Capítulo Dois - 2

805 Palavras
Parte 2... Pauline é uma pessoa maravilhosa, mas eu fico um pouco tímida de estar ali com ela. Geralmente ela é quem vai em nossa casa para ver minha mãe e sempre leva algo para a gente. Nos ajuda muito. Depois de uma meia hora ela me chamou até a cozinha. Tinha pedido que eu fosse lá para pegar uma encomenda para minha mãe. — Eu poderia levar depois lá na sua casa, mas como é algo que podem precisar logo, eu decidi pedir que viesse até aqui. É caminho. Não é bem meu caminho. Afinal, eu moro bem longe e tenho que pegar um ônibus diferente no terminal para vir até aqui, mas não ia reclamar por causa disso, ainda mais com ela. — Eu estava no shopping e passei na farmácia para comprar um novo medidor de glicemia, porque o meu está desregulado e vi na prateleira esses remédios que sua mãe usa - pegou duas caixas dentro da gaveta de um dos armários — Como eu tinha outro compromisso, não deu para passar lá na sua casa, mas amanhã ou depois eu vou - me entregou as caixas. — Agradeço - olhei os remédios — Minha mãe só tem meia caixa mesmo. Eu já ia comprar, mas estava esperando até o final da semana. — Ah, viu que bom - sorriu e bateu em minha mão. — Mamãe! Ouvimos a voz forte de um dos filhos dela. Pauline respondeu alto que estava na cozinha e logo ele apareceu. Eu não conheço os filhos dela pessoalmente. Já vi um deles na tevê, porque tem um programa de culinária. É um rapaz muito bonito. Mas os outros dois eu nunca os vi. Ele entrou na cozinha e parou de vez ao me ver, me encarando. Confesso que não sei definir bem se ele é bonito ou f**o. É um homem diferente, eu diria. Magro e alto. Não o olhei muito, fico sem graça de encarar as pessoas por muito tempo. Desviei o olhar de novo para Pauline. — Entre meu filho - ele sorri. — Quem é você? - ele pergunta. — Esta é a Cristina - Pauline pegou minha mão — Filha de minha boa amiga, Marlene. Eu já te falei sobre elas, não falei? Ele fez uma cara engraçada. Acho que se Pauline falou, ele com certeza não lembra de nada. Deu um sorriso curto e fez um gesto com a cabeça. Não sei porque, mas fiquei inquieta. — Acho que sim - deu de ombro, me olhando. Isso me deixa tímida — E o que faz aqui? — Norton... Isso é modo de falar? — Eu só fiz uma pergunta -abriu as mãos — Curiosidade. Fiquei um pouco corada. Eu sei porque sinto meu rosto ficar quente. Notei que ele tem olhos pretos muito bonitos. — Cristina veio aqui porque eu a chamei - Pauline explicou — Eu pedi que viesse para pegar umas coisas. — Mas a senhora não vai sempre lá? — Sempre não, Norton - ela fez um bico — Quando posso eu vou visitar minha amiga. Eu guardei as caixas do remédio em minha bolsa. Agradeci de novo e disse a ela que precisava ir. Ainda tinha que chegar em casa e no final da tarde iria para a faculdade. — Que pena - ela meneou a cabeça sorrindo — Eu gostaria que ficasse um pouco mais. Nós quase não temos tempo de conversar. — É verdade - ajeitei a alça da bolsa, sentindo o olhar dele sobre mim — Mas infelizmente, não vai dar. Eu só aproveitei esse tempinho mesmo. Mas o ônibus demora a chegar no meu bairro. Saímos da cozinha juntas, Pauline segurando em meu braço. Nem me despedi do filho dela. Fiquei um pouco envergonhada com o modo como ele olhava para mim. Pauline me acompanhou até a porta da frente e nos despedimos. Passei pela guarita e andei depressa até uma pequena praça mais adiante, onde tinha um ponto de ônibus. Até isso era diferente aqui. Nenhuma pixação e tudo no lugar. Felizmente não demorou muito e logo pulei para o degrau do ônibus e fui para os assentos do fundo. Norton — A garota já foi, mãe? — Já sim - ela passou por mim subindo a escada. — Ela parece novinha, não é? — Ela é novinha - me respondeu — Tem só vinte e um anos. Apertei os lábios fazendo um bico, balançando a cabeça para a frente. De repente a ideia maluca me bateu de novo. Só tinha que tirar uma dúvida e depois resolveria. Subi os degraus de dois em dois indo atrás dela. — Mãe, essa sua amiga é aquela que mora naquele bairro r**m, não é? - gesticulei entrando no quarto — Aquele bairro de pobre. Ela parou e me olhou fazendo uma cara séria.
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