Entrei no quarto devagar, quase sem sentir as pernas. O quarto era claro e arrumadinho, mas sem alma. Sem cheiro de criança, sem brinquedos espalhados, sem vida. Tudo era frio, limpo demais, tudo errado. Joãozinho estava encolhido na cama, abraçado a um ursinho que nem era o dele. Seu corpinho respirava rápido, como quem dorme m*l. A pele mais pálida do que deveria, o cabelo mais bagunçado do que Babi deixava, a camiseta torta como se ninguém tivesse paciência para vesti-lo direito. Um aperto subiu em meu peito. Ele estava m*l cuidado. Eu senti, eu vi. E isso me matou de um jeito que bala nenhuma conseguiu. Me ajoelhei ao lado da cama, devagar, quase em silêncio. — João... — chamei baixinho. Ele mexeu o nariz, fez um som pequeno, mas não acordou. Toquei levemente seu braço. Quente de

