Quando o Murilo saiu de casa, eu fiquei parada no meio da sala como uma alma penada. Parecia que o ar tava diferente, mais denso, mais lento.Como se o tempo tivesse decidido me torturar. Eu tentava arrumar alguma coisa: dobrar um pano, organizar a mesa, varrer o chão, mas tudo parecia um jeito desesperado de não pensar. Só que pensar era inevitável. Se o exame desse negativo eu sabia que Murilo ia quebrar por dentro e eu ia quebrar junto. A cada minuto, eu olhava pro celular como se ele fosse explodir. Nada. Nenhum sinal. A tensão tava tão forte que até Dona Lurdes reparou. — Senta um pouco, menina. Tu tá igual barata tonta rodando pela casa. — Não consigo — respondi, passando a mão pelos cabelos. — Isso tá me matando. — Deixa Deus trabalhar, filha. Eu tentei sorrir, mas acho que sa

