Capítulo 31 — Decreto de Silêncio

1254 Palavras

Beatriz O aviso chegou como quem desliga o mundo com um dedo: “Visitas suspensas por 14 dias.” Li três vezes, como quem confere febre. A palavra “suspensas” fez o chão recuar. Fiquei em pé por teimosia, não por equilíbrio. Na clínica, Nara percebeu antes que eu dissesse qualquer coisa. — O que houve? — Duas semanas sem vidro — respondi, mantendo a voz de trabalho. — Sem parlatório, sem palma encostada. — Respira comigo — ela pediu, uma profissional segurando outra. Inspiramos em quatro, soltamos em quatro. — O mundo adora achar que se governa pelo relógio. A gente governa pelo método. Assenti, como quem devolve peso ao corpo. Atendi dois pacientes seguidos — febre, queda de pressão — e guardei a notícia num bolso que não existe. Mas ela escapava: entre um curativo e outro, atravessav

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