Julia narrando.
Me sento cansada de ter que ficar buscando coisas em outros andares, pego minha garrafa, bebo água e escuto o Alec me gritar em sua sala:
— JULIAAAAAA, VEM LOGO —
Olho para Jade, que de sua mesa olha preocupada, mas tenta disfarçar.
— Você já pensou em usar o telefone? — pergunto, abrindo a porta, e ele sorri.
— Eu prefiro usar minha bela voz. Pode pegar aquela pasta para mim? — ele pergunta, apontando para a estante em sua própria sala,
e reviro os olhos.
— Você tem duas pernas e duas mãos, conseguiria ter pego. — falo, mas retiro a pasta e entrego-a mesmo assim.
— Pode ir — ele fala sem me olhar, e piso com raiva. Ele é insuportável.
E o pior é que eu terei que aguentar ele fora da empresa também. Ainda não sei como contar sobre a gravidez, não consigo imaginar
sua reação. Tenho que saber como lidar com a situação primeiro. Eu nem consigo me entender de tanto hormônio da bipolaridade
que a gravidez me deu, e ainda vou ter que fazê-lo entender como tudo rolou. Me dá preguiça só de imaginar.
— Amiga, você tem algo de comer aí? — pergunto para a Jade, que olha para sua gaveta.
— JULIAAAAA — meu chefe odiado me grita novamente, e bato a caneta na mesa levantando.
Abro a porta dele com raiva dessa vez e sorrio falsamente:
— O que foi, chefinho?
— Vamos almoçar, agora — ele diz se levantando.
— Mas eu vou almoçar com a Jade e o Antoni — aviso, e ele n**a com a cabeça.
— Agora eu sou seu chefe. Vamos, minha Juli — ele tenta segurar minha mão, mas bato na sua, me afastando.
Odeio que me chamem de Juli, e é bom ele parar; apenas deixo meu pai me chamar assim.
Pego minha bolsa, marchando com raiva até o elevador, e pelo reflexo do espelho o vejo todo sorridente, um sorriso muito lindo para
receber um soco. Passo a mão na barriga sentindo um friozinho; espero que pelo menos o olho azul do bonitão seja herdado pelo
meu bebê. A idiotice eu não vou aguentar se esse bebê tiver:
— Minha dama primeiro — ele fala, segurando a porta do elevador, e entro resmungando.
— Eu não sou sua dama, senhor Alec.
— Pode me chamar apenas pelo meu nome, Juli.
— Você pode me chamar de senhorita Julia mesmo, obrigada — falo, não olhando para ele, que se apoia na parede de metal, me
encarando.
— Tudo bem, minha Juli.
— Maluco — sussurro e escuto sua risada.
— Melhor do que senhor. Pode me chamar assim se quiser.
As portas do elevador se abrem no térreo e ele agarra minha mão, me levando até a saída. Vejo seus seguranças levantarem a postos.
Sorrio percebendo como o tempo está antes mesmo de sairmos. Acho que finalmente o destino está a meu favor:
— Que pena, maluquinho, está chovendo. Acho que vou ter que voltar para minha mesa — falo, me virando, mas ele me segura no
lugar.
— Não foge.
Ele mais pede do que manda e começa a tirar seu blazer, me olhando. O que ele quer fazer?
— Vamos para o restaurante do outro lado da rua. Toma — ele coloca o blazer em minha cabeça e dou risada, mostrando meus
saltos.
— Com esses bonitões aqui eu não vou correr no molhado não. Gosto muito dos meus ossos inteiros para me arriscar.
Ele olha para os dois lados e se aproxima devagar, me fazendo recuar para trás.
— O que está fazendo, senhor maluco?
— Criando uma aventura — ele diz, sorrindo, e me levanta pelas pernas, me fazendo gritar.
Esperneio o mandando me soltar e ele corre para fora. Sinto a chuva me encharcar no instante em que saímos do prédio.
— Me solta agora, Alec, não estou brincando — falo brava, e ele ri contra minha cintura, atravessando a rua correndo.
— Mas eu estou brincando — ele fala, me deixando furiosa.
Seus seguranças param os carros quase fazendo-os bater. Sou finalmente posta no chão e ele me empurra para dentro do restaurante.
Tento distribuir tapas nele, que segura meus pulsos sorrindo:
— Antes de você bater, saiba que sou sadomasoquista e vou me apaixonar — ele diz, me deixando sem graça e um pouco excitada.
Porque eu tinha que ser tão maluca? Isso nem foi um flerte decente e senti meu coração bater mais rápido. Ele lambe os lábios e
pisco forte, voltando minha concentração para o mundo real:
— Eu me molhei toda — falo, e ele levanta os braços, dando uma voltinha.
— Eu também me molhei, mas valeu a pena. Vamos sentar — ele coloca a mão na minha cintura e tento tirar, mas seu aperto é
resistente.
— Alec — chamo sua atenção, puxando seus dedos que não descolam.
— Juli? Aqui, querida — ele puxa a cadeira para mim e me sento com pressa no instante em que ele me solta.
— Vão querer o quê? — uma senhora japonesa pergunta, não muito simpática, e ele sorri.
— Minha senhora linda, vamos querer dois yakissobas mistos e dois sucos de laranja — ele fala, simpático, para ela, que abre um
sorriso deixando seus olhos mais pequenos.
— Na verdade, um suco de maracujá, por favor, e mais dois temakis, grelhados e com cebolinha — peço com vontade, e ela passa a
mão em meu ombro antes de sair.
Nunca tinha visto essa senhora ser tão gentil; acho que o Alec a conquistou em segundos.
— Podemos nos conhecer? — o Russo mais novo me assusta com sua pergunta.
— Conhecer? — coloco o cabelo atrás da orelha nervosa e ele assente, pegando minha mão por cima da mesa. Tento puxar de volta,
mas ele a prende, entrelaçando-a com a dele.
— Sim, vamos trabalhar muito tempo juntos, e — ele olha em volta antes de se aproximar mais e falar em tom super baixo — eu
posso conhecer o seu corpo maravilhosamente. Conheço seu interior quente e macio, mas quero conhecer seu intelecto e
pensamentos hoje.
Engulo em seco, sentindo minha boca secar e minha v****a molhar. Não posso ser tarada nesse momento. Tem muita coisa em jogo.
Puxo minha mão dele com força e pego os talheres, brincando com eles nervosa:
— O que quer saber de mim?
— Aonde você mora?
— Em uma casa — respondo, sorrindo, e ele revira os olhos.
— Tá legal, eu vacilei nessa pergunta... Qual sua série favorita?
— Grey's Anatomy.
— A que tem pregação no hospital e todo mundo morre? — assinto, olhando em volta, e ele tosse, chamando minha atenção.
— Qual sua comida favorita?
— Hambúrguer, com muito queijo e molho — falo, e ele sorri em transe, parece que está em outro lugar junto com seus
pensamentos.
— Aqui, bonitão — a senhora fala, trazendo nossos pedidos, e vejo o suco do Alec com um canudo de coração.
— Obrigada, minha linda — ela sorri para ele antes de se retirar. — Tim-tim.
Ele bate nossos sucos, bebendo, e pego um temaki, sorrindo boba. Fecho meus olhos saboreando; que delícia. Acho que um temaki
nunca foi tão gostoso como agora.
— Bom mesmo — ele fala, me trazendo de volta para a realidade.
— Isso é meu — tento pegar meu outro temaki de volta, mas o Alec se afasta comendo e bloqueia minhas mãos com seu braço.
— Larga de ser egoísta. Um temaki só, mulher. Parece que passa fome.
Não aguento ficar brava e começo a rir dele:
— Você é surtada e bipolar — ele constata, pensativo. — Gostei de você.