma advogada?
_ Errou – Ela quase pulou de agitação, como uma criança que ganha o jogo pela primeira vez – Você nunca acertaria.
_ Não diz isso. Não sou bom em ser desafiado – Ele diz e ela abre um sorriso largo.
_ Não tem como acertar. Seria quase impossível.
_ Hum… E se eu acertar? O que eu ganho?
_ Não vai conseguir.
_ O que eu ganho? – Ele insistiu olhando nos olhos castanhos dela.
_ O que você quer?
_ Você – Ele decreta e ela permanece perdida diante do que ele disse.
_ Como assim?
_ Exatamente como eu disse.
_ Você é louco – Ela sorriu meio perdida diante de toda aquela loucura, mas Ethan não tinha como adivinhar.
_ Não vai acertar.
_ Me responda três perguntas.
_ Tá, mas se for muito direcionada, não vale.
_ Tudo bem – Ele concorda procurando a primeira pergunta.
_ Qual a área? Humanas, exatas, saude, artes, moda?
_ Não. Não posso dizer. Faca outra – Ela se recusou temendo que ele chegasse facilmente a resposta.
Ethan a observou com mais atenção. Olhou para suas mãos, o corpo, as roupas que estava usando. Naquele momento ela se sentiu como se estivesse despida diante do olhar exigente do rapaz.
_ Você usa óculos quando está trabalhando? – A pergunta fez ela sentir um ligeiro frio na barriga, como se ele a estivesse vendo trabalhar.
_ Sim.
_ Você segue protocolos ou usa sua criatividade?
_ Os dois.
_ Qual dos dois tem mais peso?
_ Essa é a sua última pergunta.
_ Eu sei.
_ A criatividade.
_ Hum… interessante.
_ Então, o que acha que sou? – Ela pergunta e ele ri.
_ E como eu vou saber se realmente acertei ou errei? Tipo, a aposta é muito alta.
_ Eu não vou mentir pra você.
_ Mas preciso de garantias.
_ Tenho como te provar pelo celular – Ela garantiu e ele sorriu como se ela tivesse dito algo engraçado.
_ O que foi?
_ Sua inocência está acabando comigo.
_ Por que inocência? O que foi? – Ela tentou entender o que poderia estar fazendo para estar dando bandeira – Por que eu falei que tenho como te provar com o celular?
_ Você é uma estilista – Ele sussurrou no ouvido dela. Por um momento ela achou que estivesse delirando.
_ Não – Ela falou horrorizada e ele pareceu surpreso – Quero dizer… como fez isso? É impossível que descobrisse apenas com aquelas perguntas.
_ As perguntas me direcionaram, mas a resposta quem me deu foi você.
_ Mas eu não pareço uma estilista.
_ Sim, você disse isso quando falou que seria impossível acertar sua profissão. Suas roupas não são aleatórias, elas seguem um estilo casual de quem não gosta de chamar atenção. Se fosse uma arquiteta, ou qualquer outra profissão, seu look teria erros de uma pessoa que não se importa com o que veste.
_ Ai meu Deus! Espera. Mesmo assim. Caramb@! – Ela ficou muito perdida com tudo aquilo. A campainha do quarto tocou e Ethan recebeu o jantar. Ele montou a mesa com as pizzas e o vinho.
Beatriz relembrou o que tinha prometido a ele e se perguntou se ele levaria a aposta a sério. O simples pensamento a fez rir do absurdo. Era óbvio que aquilo era só uma brincadeira. Não tinha como ela pertencer a ele.
Se sentando na cadeira, ela cortou a pizza com os talheres enquanto Ethan levou o pedaço a boca.
_ Tá e agora o que acontece? – Ela não aguentou a ansiedade e perguntou a ele.
_ Sobre o que?
_ A aposta.
_ Eu ganhei. Agora você é minha. Não foi essa a aposta?
_ Você sabe que isso é impossível.
_ Eu não sei. Sei que agora você é minha e estou adorando isso – Ele diz sorrindo e ela ri meio perdida em toda aquela loucura. Ainda sorrindo ela pega a taça de vinho e leva a boca, sentindo o sabor concentrado da bebida porém não muito forte.
_ O vinho te agrada?
_ Está perfeito – Ela admite surpresa com a perfeição do sabor da pizza associada ao vinho.
_ E eu aprendi uma coisa a seu respeito – Ela diz pensativa.
_ O que? – Ele ficou curioso.
_ Não te subestimar – Ela fala e ele a olha com uma intensidade e seriedade que revirou seus nervos.
_ Quem é você Ethan? Como pode ser tão bom em ler as pessoas? Isso é meio assustador.
_ Acontece naturalmente. Não consigo evitar.