A porta do centro cirúrgico fechou com aquele som final que dá um frio na barriga. Fiquei parada ali um tempão, olhando pra porta branca, como se fosse conseguir ver através dela. A enfermeira tinha sido gentil. "Vai levar umas quatro horas, dona Bárbara. Pode esperar na sala ao lado." Quatro horas. Parecia uma eternidade. A sala de espera era silenciosa, daquelas que dó até de respirar fundo. Sentei numa daquelas poltronas de tecido azul, todas iguais, e abri minha bolsa. Tinha trazido um livro, mas sabia que não ia conseguir ler. A mente tava a mil. Puxei o celular e fiquei olhando as fotos. Tinha uma que eu tirei ontem, do Murilo fazendo careta pra selfie que o João pediu. Ele tá com a cabeça careca, o rosto todo marcado, mas os olhos... os olhos dele tão tranquilos. Diferente de com

