Gabriele.
A Bruna me disse que essa minha história de ter ficado com o Pedro está rolando por aí, só de pensar na minha mãe escutando isso pela boca das vizinhas minhas pernas já tremem.
Confesso que estou com medo. Graças a Deus não me entreguei pra um cara que só tinha ficado duas vezes, ia ser o meu fim.
Falando nele, vi o mesmo hoje, com seus amigos babacas, ficaram soltando piadas como sempre, mas não dei bola, ninguém merece né.
-Gabriele- falou minha mãe entrando em meu quarto.
Meu coração acelerou e eu gelei, eu devo estar branca igual uma alma...
-Oi mãe- a respondi.
-Você está bem? não quer me contar algo? está tão estranha ultimamente- falou e eu engoli em seco.
Se eu falar a verdade e ninguém tiver falado nada, mas e se eu não contar e ela descobrir pela boca de outra pessoa, uma decisão difícil.
-Você sabe que eu odeio mentiras, aí mãe eu beijei um carinha, mas foi apenas uma vez- admiti cabisbaixa.
-Quem é esse em? um desses traficantes? você acha que isso é futuro pra você Gabriele, quer terminar igual seu irmão?- perguntou alto e eu neguei.
-Não vai se repetir- disse baixo.
-Não vai mesmo, porque você só sai dessa casa comigo, de casa pra escola e da escola pra casa, estamos entendidas?- perguntou me olhando.
Não disse absolutamente nada, a verdade é que eu nem teria oque dizer, apenas engoli em seco, ela olhou pra mim por mais alguns minutos e logo saiu do meu quarto.
Se arrependimento matasse. Se eu não tivesse falado, não estaria em Cárcere privado, não tinha pra onde fugir, outra pessoa iria contar e seria bem pior.
Eu já não saio de casa, e agora depois disso tudo... Suspirei deitando em minha cama, eu sei que ela só quer o meu bem, qual a mãe que quer ver a filha com um vapor? mas eu talvez tenha ido com a cara dele.
Já está na hora do jantar, minha fome até passou depois de tudo isso, eu não teria estômago pra fingir que nada aconteceu, meu pai é bem pior que a minha mãe quando se trata desses assuntos...
Em meio aos pensamentos acabei pegando no sono... Acordei assustada com o despertador, sonhei com o Pedro, o cara é safado até nos sonhos, dei risada mas fechei meu sorriso assim que vi a dona chata na porta.
levantei séria e fui até o banheiro, escovei meus dentes, tirei minha roupa e fui pra debaixo do chuveiro, que água gelada do caramba, vocês devem estar pensando que ainda é cedo, mas eu acordei exatamente na hora de se arrumar pra escola ou seja 11:30.
Sai do banheiro enrolada em minha toalha. Me enxuguei e vesti minha calcinha, sutiã, calça jeans preta e minha farda. Passei um pouco de reboco na cara e calcei meu tênis.
Fiz fitagem no cabelo, sim eu demoro um século pra me arrumar, por isso sempre me atraso. Peguei minha mochila e segui até a cozinha, meu pai estava na mesa, estranho já que ele trabalha nesse horário.
Mais um sermão? eu mereço viu. Coloquei a comida em um prato e me sentei, o silêncio reinou aqui, um clima chato.
-Sua mãe me contou Gabriele, não vou te esculachar nem nada, mas se eu sonhar que esse erro foi repetido, tu leva uma surra e ainda vai embora dessa casa- falou seco sem me olhar.
Fiquei calada, no final perdi a fome, conseguem me deixar m*l ao ponto de não conseguir comer.
-Vamos Gabriele, você já está atrasada.
Segui minha mãe até o carro, entrei no mesmo e ela dirigiu até a escola, suspirei aliviada quando chegamos, desci rápido sem me despedir.
Entrei na escola vendo a Bruna me esperar, abracei ela forte que logo retribuiu o abraço.
-No intervalo precisamos conversar- falei soltando ela.
-Tá tristinha porque?- perguntou.
-No intervalo te conto, já tocou pra entrar- falei saindo de lá.
Fui até minha sala, sentei no fundão, e fiquei tentando prestar atenção no que o professor de química falava, uma das piores matérias, essa é minha opinião, o pior é que são duas aulas só dele.
Graças a Deus as primeiras três aulas se passaram rápido, assim que tocou para o intervalo, corri a preocura da Bruna, encontrei ela conversando com a Duda.
-Vocês não sabem, estou proibida de sair de casa, meu pai disse que se eu ficar novamente com o Pedro levo uma surra e ainda me expulsam de casa- contei tudo de uma vez e as meninas ficaram com cara de surpresa.
-p**a que pariu, como assim te expulsam de casa? se for assim você nunca vai poder ter um namorado, eles acham que você é posse deles...- afirmou Bruna revirando os olhos.
-Que pesado ter pais assim cara, espero que eles abram a mente, se não só sobra pra você viu amiga- falou Duda.
-Por isso eu tenho sempre medo e insegurança de falar a verdade pra eles, sempre reagem assim- suspirei lembrando.
agora é esperar e ver até quando vou ter que vim com a minha mãe, pareço uma criança...