Outra dimensão

314 Palavras
Texto 5: Quando eu for embora Quando eu for embora, restarão um turbilhão de palavras que foram ditas e escritas, gravadas nos corações, nos papéis e nas páginas que eu publiquei nas redes. Quando eu for embora, haverão palavras doces e sinceras que eu disse para quem ficou, e as guardou no coração com carinho. Quando eu for embora, eu vou deixar um monte de roupas que comprei desnecessariamente, algumas dívidas, cartelas vazias de Alprazolam aos montes. Deixarei a saudade dos poucos abraços que dei, não sendo assim de contato físico… mas restará a saudade das palavras que ainda poderiam ter sido escritas por mim e não foram. Nesse momento, eu sinto que já as escrevi um bocado, e que há material suficiente para que, quando a saudade do que quer que seja de mim, apertar, elas sejam um convite a rememoração da minha breve passagem. Quando Scarlett O’hara perde os seus amores, a única coisa capaz de fazê-la se reerguer, é pensar em Tara, a sua terra. Nada é mais importante do que a terra, já dizia o seu pai, um irlandês apegado à terra. Nesse momento, em que me despedaço, sem ver perspectiva do que há de verdadeiramente bom na terra em que habito. Não me sinto egoísta em partir precocemente, me sinto corajosa, por ter sempre tomado as decisões que as pessoas julgavam erradas demais, impulsivas demais, como uma louca derrapando em uma ladeira sem fim. Todos esses atos, hoje eu vejo como a forma mais corajosa que eu tive de viver. E também é com a maior coragem de todas, que eu me despeço. Deixando aos que eu amo, e eles sabem quem são, que nada morre nesse infinito circular que habitamos. Sem corpo presente, eu ainda estou aqui. Basta acreditar no véu sensível que nos separa, que pode ser rasgado, basta ter fé. Então me encontrará. Em outra dimensão.
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