Beatriz Acordei com o morro já falando mais alto que meu despertador: rádio na janela do vizinho, panela batendo, cachorro discutindo com moto. O vidro da minha janela devolveu meu rosto com olheiras novas — sinal de que a cabeça passou a madrugada contando caminhos. Respirei fundo, prendi o cabelo, vesti a blusa simples. Uma frase ancorava o peito: teimosia com nome. Na clínica, o cheiro de álcool tentou me alinhar a coluna. Nara abriu a porta antes da minha mão chegar na maçaneta. — Hoje tem auditoria — avisou, olho esperto e carinho guardado. — Terno veio com prancheta. Terno e prancheta não combinam com morro quando o assunto é gente. O homem de óculos chegou com sorriso que não chega no olho; a mulher do tablet veio atrás, sem poeira no sapato. — Beatriz? — ele disse meu nome com

