Liam Smith
Vi o exato momento em que ela saiu do apartamento. Mandei que a seguissem e deixei que ela ficasse um tempo na praça. Vi que ela passou na joalheria e amanhã pretendo ir até lá ver o que a porquinha aprontou.
Me enfiei em várias reuniões, uma atrás da outra e não peguei mais o celular. Quando já estava anoitecendo pedi para a Joyce, secretária nova, revisar minha agenda de amanhã. Pretendo ficar o dia inteiro em casa, infernizando Nathaly até que ela peça desculpa de joelhos por ter saído sem a minha autorização.
Sei que a porta fica aberta, mas não é por isso que ela tem que sair por aí.
Acabei rindo da minha própria tolice. Me sinto um garoto pirracento por ficar pegando no pé de Nathaly, e notei que ela anda me evitando, mas devo confessar que é até divertido.
Fui até a cafeteria e conferi meu celular, havia algumas mensagens principalmente do homem que deixei seguindo Nathaly.
_ Bom, acho que já deu de castigo.
Murmurei para mim mesmo. Peguei um café e segui até o meu carro. Seguimos até a praça onde Nathaly está e no meio do caminho recebi uma mensagem do homem dizendo que um cara estranho estava perto dela, rondando a mulher de forma estranha, parecia até mesmo estar de olho na loira. Ordenei que ele não interferisse, já que Nathaly pediu por isso. Acho que um susto não vai fazer m*l, ela vai sobreviver. Meu funcionário não vai intervir desde que ela não sofra risco de vida.
A dois minutos do local recebi a ligação do funcionário mas recusei na hora, porém, quando cheguei ao local me arrependi amargamente.
Nathaly havia sido agredida, os botões da sua camisa estavam arrebentados. Honestamente, doeu vê-la assim. O homem que estava de vigia me olhou com raiva, mas não havia muito o que ser feito já que tudo aconteceu muito rápido.
Pedi que a levassem para o meu apartamento. Estava irritado comigo mesmo e ainda tinha um jantar de negócios durante a noite.
Quando cheguei ao restaurante não conseguia prestar atenção em nada do que era dito e a única coisa que vinha à minha mente era da cena.
_ Liam? Está me ouvindo?
Acordei do transe com a voz de Maggie, uma das investidoras da empresa, uma mulher elegante e bonita.
_ Oh, desculpe, dia cheio.
Falei com um sorriso amarelo. Ela riu em resposta.
_ Tudo bem, todos tivemos. Acho que hoje foi um dia de cão para todos.
Disse ela com um ar de cansada. Se para ela foi r**m, imagina para a mulher que está trancada no meu apartamento neste exato momento.
Depois de uma hora os outros dois homens que estavam conosco foram embora, restando somente eu e Maggie.
_ Então Liam, como seu irmão está? Fiquei sabendo que você tem feito algumas viagens relâmpago para o Texas.
_ Está bem. Oliver se apaixonou por Emma.
Falei enquanto bebericava meu vinho. Esperava que Maggie nem lembrasse quem é Emma, mas o rosto surpreso da magnata me deixou atento. Suas sobrancelhas fizeram um movimento que mulheres usuárias de botox como ela não deveriam fazer.
_ Meu Deus,é sério? A sua secretária?
_ Ela mesma.
_ Nossa, que garota de sorte! Emma é muito querida, uma menina muito doce e atenciosa.
_ Sim, Emma é uma joia rara!
Maggie riu.
_ Nossa, você falou como um homem velho e azarado no amor. Que horror!
_ Azarado no amor, não velho.
Maggie riu novamente e me encarou com lascívia.
_ Você é muito exigente Liam Smith, não azarado.
_ A maioria quer meu dinheiro, não tenho porque ficar com mulheres cujo único interesse é a minha conta bancária!
Respondi com sinceridade.
_ Olha, se quiser posso tentar arrumar um espaço no meu coração para você. E inclusive nem preciso do seu dinheiro já que sou mais rica.
Isso é verdade, Maggie é mais rica do que eu, mas ao contrário de muitas mulheres por aí ela quase não toca nesse assunto e muito do seu dinheiro vem do investimento em fábricas de petróleo. Ela é um gênio e tirou o nome da familia da lama a muitos anos.
_ Até que não seria má ideia Maggie, você é uma mulher bonita, atraente…
Ela deu um sorriso convencido. Maggie é o tipo de mulher padrão da alta sociedade. Tem silicone, lipo, mais silicone e lábios grandes que foram feitos em consultório. Quando ela sorri seu rosto fica sem expressão pelo excesso de botox, claro, exceto suas sobrancelhas que acabei de ver. E ainda sim não deixa de ser bonita, mas não consigo gostar tanto quanto queria…
_ Bom, acho que tenho que ir.
Comentei olhando o relógio. Maggie estalou a língua chateada. Levei ela até seu carro.
_ Qualquer dia desses, se quiser, posso te fazer companhia, ou você pode fazer companhia pra mim.
Sugeriu ela com um olhar bem expressivo, claramento me convidando para f***r.
_ Vou pensar com carinho. Como eu disse, não é uma má ideia.
Beijei seu rosto e ela entrou em seu carro.
Dirigi até meu apartamento, e antes de entrar suspirei. Um dos meus homens me trouxe a sacola que Nathaly lutou tanto para proteger. Sinceramente, achei bobagem, mas não consigo saber o que tem na cabeça dela ou qual luta interna ela está passando agora.
Quando fui até seu quarto e abri a porta, Nathaly estava dormindo com a mesma roupa que estava mais cedo, encolhida.
E pela primeira vez senti pena. Senti meu coração doer. Quando eu a humilho, e falo coisas que a machucam, não sinto nada além de ódio, mas agora, vendo como ela ficou frágil, sinto que há algo de errado comigo.
Não desejo sentir pena dessa mulher, ela não sentiu pena do meu irmão e nem da criança que perdeu, e está pagando por tudo o que fez, mas por mais que meu cérebro me alerte que é uma péssima ideia sentir qualquer coisa por ela que não seja ódio, continuo sentindo pena.