Tubarão Tive que sair do pagode que tava maneiro pra vir resolver problema em boca. Demorei um tempão aqui, depois não tive nem coragem de voltar pra lá. Só quis casa. Entrei dentro do carro e coloquei uma música pra ir marolando, fui dirigindo devagar porque dentro da comunidade não tinha porque acelerar. Muito morador e muita criança – a qualquer hora elas podiam correr pela rua. Bati a mão no volante na batida do pagode que tocava. Vi uma menina ajoelhada no chão na calçada com a cara entre os joelhos, até ia ignorar, mas quando levantou a cabeça eu reconheci e pude ver ela chorando. Aproximei meu carro da guia na calçada e dei farol alto chamando a sua atenção. Ela encarou o carro, mas logo abaixou a cabeça de novo. Dei a lanterna novamente e buzinei – ela ia mesmo me fazer descer?

