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1233 Palavras
Jonas narrando O ditado diz que todo homem tem um preço e o meu eu cobrei baixo demais, eu era um homem feliz. Eu tinha uma mulher linda que me amava tinha um filho lindo e o respeito de toda a família. Troquei tudo isso por alguns milhões, hoje 25 anos depois eu me arrependo todos os dias da escolha que eu fiz. Por isso estou aqui agora na porta da casa de Ema, eu precisava pedir desculpas e dizer a ela que eu nunca a esqueci. Levei um tempo criando coragem para entrar e bater na porta, a verdade é que eu me envergonho do homem que me tornei. Respirei fundo abrir o portão e entrei, as coisas mudaram muito pouco por aqui, Emma e Denis se mudaram para casa de meu antigo sogro depois que eu parti. O velho morreu com raiva de mim ele sempre disse que eu ia desgraçar a vida de sua filha, olhem só...ele tinha razão pois foi exatamente o que eu fiz. Eu a abandonei com nosso filho pequeno para criar e sumi no mundo sem olhar pra trás; eu realmente acreditei que se tivesse dinheiro eu seria mais feliz. Pura ilusão. Respirei fundo e bati na porta levou um tempo até que ela viesse abrir e ao encontrá-la os meus olhos encheram de água. Aquela mulher... a minha mulher que estava ali bem diante de mim, linda como sempre, seus cabelos trançados em uma trança embutida e um vestido simples rodado. Mas que deixava perfeita e mostrava seu belo corpo mesmo com o passar dos anos Ema continua uma linda mulher, na juventude ela foi muito desejada por muitos homens endinheirados, com posses e até fazendeiros. Mas ela escolheu a mim e eu não soube valorizar. -não pode ser... Ela cravou seus olhos em mim enquanto levava a mão na boca impressionada. -o demônio em pessoa na minha porta? Ela estava surpresa ao me ver. -Oi Ema... Queria dizer tantas coisas mas não saia nada, ensaiei por anos esse momento e agora nada? -Reaja seu frouxo ande, quer o que em minha porta? -precisava te ver posso entrar ? Ela levou a mão na cintura enquanto a outra segurava a maçaneta -claro que você não pode entrar Oxe. Ela balançou os ombros -perdeu o juízo foi? Ela me olhou de cima abaixo e eu havia me esquecido como essa mulher é arretada - Há 25 anos atrás tu saiu por essa porta para ir trabalhar se lembra? Ela me encarou e pude ver a mágoa em seus olhos. - e nunca mais voltou até o dia de hoje. Ela levantou as mão pro céu em sinal de agradecimento. -e hoje tu me aparece aqui como se nada tivesse acontecido me pedindo para entrar? Ela levantou uma sobrancelha deixando claro que estava ficando brava. -Cace teu rumo ande? - Me perdoe Ema eu... Ela empurrou meu ombro tentando me fazer sair da sua porta mas não me movi. -Vá te embora coisa ruim Não aguentei e desabei a chorar ali na frente dela eu estava muito emocionado e até desesperado. Claro que não esperava ser recebido com flores mas não esperava tanta hostilidade, ela me odiava e o ódio estava ali estampado em seus olhos. Eu a abracei pelo pescoço e logo senti seus tapas em meus ombros tentando se soltar mas eu simplesmente não conseguia me soltar dela. Me pareceu tão certo estar ali que por um momento eu pensei por que demorei tanto para procurá-la? - oi, mainha está tudo bem aqui? Era o meu menino, meu Denis. Ele não me reconheceu também né fui embora ele tinha pouco mais de 1 ano -tudo sim -quem é esse senhor? Ele me olhava desconfiado -ele estava perdido e bateu na porta errada, mas já tá indo embora. Ela me olhou um olhar ameaçador -passe pra dentro meu filho, mainha já vai e o senhor... Ela se virou pra mim -faça o favor de ir embora e não voltar nunca mais. Denis entrou mas ao ouvir sua mãe ele parou e me encarou -o senhor tá chorando? Ele veio até mim -Tá se sentindo m*l ? Quer um copo d'água? Ele se mostrou todo preocupado e eu fiquei emocionado e orgulhoso do homem que meu filho se tornou. - ele não quer nada, ele só quer ir embora. Ela gritou perdendo sua pouca paciência -Denis meu filho... Fui em sua direção - meu garoto eu.. Ele me olhou de boca aberta -sou eu, seu pai...vim lhe pedir perdão Ele me encarava como se esperasse por esse momento há muito tempo, fiquei sem reação ao ver a dor que eu causei na vida do meu filho e da minha mulher. -me perdoe Denis Me joguei em seus braços o abraçando e pedindo perdão sem parar. Ele me arrastou para dentro de casa mesmo em meio aos protestos de Ema. - olha pra você....se tornou um homem - não graças a você maldito! Ela disse de braços cruzados e batendo o pé nervosa. -calma mainha deixa ele pelo menos tomar um fôlego. -não dentro da minha casa tire já esse homem daqui. -não tem necessidade de fazer escândalo... Ele me ajudou a sentar no sofá. -nem de trata-lo assim que nem um bicho. -Denis Carvalho ele é um bicho. Ela gritou enquanto gesticulava nervosa -Ele abandonou a gente a própria sorte... Ela disse com os braços abertos. -sozinhos a Deus dará sem se preocupar com o que a gente tinha pra comer... A mágoa era visível em seu discurso ela não ia me perdoar nunca. -se a gente tinha o que beber, então não. Ela balançou o dedo negativamente. -não aceito que ele beba nenhum não copo d'água dentro da minha casa. -mainha por favor... -a pronto agora visse eu sou obrigada a recebe-lo em minha casa sou? Ela levou a mão na cintura -sou não - mainha ele é meu pai Ele disse com a voz embargada -Ah pois é? Agora tu tem pai é macho? Ela levantou os braços e olhou para cima depois se virou pra Denis -pois eu não quero nem saber Ela apontou pra porta e depois pra Denis -pois passe fora você e seu pai Denis tentou argumentar mas foi travado por Ema. - tu não abre a boca para falar nada se quiser vai receber teu pai do portão para fora. Ela bateu palmas isso era típico de Ema quando estava arretada. -bora embora saiam já da minha casa os dois ande, eu não aceito nenhum dos dois aqui dentro não. - mãinha calma pelo amor de Deus, não faz isso. Ela abriu a porta e nos encarou. -tão esperando o que? Um convite formal? Nós dois sabíamos que Ema não voltaria atrás, ele me olhou meio que pedindo desculpas. E eu sorri cúmplice pra ele, me levantei envergonhado e sai porta a fora. -eu nunca te esqueci Ema Ela me lançou um olhar mortal -estou ansiosa para o dia que eu vou dançar no seu enterro. Olhei pra frente e então notei que a rua estava lotada de gente para ver o espetáculo. Eu saí envergonhado mas ciente de que meu filho não me odeia e não tinha como eu estar mais feliz, antes de ir embora. Pedi mais uma vez perdão a Ema e prometi que voltava para me explicar, pronto dei o primeiro passo para recuperar minha família.
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