Salto no tempo!

2443 Palavras
Quatro anos se passaram muito rápido, eu me recuperei completamente, terminei meu curso, me formei com louvor, aprendi a lutar para me defender, aprendi a usar uma katana e uma arma, se as pessoas tivessem um pouco mais de juízo aprenderiam isso desde cedo, mas geralmente nós achamos que coisas ruins só atingem aos outros e não a nós mesmos, até que elas atinjam. Eu podia jurar que o tempo passou para mim em alguns aspectos mas em outros paralisou, eu já não era a mesma menina de antes, minha maturidade fluiu ainda mais aflorada depois do "incidente", mas alguma coisa estancou dentro de mim o sentimento de ódio que eu tinha, Aníbal e os outros a essa altura já se esqueceram de mim e do que fizeram, acham que estão agora livres do julgamento e do castigo, mas era isso que eu queria, que eles relaxassem e não esperassem mais nada. Aníbal não vinha até minha casa e meu pai estranhou aquilo assim como estranhou também o fato de eu ainda não falar uma única palavra sequer depois de tanto tempo eu empurrava isso com a barriga, aprendi libras o sinal que os surdos usam para se comunicar, o que me ajudou bastante a me expressar. Como eu desconfiei o reitor estava mesmo interessado em mim, porém depois de múltiplas tentativas falhas acabou desistindo e investindo seu tempo em outra aluna, eu era uma mulher muito bonita e atraente, meus cabelos vermelhos chamavam mais atenção do que eu queria até pensei em pintar mas desisti, sempre que os via eu lembrava da minha mãe, me disseram que ela tinha os cabelos assim, meu corpo não guardou nenhuma marca do que me fizeram os cirurgiões cuidaram disso, apenas uma única marca havia ficado, mas eu pedi que a deixassem, a da facada no ombro, eu queria ela ali para me lembrar de que tudo cicatrizava e de que nada era eterno. Talvez a minha dor fosse eterna e não passasse jamais, porém eu queria acreditar que não, na minha cabeça eu achava que assim que me vingasse eu voltaria a ser a mesma Eva de antes, como se a outra Eva, a do paraíso também pudesse descomer a maçã e fingir que está tudo bem, eu não sabia que as coisas poderiam piorar ainda mais Quando fiz 24 anos e já tinha um emprego melhor na CTR, um cargo de diretoria e era respeitada por todos, comecei a por em prática meu plano, a psicóloga que colocaram para me atender já havia desistido de me fazer falar, eu não falaria com ela até que meus inimigos tivessem caído um a um. Comecei a frequentar lugares que eu sabia onde estariam, em uma noite vi Aníbal sair de um bar, estava com duas vagabundas e a jaqueta dos cobras, olhei com ódio pra ele, então ele enganou meu pai havia dito que não estava com a gangue, mas ostentava uma moto nova e roupas caras, tirou a família da lama e os levou para um lugar seguro da cidade média , onde viviam os de melhor condição, mas que ainda não eram dignos de estar na metrópole. O inferno daquela cidade insistia em fazer com que andássemos em fila do pior para o melhor, como se todos não fossemos feitos da mesma porcaria, todos sacos podres de carne. Ele vai embora com as mulheres na moto e eu posso em fim entrar no lugar, ele me conhecia mas naquele lugar ninguém mais. Minha calça preta grudada no corpo e a camiseta preta me davam um ar descolado de quem estava prestes a cometer um crime, como todos ali naquele lugar, uma boina pairava sob minha cabeça para cobrir meus cabelos, um batom vermelho cheguei nos lábios e uma bota preta de cano longo que escondia minha faca e uma 357 Magnum, a arma de pequeno porte estava carregada e pronta para ser usada caso eu precisasse. Entro mantendo minha postura descontraída e segura, assim não desconfiariam de mim, sento no balcão sem olhar para os lados e nem para parte alguma, uma mulher cantava no pequeno palco improvisado uma música que falava de amor e traição, talvez ela contasse a história de minha mãe. Um homem me pergunta o que eu quero __ Um Scott com gelo! Digito e mostro o celular para ele. Nada de usar por favor em um lugar como esses. __ Primeira vez por aqui? __ Sim, acabei de me mudar para a região, soube que aqui tinha boa bebida e música que não estourem os tímpanos. __ Ha, ha, ha, gostei de você moça, faz tempo que não fala? __ Desde que nasci! Aquilo não deixava de ser verdade, nasci de novo naquele hospital, ele não disse mais nada, não é difícil enganar um homem, ainda mais um daquele tamanho, muita massa corporal e pouco cérebro, bastava algumas lisonjas e as palavras certas para fazê-los virarem cachorros domesticados. Pego minha bebida e tomo de um gole só pedindo outro __ Problemas moça? __ Não, apenas soluções! Vou me sentar ali perto da cantora, tudo bem ? __ Pode ir eu mando sua bebida para lá. Desligo o celular e vou para perto do palco, preciso estar em um local de boa visibilidade, quero ver se encontro algum daqueles canalha por aqui, no meu caminho até lá encontro com um deles, não é o líder ainda, é o que me deu a facada no ombro, não sei o nome dele, mas eu não me esqueceria de nenhum daqueles rostos jamais, nem em um milhão de anos. Meu coração acelera por alguns instantes e eu levo a mão instintivamente ao cano da minha bota, mas me acalmou a tempo assim que ele para no palco e da um beijo na cantora, já sei como atrai-lo, me sento na mesa e fico observando os olhares que eles trocam, então ele tem um ponto fraco, é capaz de amar alguém, como um lixo daqueles podia ter sentimentos, e ainda mais ser correspondido ? Pego em um cartaz o telefone da moça que cantava e vou embora depois de pagar a conta, lá fora respiro aliviada, a adrenalina do momento tomando conta de mim, sinto meu sangue pulsar em casa veia do meu corpo, é estranho eu me sentir assim tão cheia de vida depois de um momento perigoso. Naquele instante eu não sabia dizer o que era aquilo que senti, mas hoje eu sei que era o chamado pico de ira, que o corpo libera antes de um assassino cometer um crime, eu tinha aquele pico em mim desde que nasci, escondido no meu genes apenas esperando o momento certo para sair e atacar. Pego o velho carro que meu pai conseguiu comprar do amigo e vou embora imaginando como uma mulher tão talentosa apesar de não ser bonita podia ficar com um homem desprezível daquele ? Tanto faz, afinal eu vou fazer um favor para ela a livrando daquele traste, chego em casa e papai já esta me esperando preocupado. __ até que em fim você chegou, por que demorou tanto ? sabe que não consigo dormir até você chegar e que cheiro de bebida é esse? Ele joga em cima de mim mil acusações, prefiro fingir que não ouço é melhor, sei que ele só que o meu bem, mas ele sabe que não sou mais um alvo fácil para ninguém, digito no celular " Tudo bem pai, só sai pra dirigir um pouco, acabei encontrando uma amiga do curso e tomei uma dose com ela, não se preocupe tanto comigo, estou segura " Tiro a arma do cano da bota e mostro para ele, a principio ele foi contra aquela história de eu andar pra cima e para baixo armada, mas acabou aceitando e percebendo que eu precisava daquilo para me sentir segura novamente. __ Não gosto quando você some, da ultima vez quase te perdi minha filha, não quero passar por aquilo de novo. Abraço ele carinhosamente, é a primeira vez desde aquela maldita noite que eu abraço alguém, não sei se senti algo de fato com aquele abraço, nem de bom e nem de r**m, mas em se tratando dos meus traumas aquilo foi um avanço e tanto, ele percebe que algo está mudando em mim e diz __ Está melhorando não é meu amor? Balanço a cabeça afirmando e vou para o meu quarto antes que aquilo vire uma cena melodramática demais, checo meus emails e não tem nada importante, então vou fuçar nas redes sociais da cantora, não tem nada sobre ela e o infeliz, nem uma foto sequer, no status tem solteira, então talvez ela não seja assim tão apaixonada por ele, desligo o notbook frustrada apesar do meu feeling me dizer que tinha alguma coisa ali. Durmo sem pensar mais naquilo, os pesadelos continuam me visitando todas as noites e muitas vezes preciso de remédios para dormir, eles me deixam irracional e eu não gosto de me sentir assim, por isso quase não os tomo. No dia seguinte recebo um convite inusitado e bem conveniente, a tal cantora vai se apresentar para alguns conhecidos no museu de artes ou no que restou dele, aceito de pronto o convite para espanto geral, já que eu sempre recusava os convites. Se não fosse o destino me dando uma resposta em forma daquele convite eu não sabia mais. Vou trabalhar com a cabeça longe, faço minhas obrigações no automático quando um babaca chamado Brady me intercepta, ele é chefe de T I, sabe desses que passam o dia inteiro sentados em frente a um computador apenas crescendo a barriga ? Ele tinha uma capacidade surreal de me tirar do sério . Talvez eu o matasse também, mas ele não seria o primeiro, com certeza não. Meus ímpetos assassinos só cresciam a cada dia e a certeza do que eu faria com Anibal também, eu esperava não recuar e nem fraquejar. __ E ai miss antipatia, eu soube que aceitou um convite, agora somos dignos da sua companhia? Finjo que não ouço como sempre, mas ele continua a provocar insistentemente, quando ele toca no meu ombro não aguento, estou prestes a explodir quando outro homem se coloca entre nós dois. __ Você não cansa de ser o****o não Brady, deixa a garota em paz ! Fico olhando para o homem que me defende, nunca o vi ali antes, ele é alto e forte e parece intimidar Brady, que coloca o rabinho entre as pernas e sai dizendo __ Desculpe senhor! Ele então se vira para mim, é um homem muito bonito e atraente, sinto até um certo tremor quando o vejo, mas nada além disso, ele me pergunta __ Você está bem? sinto muito por isso, ficarei atento a nossos funcionários babacas a partir de agora . Tento forçar um sorriso mas o que sai é uma careta no máximo, ele ri achando graça e eu volto a minha pose séria. __ Você não é muito de sorrir não é ? Balanço a cabeça negando para afirmar que ele está certo __ E nem de falar pelo que vejo! Aline a moça que senta na mesa ao lado da minha me olha com pena e intervém __ Ela é muda senhor, não fala! Ele me olha visivelmente constrangido e diz baixinho para a moça __ Como ninguém me avisa antes de algo assim. __ Achei que soubesse. __ Claro que não sabia. Toco no ombro dele para mostrar o celular. " Tudo bem, não é culpa dela, não estou magoada ou nada do tipo" __ Você me entende perfeitamente? " Com clareza, não nasci assim, é uma condição recente e temporária. " __ Compreendo, vou cuidar para que ninguém a perturbe. Ele sai dando mais uma olhada para mim, Aline vem mais perto e sussurra __ Ele gostou de você! mas quem não gosta ? Ela insinuou mesmo que todos os homens do escritório gostavam de mim? talvez eu fosse mesmo a mulher mais atraente ali, mas também era a menos acessível. Vou para casa mais cedo com a missão de me arrumar e ir para o tal coquetel no museu, espero conseguir falar com a moça, talvez ela sinta pena de mim se eu der uma de vítima . Em casa aviso a papai sobre o que farei esta noite para evitar outra cena, ele concorda e me pede para tomar cuidado, não preciso de cuidado, tenho minha magnum para cuidar de mim e me manter fora do alcance. Escolho um vestido vermelho, ele vai até meu joelho mas em uma das pernas tem uma f***a que deixa a mostra parte da minha coxa, calço uma sandalía prateada de salto altíssimo que me confere um ar de elegância e delicadeza, deixei meus cabelos soltos e longos caírem sobre meus ombros, joguei-os de lado para dar um ar mais sensual, me maquiei delicadamente e sem exagero, mas eu não precisava daquilo, coloquei minha arma na bolsa a tiracolo e sai, esperando voltar para casa com uma boa notícia, papai me olha de olhos arregalados. __ Nossa filha, está tão linda ! Dou um sorriso quase sincero para ele que sorri de volta com lagrimas nos olhos, ergo os ombros e as mãos em um gesto que quer dizer, o que foi ? __ Nada não minha filha, só estou feliz de ver você assim. Ah papai se soubesse o que realmente se passa pela minha cabeça não estaria assim tão feliz, naquela noite todos passaram a me olhar de um modo diferente inclusive o rapaz que me defendeu e que eu soube depois que era o filho do chefe . Consegui me aproximar da cantora com sucesso e em uma semana eu já tinha as informações necessárias para encurralar o cara, ele se chama Mario e ela não o ama apenas tem medo de terminar a relação, e vive sob constante ameaça, o que uma pessoa não fala quando sabe que a outra não pode falar o que ouviu? Plano traçado e pronta para seguir adiante com seja lá o que for que eu vá fazer, inicio assim minha jornada em busca de vingança, e não vou deixar duvidas quanto a quem sou e o que quero, aqueles que fizeram isso receberão meu recado e verão um a um seus amigos caírem sem nada o que fazer a não ser esperar sua hora, tomados de terror, assim como um rato preso nas garras de um gato que sabe que seu fim é a morte e deseja ela mais que tudo apenas para se ver livre das torturas do gato, eu sou o gato e eles serão meus ratos!
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