Capítulo 26 — O Tabuleiro do Don

1355 Palavras

Joel Chamaram de “acordo”, mas o cheiro era de armadilha. A mensagem veio pelo corredor — voz que não pisa, não assume: paz pela visita calada. Eu sabia o que significava: engavetar protocolo, parar de falar com assistente social, soltar a rédea do defensor. Em troca, nenhuma “ocorrência” no parlatório, nenhum emissário roçando o portão, nenhum carro sem placa rondando Beatriz. Pensei nela, palma no vidro, o J embaçado. Depois pensei no que o Don sacrifica quando promete paz: nada. O preço sempre sai do outro bolso. — Diz que não — falei, devagar, ao portador de recado que não ousou dizer o nome. — Paz sem papel é silêncio de cemitério. A resposta não demorou. Banho de sol reduzido “por ajuste operacional”. Revista no corredor, revista no refeitório, revista na ida ao médico. O agente

Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR