Dia estressante

1456 Palavras
Kadu Depois de passar o dia no escritório com meu pai, tudo o que quero é chegar em casa e apagar por algumas horas até a hora da festa mais aguardada do semestre... A minha. Atualmente sou o cara mais f**a e cobiçado pelas garotas do campus. Não existe uma que ainda não se rendeu ao meu poder de persuasão. Quer dizer, existe uma, mas essa logo vai ceder. É uma questão de tempo. Chego ao estacionamento e antes que eu entre no carro, meu pai me alcança. O que ele ainda deseja falar comigo depois de um dia totalmente estressante? - Kadu, preciso que você faça um favor para mim. - Pai, podemos deixar os favores para segunda-feira? Hoje foi um dia puxado, em um sábado onde eu deveria estar curtindo... - Os assuntos da empresa que por sinal um dia vai ser sua e do seu irmão são as suas prioridades... - Pai, eu já conheço esse discurso, então vamos pular direto para a parte importante? - Eu estava louco para cair fora. - Tem visto seu irmão ou falado com ele? Então era isso? Meu pai queria saber como está o seu filho que se recusa a seguir com as ideias loucas do pai? - Falei com ele ontem. - E... - E só pai. - Ele não mencionou nada para você? - Como o quê, por exemplo? - Sei lá... Algo importante para ele e aquela garota por quem ele decidiu sair de casa. Destravei meu carro e joguei minha pasta no banco do carona antes de me dirigir para o meu pai novamente. - Pai, eu quase não tenho tido tempo nessas férias desde que o senhor me colocou para trabalhar aqui. Se o senhor quer saber da vida do meu irmão, por que o senhor não o procura e pergunta? - falei entrando no carro. - E aquela garota tem nome, Nanda. Sua nora. Dei partida no carro e saí da garagem da empresa. Eu queria ir para casa, mas meu pai me atacaria novamente quando ele chegasse para o jantar. Decidi ir para o meu apartamento no campus, não gostava de ir para lá nas minhas férias, mas no atual momento, eu iria usá-lo para fugir um pouco dessa vida que meu pai me impôs. Quando entrei no estacionamento, poucos alunos estavam no pátio, a maioria sempre viajava nas férias, coisa que eu também deveria estar fazendo, mas por causa da decisão precipitada de Nick, eu tinha sido obrigado a assumir um posto que ainda levaria três ou quatro anos para tomar meu lugar. Não estou querendo dizer que sinto raiva de Nick, de nós, ele sempre foi o mais impulsivo nas suas decisões, e o que sempre tirava meu pai do sério. Mas sempre soubemos levar isso, pelos menos tentamos. Há alguns meses, nossa relação voltou a entrar nos eixos depois que eu lhe contei a verdade sobre o acidente que deixou nossa irmã em coma. A relação dos dois sempre me deixou com ciúmes, mas nada que pudesse prejudicar nossa família. Os dois eram confidentes até o dia em que Eduarda começou a se envolver com drogas, escondendo esse segredo de Nick. Na noite do acidente, eu tinha ido atrás dela após receber uma ligação. Quando os paramédicos chegaram ao local eu assumi toda a culpa para que Nick não soubesse o motivo real. Eduarda achava que Nick a amaria menos se ele soubesse do seu problema com drogas. Perdi a conta de quantas vezes eu tentei convencê-la de falar a verdade, o que foi inútil. No final acabei perdendo dois irmãos, Eduarda ficou em coma e Nick passou a me odiar pelo acidente. E agora que as coisas estavam voltando ao normal, meu pai queria que eu fosse o garoto de recados entre eles. Meu pai não conseguia aceitar que Nick tinha escolhido uma garota n***a e favelada ao invés da família. E por causa de uma garota, ele havia saído de casa, sem se importar em deixar sua mordomia, o que deixou meu pai mais furioso ainda. Minha mãe era a que mais estava sofrendo. Meu pai a tinha proibido de vê-lo, mas eu e Nick encontramos uma forma dos dois continuarem a se ver, mesmo sobre a vigilância do nosso pai. Cheguei ao meu apartamento, que agora era só meu e joguei minha bolsa em cima do sofá e fui direto para a geladeira, precisava de uma cerveja para relaxar um pouco. Ao pegar a garrafa, lembrei que precisava fazer compras para o início das aulas. Antes era Nick que fazia isso, agora sem ele, eu teria que fazer as compras do mês. Tendo o apartamento só para mim, não me importei muito em conseguir alguém para dividir comigo, já que todas as contas eram pegas pelo meu pai. Afrouxei o nó da gravata enquanto sentava largado no sofá. Era uma maravilha sentar e não ouvir nenhum tipo de barulho. Ultimamente o silêncio era sempre bem vindo. Depois de tomar a cerveja, segui para meu quarto me livrar das roupas do escritório e tomar um banho morno para me recuperar do dia de inferno com meu pai. Como a minha presença na festa só seria importante depois da meia noite, eu poderia deitar um pouco e descansar, queria estar 100% na festa. Fiquei no chuveiro mais tempo do que o necessário. Ficar trancado em um escritório o dia todo me custava muito esforço, ainda mais quando esse dia era em um sábado. Joguei-me na cama vestindo apenas uma box preta e esperei pelo sono. Estava quase apagando quando ouvi um barulho no corredor. Parecia salto alto. Que d***a. Só poderia ser Babi. Só ela tinha a chave do apartamento. Droga de novo. Tudo o que eu não queria era ver ou ouvir sua voz irritante, ainda mais hoje que eu estava a ponto de explodir caso ela falasse novamente no anel de compromisso que ela estava insistindo para que eu comprasse. - Por que está aqui Kadu? - ela perguntou assim que abriu a porta. - Como soube que eu estava aqui? - Tive que vir aqui e uma das idiotas que te idolatram me falaram. - disse caminhando até a cama. - E então, o que está fazendo aqui? - Procurando um pouco de paz. - Bom ,já que estamos aqui sozinhos, eu estava pensando... - Pare aí mesmo Babi. Eu acabei de falar que quero paz, isso quer dizer que quero ficar sozinho, entendeu? - Eu entendi muito bem, mas acontece que... - Não quero saber p***a! Achei que agindo assim, ela se tocaria e iria embora. - Olha aqui Kadu, não desconte em mim suas frustrações, ok? Sou sua namorada, mesmo que às vezes você esqueça e me trata como uma dessas vagabundas que você pega... E não me venha falar que não tem outras, por que eu sei. - Se sabe, por que ainda está comigo? - desafiei. - Por que você sempre volta para o que é melhor, além de ser tudo aquilo que o seu pai deseja... Uma garota de família respeitada. - Você se glorifica muito Babi. Ninguém é insubstituível... - Claro que sou. Não existe ninguém como eu. - Babi, faz um favor para mim, fecha a porta quando sair. - falei dando as costas para ela e puxando o edredom. - Não dê as costas para mim enquanto ainda estou falando com você Kadu. - Quero dormir e a sua voz está me irritando. - Um dia eu vou me cansar de ser tratada assim por você e caio fora... - O que está esperando para fazer isso? - perguntei olhando para ela de novo. - Vai para o inferno Kadu. - ela falou enquanto se encaminhava para a porta. - Não preciso ir, já estou vivendo nele. - falei quando ela bateu a porta com violência. Eu já deveria ter dispensado Babi a muito tempo, mas o pai dela é sócio do meu, e no momento ele é bem útil à empresa. Deve ser por isso o meu estresse maior. Ficar com uma garota que me irrita a cada dois minutos só para o meu pai não perder dinheiro. Às vezes quero fazer o que meu irmão fez, abrir mão de tudo por amor, embora eu não saiba muito sobre esse sentimento. Por um tempo cheguei a achar que era isso que sentia por Nanda. Isso até poderia ter dado certo por algum tempo, mas aí meu irmão entrou na jogada e ela fugiu das minhas mãos. Depois percebi que esse sentimento não me pertencia. No momento o que quero é curtir a vida, as garotas e de alguma forma suportar meu trabalho com o meu pai. O resto eu vejo depois.
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