A trégua com Heitor pesava nos meus ombros como um casaco de chumbo. Um alívio doente, misturado com a culpa de saber que a paz tinha um preço, e eu era quem tinha que pagar. A casa, que há poucos minutos era um refúgio, agora parecia pequena demais para conter toda a dor que eu tinha causado. Joãozinho estava no chão da sala, completamente absorto em montar a pista de corrida, seu rosto iluminado por uma concentração rara. Bárbara o observava, um sorriso terno nos lábios, mas seus olhos estavam sombrios, cheios de perguntas não feitas sobre a conversa no jardim. Eu não suportava. Aquele cenário de família perfeita era uma faca torcida na minha consciência. Eu não merecia estar ali, naquele momento puro, com as mãos sujas da traição ao meu único amigo e da violência do dia anterior. Pre

